6 de janeiro de 2008

O Vento

Esta postagem terá a trilha sonora de Los Hermanos.
A guitarra...
Estão ouvindo?


É incrível como alguns momentos da vida assumem autonomia.

(tãnãnãnãm) Posso ouvir o vento passar,
assistir à onda bater,
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...

É como se o arbítrio cessasse em nome do melhor implícito... E em nome do que tem de acontecer as coisas acontecem... Sozinhas...

(tãtã) Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?

O tempo se agiganta para alguns acontecimentos – passa mais rápido, mais devagar, mais espaçado, mais estreito... Subitamente mais inteligente.

(tãrãm) Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva!

E quando a gente olha, o pior já passou...

(tátá) Não sei mais,
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...

(Uma amiga minha há um tempo atrás traduziu essa sensação como “sentir-se carregado por Deus”.)

(uh...) Se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem então
o que resta é chorar e talvez,
se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.

Então a vida tráz o ritmo de volta ao poder de nossas mãos. E as imagens lembram retratos antigos, tão novos quanto a vida que ainda resta para viver.

(tchátchãm) Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.

Há mesmo mais coisas entre o céu e a terra do que pode julgar nossa vã, pequena filosofia. E por maior que sejamos, por mais espertos, rápidos, bem sucedidos, lúcidos que sejamos... Mais lucidez aguarda espreitando-nos em forma de outrem na(s) próxima(s) esquina(s).

E como será?

Boa sorte a nós, que estamos vivos. Pois a morte ainda é sim a segunda certeza. A primeira é o aprendizado. Irrefutável.

O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
(tãrãrãrãrãm)

4 de janeiro de 2008

Cotidiano Notável

Fato:
Recebi denúncias não-anônimas de que este blog teria se comportado de maneira inadequada durante o dia de ontem.
Réplica:
_ Prometo não mais confiar cegamente nos meus funcionários googles.

Fato:
Minha mãe fez torradas ontem à tarde.
Réplica:
_ As torradas são mais práticas (fáceis de morder e mastigar) quando são feitas mais fininhas. Além disso, manteiga é gordura hidrogenada e isso é uma porcaria que faz mal.
Tréplica:
_ Não fiz pra você, fiz pra mim.
Direito de resposta:
_ Ah, tá.

Fato:
Minha irmã (Thais) criou um tipo de Milk Shake caseiro que não ficou ruim.
Réplica:
_ "Tháta Shake" é um bom nome. Você tem potencial. Tenho um amigo que já trabalhou no Mc Donald's. Carreira promissora. Vou agitar o negócio pra você.

Fato:
Minha mãe gritou comigo porque mousse de chocolate não foi feito para matar a fome.
Réplica:
_ Esse é o tipo de coisa que você percebe sozinho quando se sente enjoado por tentar usufruir ao máximo do que sobrou da festa de fim de ano.
Tréplica:
_ Bem feito.

Fato:
Dormir não ajuda a descansar quando o cansaço é justamente por dormir demais.
Réplica:
_ Mas é bom.

Fato:
Amiga dando sermão moralista no telefone.
Réplica:
_ Tá bom, mas você serve pra isso, pra me avisar quando eu pisar na jaca sem perceber.
Tréplica:
_ Não faça de novo!
Direito de resposta:
_ Vou pensar no seu caso.


Bom pessoal, espero que tenham curtido e aprendido bastante com o super debate na nossa mesa redonda de hoje. E, para finalizar nosso evento com chave de ouro, o convidado especial, Hermann Hesse:

"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."

1 de janeiro de 2008

Feliz Ano Novo!!!

Que a entrada do novo ano seja uma saudável despedida das experiências passadas...
Que 2008 venha repleto de desafios, sorrisos, boas novas...

Que nossas promessas saiam do campo das idéias e dos planos.
Que nossos desejos sejam menos egoístas.

Que possamos finalmente abrir os olhos e enxergar o brilho dos olhos alheios.
Que possamos nos alegrar por poder sentir prazer, ainda que o preço sejam as portas abertas para as dores de estar vivo.



Segundo Durkheim, a anomia é uma espécie de doença social e, entre outros fatores, representa a falta de solidariedade orgânica.
Uma sociedade só o é se os indivíduos participantes não agirem isoladamente, mas pensando no bem comum. Logo, não há (ou não deveria haver) espaço para que os interesses privados superem os interesses coletivos. Caso contrário, a sociedade (o organismo) em questão entraria num processo de profunda desarmonia.
(Qualquer semelhança com o que se vê hoje em dia não é mera coincidência.)



Neste novo ano, mais solidariedade aos 4 leitores deste blog!

(Acabo de descobrir que tenho uma leitora nova! EEEEeeeeee.....!!!!!!)

30 de dezembro de 2007

Férias



Verão.
Sol, calor, praia, estradas entupidas, congestionamentos de dez horas e... praia.
Areia forrada de guarda-sol, todos coloridos, uma alegria...
É mais fácil colocar sua cadeira em cima do guarda-sol de alguém do que encontrar um espaço na areia...
Ah... que bom...
O merecido descanso...

Só não para quem ficará na cidade trabalhando... Procurando emprego, estudando...
Mas até estes têm regalias! 25% menos carros nas ruas faz diferença! Por exemplo: se você passa duas horas diárias no trânsito, passará então, com a regalia das férias do resto do mundo, apenas uma hora e meia! Veja que vantagem! E ainda pode pegar um bronze na janela de seu próprio veículo auto-motor! Não precisa nem colocar a cara pra fora, basta ficar lá dentro, no mormaço.
Lembra que nossa mãe sempre dizia "Passa protetor que mormaço também queima!".
Então! Pedro Bial já dizia que no protetor solar ele confiava. Faz sentido. Boa dica.

Outra vantagem: pra quê guarda-chuva se o mormaço queima? Que chova, então, ora pois! Aí refresca as possíveis queimaduras adquiridas no mormaço do carro de quem ficou 25% de tempo a menos no trânsito!

Acho que deu pra entender que este blog não terá férias, né?!

29 de dezembro de 2007

Local-som

CD's antigos podem significar uma volta pra casa, um regresso às origens, um resgate de memórias perdidas.

Depois de um dia de barulhos tipicamente caóticos de cidade grande, nada como ouvir uma melodia harmoniosa, algo que faça com que você se lembre de quem é no amontoado de gentes e pedras... Um reduto, um lugar em forma de som... que envolve... abraça... eleva... enleva...

Pode ser uma canção simples que estava perdida, abandonada numa caixinha no fundo do armário...

...Lá onde você se deixou... junto com as coisas de que mais gosta... E se esqueceu...

28 de dezembro de 2007

Vírus no meu orkut!


Passaram um vírus por orkut para toda a minha lista de amigos com o meu perfil.
Gente, eu escrevo em negrito, mas nunca mando mensagens em massa, ok?! Nem coisas fofinhas!

Quando me comunico por orkut e/ou similares, escrevo para a própria pessoa, sem clichês que valem para todo mundo e sem imagens e frufrus (eu nem sei colocar frufru nas mensagens).
Nada de clicar em botãozinho vermelho, presentinho bacana nem bichinho cor de rosa.
Mas... por via das dúvidas, pergunta antes de clicar!

Vale lembrar que arquivos com extensão EXE (abreviação de EXECUTÁVEL) dificilmente fogem da realidade do ataque virtual. Mesmo que não seja eu, mesmo que a mensagem venha de sua própria mãe, desconfie! As pessoas usam endereços alheios e conhecidos das vítimas para espalhar o vírus!

Combinado então?
Para quem clicou na porcaria, ficam os meus lamentos.
Para quem não clicou, não clica e deleta!
Eu mando uma mensagem desinfectada pra você qualquer dia desses!

25 de dezembro de 2007

Palavras de quem sabe o que diz

Lobos?
São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua
Aquietá-los.
Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.
Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.

Hilda Hilst
"Poemas aos homens do nosso tempo"

Faço das minhas as palavras da musa, com resignada admiração à singular genialidade no trato das palavras desta que "nasceu póstuma".

24 de dezembro de 2007

Neste Natal:


Que neste Natal, tempo de alegrias, festas, reuniões e carinhos, não nos esqueçamos de quantas Meninas dos Fósforos, bem à maneira daquela dos Contos de Andersen, existem a pisar descalças neste mundo onde tanto ainda pode ser melhor.

Que possamos nos lembrar para nunca ousarmos esquecer da nossa parte no mundo, porque todos têm seu lugar e sua hora, bem como sua missão. Ignorar o chamado não é abdicar às responsabilidades, pois isso é impossível. Ignorar é somente protelar as horas em que a consciência virá cobrar, sem que ninguém o faça, as belezas que poderiam ter sido regadas pelas luzes de nossas mãos e não foram.

E neste Natal, mais do que presentes e festas, desejo a verdadeira alegria de saber-se cumprindo uma missão. O algo maior indefinível. A maravilhosa sensação de ter descoberto seu lugar no sorriso dos que o cercam.

Feliz Natal a todos os 3 visitantes deste blog! (rs)

23 de dezembro de 2007

Karaokê pra quê?


Nunca dê um Karaokê para um vizinho. Corre o risco de ele gostar.
Agora, a menos que você esteja realmente querendo sacanear alguém, também não dê um Karaokê de presente a ninguém que tenha vizinhos num raio de 50 km. Tudo bem, eu sei que ele pode comprar. Mas é bom não facilitar a aquisição de algo perigoso, ok?!
Para o meu vizinho facilitaram. Não sei exatamente se foi um amigo - dele claro - ou se foi um crediário. O fato é que ele adorou o novo brinquedinho.
Eu não. Estava tentando ler.

"_ Senhor Samsa! - bradou para o pai o inquilino do meio e com o indicador, sem perder mais uma palavra, mostrou Gregor, que se movia lentamente para a frente."

"Iiiieeeeeeeuuuu... Gostava tanto de vocêêêêê... Gostava tanto de vocêêêê....!!!!!!!!!!"

"O violino emudeceu, o inquilino do meio primeiro sorriu para os seus amigos, balançando a cabeça, e depois olhou para Gregor outra vez."

"...Nem bem chegueeeeeiiiii.... quero ficar bem a vontade, na verdade eu sou assiiiiiiim...!!!!!!"

Kafka que me desculpe, mas tive que deixar para depois.

21 de dezembro de 2007

eu = Com+pli+can+do


Mãe é mãe, não tem jeito.

E a minha sempre me dizia:
"Camila, seu lema de vida é: se pode complicar, pra quê facilitar?!"
Faz tempo que ela não diz isso... Acho que se esqueceu de reiterar essa tese ultimamente...
...Mas continua valendo, pelo que constato...

Só que é o seguinte, eu sou mulher tá bom?, e toda mulher é complicada mesmo! Tem coisa que é inerente à natureza do ser. Eu sou assim, complicada mesmo, sem culpas, sem problemas, assumida, feliz, tranquila.
...
...
...
...
..
.

...Ai! Sou complicada demais, não tô me aguentando! Aguém me leva daqui, fazendo o favor?!

Sempre acreditei que o fato do céu ser azul era uma mensagem. Uma mensagem divina. A lógica é simples: já pensou se o céu fosse vermelho o tempo todo? Seria irritante. E se fosse amarelo gema de ovo? E se fosse verde gosma? E se fosse todo branco, ou, pior, todo preto o tempo inteiro? Viu?! Não daria certo! Mais do que a reação de gases atmosféricos à luz do Sol, o céu é azul porque Deus assim escolheu para que a humanidade se tranquilizasse. É um modo que Ele encontrou para dizer que tudo vai ficar bem...

Mas hoje o céu tá cinza!
Cinza!

Como eu vou ter certeza de que tudo vai ficar bem?????

18 de dezembro de 2007

Feliz Aniversário pra mim!


"Aos 21 anos você acha que tem o mundo inteiro pela frente... E tem mesmo."
Jaque Lemos

Obrigada a todos por tudo!
Eu sou o que sou porque vocês fazem parte do meu mundo!
Bjo mãe, bjo irmã! (vocês me assustaram! rsrs...)
Um grande abraço a todos os meus companheiros de estrada, afinidades de almas raras, estrelas que brilham no meu céu e fazem brilhar meus olhos.
Vocês são lindos!
(A alguém em especial, tudinho de uma vez no fim do ano que já tá chegando! rsrs)

17 de dezembro de 2007

Zumbi News

Zumbi News nova versão -

Comunicação & Educação para quem

se atreve a pensar, questionar e,

sobretudo, dialogar em prol do

crescimento coletivo.
Em breve em um site pertinho de você!

*****



Momento nostálgico - porque todo mundo tem um dia assim...


Fosse uma coisa
Pisotearia essa lembrança
Mas não sendo mais que
Movimento de passado recriado
Não posso senão esquecer
E já nem isso posso
Enquanto não passa o tempo
Necessário para apagar
O indelével que edifica
A ruína que restou
No rastro do compasso
Que quebrou
Quando você partiu
E fez de tudo
Estilhaço em mim...
(C.Caringe)

16 de dezembro de 2007

Someday We'll Know/ New Radicals

[...]
Someday we'll know
If love can move a mountain
Someday we'll know
Why the sky is blue
Someday we'll know
Why I wasn't meant for you
Does anybody know the way to Atlantis
Or what the wind says when she cries
I'm speeding by the place that I met you
For the 97th time..... tonight
Someday we'll know
Why Samson loved Dalilah
One day I'll go
Dancing on the moon
Someday you'll know
That I was the one for you
I bought a ticket to the end of the rainbow
I watched the stars crash in the sea
If I could ask God just one question
Why [...]

15 de dezembro de 2007

...E então...?

13/12/2007 - 20h49

Após fim da CPMF, governo e oposição

admitem criação de novo tributo



RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Após a derrota na aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), oposição e governistas admitem a criação de um tributo para substituir o "imposto do cheque". A idéia deve ser debatida durante a discussão da reforma tributária, segundo integrantes do PSDB e do PT.

13 de dezembro de 2007

Pensamento lúdico

foto disponível no site: http://andaluciasur.blogcindario.com/2005/12/00346-amapolas.html


Sabe aquele tipo de pessoa que senta na frente da TV e grita com o vilão da novela, avisa a mocinha do filme que o monstro tá atrás dela e dá boa noite para o apresentador do jornal? Então! Eu não sou assim. Não com a TV, mas com livros.

Morro de amor, de dor, de alegria, de desespero. Enlouqueço junto com os personagens e nosso suor frio se mistura na realidade criada e estimulada a partir da fantasia de bons autores.

Estou sofrendo.
Gabriel García Márquez judia dos leitores de Cem anos de Solidão.
É possível perder a noção do tempo, tal qual os personagens. Amar junto com os romances tórridos e infelizes trazidos pelas asas das borboletas amarelas, pelos passos das salamandras e pela linda visão dos campos de amapolas. Fazer um minuto de silêncio pelas mortes e os lutos prolongados dos vivos. Sentir a dor e a glória dos milagres que só acontecem em Macondo.

Algumas vezes me senti tentada a dizer à minha avó para que não se preocupasse, que ao sair do cenário todos os personagens da novela iam comer pizza juntos, inclusive o mocinho e o bandido. Tive vontade de dizer que eles até eram amigos e que tinham que se esforçar para fingir juras de ódio eterno.
...Depois compreendi melhor que o que alguns chamam de ignorância era na verdade capacidade lúdica.
Eu tenho. Obrigada.

12 de dezembro de 2007

...Era sobre mim...

photo by M. R. Nunes, num ensaio fotográfico elaborado como parte do processo de avaliação da disciplina Fotojornalismo/2007.

Homenagem aos 507 anos de descobrimento

Quando os portugueses chegaram ao Brasil e encontraram os índios, ficaram com medo daquele povo peladão. Então entregaram a eles seus enfeites, aparelhos de navegação, espelhos e roupas, na tentativa de fazer amizade.
Os índios gostaram da idéia e também presentearam os portugueses. Entregaram-lhes milho, bananas, mulheres e tetris. Quando os portugueses viram o tetris pela primeira vez, ficaram fascinados com tamanha tecnologia ainda não superada até os dias de hoje.
Alguns dizem que o Brasil foi descoberto por acaso. Mas é claro que não!
Os portugueses já sabiam que o mundo era mais do que as especiarias que só serviam para disfarçar o gosto de podre da carne - já que eles não tinham geladeira. Eles queriam mais, queriam conquistar o mundo, queriam TETRIS! Mas ainda não sabiam...
Tinham ouvido falar de um instumento poderoso e misterioso, batizado então como TETRVS, proveniente de tecnologia extraterrena de um povo esquisito de terras longínquas. Então foram atrás do tal ONVNI - Objeto Não Voador e Não Identificado.
Ainda hoje o segredo do sucesso de Tetris não foi divulgado. Ele existe em todo mundo e ninguém fica imune.

Ganhei um há dois dias.

Cante você também!

Acordei atrasada. Quando saí de casa não estava chovendo. Quando saí do metrô estava.
Sabe aquele dia que você coloca uma calça com a barra um tanto comprida demais? Então! Eu tinha dobrado a minha direitinho... Mas a chuva fez com que eu a pisoteasse. Desci do ônibus (segunda etapa do trajeto). Foi super divertido correr patinando na Avenida Ibirapuera, afundando a barra da minha calça nas poças, cantando "I'm singing in the rain". Como sempre, sim, eu estava com agenda e o livro da vez na mão (Cem anos de solidão). Sim. É claro que eles estão encharcados agora, bem como meu cabelo, meu pé, eu e minha roupa inteira.
Com a corrida e, ainda por cima, cantando enquanto corria, tive ataque de asma.
Começar o dia esbaforida, encharcada, descabelada e sem roupa seca para trocar é uma delícia. Recomendo.

10 de dezembro de 2007

Verdade absoluta número Zero

Café Girondino, vista para a Igreja São Bento, centro velho de São Paulo. Havia um Milk Shake e não um relógio.
Não acredito em verdades absolutas, mas descobri uma hoje.
Will (Shakespeare) estava certo quando disse "...Jamais seremos tão jovens..."
Verdade irrefutável.
É como os velhos contos de fadas. É claro que eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, ah, existem...

Pedi a conta e o garçon me trouxe. Aí lembrou que nunca pode entregar a conta para a menina da mesa e tomou da minha mão.
Adoro fazer isso para confundir! Eu peço a conta! Mas nunca alguém tinha sido assim tão radical comigo...
Legal a cara dele de "Ai meu Deus, me devolve isso!"...
hehe

"...Jamais seremos tão jovens..."

e-mail recebido

De aorcdo com uma peqsiusa

De uma uinrvesriddae ignlsea,

não ipomtra em qaul odrem as

Lteras de uma plravaa etãso,

A úncia csioa iprotmatne é que

A piremria e útmlia Lteras

etejasm
No lgaur crteo.

O rseto pdoe ser

Uma bçguana ttaol, que vcoê

Anida pdoe ler sem pobrlmea.

Itso é poqrue nós não lmeos

Cdaa Ltera isladoa,

mas a plravaa Cmoo um tdoo.

Show de bloa.

7 de dezembro de 2007

Elevador, Moema, cep. 04521-022



Elevador de um prédio comercial em Moema, São Paulo.
O cubículo cheio pára em um andar. A campainha dispara num zunido ensurdecedor. Super lotação. Alguém esclarece: "_ É que tá lotado."
Uma senhora, muito distinta, bem vestida, abraçando o livro "Ensaios de Amor" de Alain Botton anuncia: "_ Ah! Eu vou descer! Tenho medo. No Brasil...!"

Alguém pensou: "...No Brasil... O quê?"

A distinta senhora prosseguiu: "_ Aqui nesse país ninguém é responsável por nada! Tenho medo!"

Outra pessoa desceu e a campainha maldita cessou.
Um silencioso mal estar pairou entre os olhares de soslaio para a senhora.
Quer dizer que se fosse na Europa ela não teria medo porque lá alguém se responsabilizaria caso o elevador caísse no poço com ela dentro? Bem... Aqui talvez os familiares não recebessem indenização mesmo... Em queda de avião já é difícil! Imagina de elevador...

Alarde elitista + realidade nacional
Fórmula perigosa essa...

6 de dezembro de 2007

E então?

04/12/2007 - 20h38

Plenário do Senado absolve Renan e

senador escapa mais uma vez de

cassação

GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI da Folha Online, em Brasília

Com 48 votos contrários, o plenário do Senado rejeitou hoje o relatório que pedia a cassação do mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL) por quebra de decoro parlamentar. Renan foi acusado de usar laranjas para comprar um grupo de comunicação em Alagoas.

Reflexão profunda, n° 1.656.971.000


Amor e ódio são como faces da mesma moeda. É o mesmo princípio que rege a virtude e a desvirtude humanas. Todos nós somos mesquinhos, egoístas, apáticos, mal humorados, cruéis. E somos também generosos, altruístas, corajosos, bem humorados e bondosos. Alguns mais, outros menos. Mas um pouco de tudo sempre. O que chamamos de defeito no outro pode ser desperto em nós e levarnos a situações atípicas de nossa personalidade no instante seguinte da crítica. É só uma questão de oportunidade, de situação. Daí o valor da tolerância. Mas é claro que lapidar em nós o que há de melhor faz com que consigamos manter no lado negro da força os impulsos negativos ou impróprios para a vida em sociedade.

Procuro me lembrar disso todo dia de manhã. Não consigo, não consigo, não consigo me acostumar a acordar cedo. E pensamentos de raiva tomam conta da minha mente... Após dois anos e cinco meses nessa "indústria vital" sou capaz de matar uma pessoa. É como se eu chamasse por mim e dissesse "Promete que nunca vai embora?" e a outra de mim respondesse "Não vou, você que vai! Vai trabalhar enquanto eu fico aqui na cama!"

Poucas horas de sono é um problema social, caso de saúde pública.
Vai ver que é por isso que as pessoas andam se matando por aí...

4 de dezembro de 2007

Um carinho em massa


Não é legal quando você recebe o mesmo cartão que foi mandado para outras 300 mil pessoas e, para completar a sensação de importância, você nem conhece o remetente?! Eu adoro! Não sei o que seria de mim sem algumas facilidades do ciberespaço...!

Calma lá!

_ Fiz assim porque acreditava que assim era certo.
_ Mas não é.
_ Desculpe.
_ Você já devia saber.
_ Mas não sabia. Desculpe.
_ Desculpa não adianta agora.
_ Sinto muito.
_ Não acredito que você sinta.
_ Tá bom. Então não sinto.
_ Ah, é assim???
_ Olha, lamento. Vou ver como posso remediar essa situação.
_ Você não pode.
_ Deve haver uma maneira.
_ Não há.
_ Não há?
_ Não há.
_ Então vou embora.
_ Não vai não. Vai ficar aqui.
_ Não. Se não há uma maneira, vou embora.
_ Fica.
_ Não.
_ Você vai ver só!
_ Ameaça?
_ É.
_ Tá bom. Estou indo.

E o céu se transformou em fogo de fúria, o mar ferveu e a terra se abriu. Os ventos de tempestade sopraram de maneira nunca vista antes, balançando o cabelo dos humanos e eriçando os pêlos dos animais. Os mortais seguraram a respiração no peito, como se fosse a última de suas vidas. O silêncio imperou sobre o planeta. Nenhum reino era mais forte. Mas os Deuses sorriram.
Aí veio o dia seguinte e ficou tudo bem de novo.

_ Não vai. Não estou preparado.
_ Mas eu estou.
_ Não vai.
_ Eu vou.

E fui.

2 de dezembro de 2007

Parcerias da vida

(foto tirada na estante de casa, num flagra de uma relação passional entre minha ex-tartaruga e minha atual pata de enfeite, quando a tartaruga entrou furtivamente e foi surpreendida abraçando o outro elemento)


A experiência da existência não se explica. Na última aula de ética eu escutei isso, mas não me lembro agora de que gênio veio. Mas o raciocínio era mais ou menos o seguinte: o verdadeiro aprendizado é impossível de ser colocado em palavras. Porque aprender significa experimentar e a experiência não é traduzível em palavras. Você pode dizer que uma maçã está em cima da mesa, mas traduzir o gosto de maçã verde depende do seu repertório linguístico e do reperto do interlocutor. Comparar o gosto da maçã pode ou não ser agradável para o outro e a narrativa vai ser contaminada pelo SEU gosto por maçã verde.
Eu posso dizer que a energia de alguém é como veludo, a sensação da textura... É como cheiro de grama molhada que enche a alma do mesmo frescor... É como dizer que a idéia da morte é um incômodo semelhante a uma mancha preta num papel branco e dizer para alguém que a mancha pode se transformar no desenho mais bonito que ela pode imaginar...
...A experiência da existência é isso. Viver e fazer o desenho mais bonito que se consegue. Daí a necessidade de se estar sempre aprendendo. Para poder ver mais e mais possibilidades de transformar uma manchinha em um fato que não desmerece a brancura do papel e poder enxergar mais e mais possibilidades de fazer um mundo inteiro novo na folha, de dobrar e fazer o Tsuru voar através da sua própria vida na memória dos que vierem para continuar a tecer a colcha de uma história que também é sua pra sempre, até quando não estiver mais aqui...

Exemplo disso é a minha ex-tartaruga. Ou melhor, ex-minha tartaruga, que não deixou de ser tartaruga, apenas deixou de ser minha. Ainda ouço a pata chorar de saudade...

1 de dezembro de 2007

Nem tanto...


Sabe a sensação de estar em um lugar onde você não quer estar, de fazer uma coisa que você não quer fazer? Então...!
Pedi demissão.

30 de novembro de 2007

Clareira no tempo


Descobri que não sei me despedir, a menos que quem vá seja eu e por livre e espontânea vontade. Do mais não sei.
Não sei nem me despedir das pessoas pelas quais nutro alguma simpatia gratuita e que mal sabem da minha existência , das que sabem mas não ligam, das que sabem e até ligam... Muito menos sei deixar partir aqueles que sabem, ligam, se importam, compartilham o cotidiano.

Não sei terminar principalmente com professores especiais e com amigos com quem tenho afinidades de alma...
...Não sei... nem sei se quero aprender...

29 de novembro de 2007

A moral da história segundo a menininha - Cap. CXVXIIIV



...Os dois voltam a olhar a TV em silêncio. A menina comenta com animação:

_ O que essa mulher quer dizer com “emagreça agora”? É mágica? - E grita: _ Mamãe, corre aqui! Tá passando aquela mágica que você quer aprender! Mamãe!
_ Pare de gritar! Não é nada disso! – diz o pai.
_ O que é então?
_ É um tratamento que consiste em soluções diuréticas, sessões de drenagem linfática e sucessivas cirurgias plásticas pós-tratamento. É muito caro!


A menina toma fôlego com os olhos arregalados:

_ Meu Deus! Então é grave! Mamãe, não vem agora, não, que o mágico é mentiroso e malvado! Ele arranca os olhos das pessoas e...
_ Que é isso, menina?! De onde você tirou esse absurdo? Que coisa mais horrível de se dizer...!
_ Mas outro dia a mamãe falou que queria uma “geladora” nova e o senhor disse que não, porque “geladoras” eram caras e você não queria dar os olhos da sua cara... Eu pensei que...
_ Então não pense! Deixa prá lá, filhinha. Esqueça!
_ Tá bom...

28 de novembro de 2007

Morumbi


photo by David


Galinha!!!
Galinha sem história,
Galinha sem estádio,
Freguês do Tricolooooooooooooor!!!!



Não... eu nem gosto de jogo... Sério!
(Galinha!!!)
Mas é que quando você tá com pessoas que gostam de jogo e você gosta delas, daí tudo fica mais legal...
(Galinha sem história,)
E, olhando de pertinho, o Morumba fica bonitão assim... cheio...
(Galinha sem estádio,)
E a animação é mesmo contagiante...
(Freguês do Tricolooooooooooooor!!!!)


Da próxima vez vou tentar xingar o juíz, pra ver como é a sensação... Dessa vez não tive coragem... Tadinho... O pobre também não pode acertar sempre, né?! Parece que naquele dia ninguém se lembrou disso...

27 de novembro de 2007

...um pokito de gripe? Pópegá!


Devemos respeitar a natureza, o ciclo, o meio ambiente, os animais. Mas, pra mim, influenza não faz parte da natureza, não é animal, é praga. Esse vírus fortemente virulento é uma espécie de criatura infeliz que se aloja em você e faz festa às suas custas, a despeito das 300 mil coisas que você tem pra fazer todos os dias e que a dor em tudo não deixa.

...No princípio tudo era escuridão, então Deus disse: "Faça-se a luz!", e a luz se fez. Então o diabo ficou com inveja da criação e arrumou um jeito de estragar tudo. Além de ratos e Chihuahuas para enfeiar o mundo, criou o vírus da gripe...
...Fui vitimada por essa artimanha demoníaca na semana passada e ainda não encontrei a luz novamente...

26 de novembro de 2007

Eczema-Vitória

Sim. Passamos noites em claro. Para quem se atreveu a dormir, pesadelos. Brigamos. Choramos. Fomos até Santana, Vila Mariana, Suzano, Interlagos, Ibirapuera. Forjamos no pessimismo o otimismo. Subimos mesmo motanhas que pareciam intransponíveis. Achamos que estava tudo perdido quando descobrimos a amizade, a cordialidade, a gentileza, depois de sermos supostamente ofendidos por quem não conheceu nada de nossa história, nada de nossa trajetória.
Chegamos. Mais pesado que um TCC, mais sofrido que final de copa.
Mais angustiante do que as promessas do inferno... Mais prazeroso do que pecado mortal. É a sensação do dever cumprido, da vitória esculpida nas gotas de nosso suor e lágrimas.
A Revista Eczema saiu. Mas só para os íntimos...

22 de novembro de 2007

Briga de galo

_ Suco de quê?
_ Mamão.
_ Sai um suco de melão!
_ Mas esse suco é de melão!
_ É!
_ Mas não foi isso que eu pedi!
_ Tá pensando que vai pagar melão e tomar mamão? As coisas não funcionam assim.
_ Mas eu pedi outra coisa!
_ Mas fusca não é mercedes.
_ Mas você não disse nada.
_ Preciso dizer tudo, também?
_ Mas esse suco é de melão!
_ Você não entende nada de suco!
_ Nem quero! Esse é o SEU serviço!
_ Você sabe com quem tá falando?
_ Não faz diferença. Eu não quero fazer serviço de peão!
_ Olha aqui, eu faço suco pro Washington Olivetto, tá?!
_ Tá. Não foi isso que eu pedi.
_ Vai prá #$%&**¨&¨**()##!!!!
_ Vai você prá #$¨&*#*()¨%$¨!!!!


Juro que isso aconteceu!
Não com suco!
Com uma revista experimental de uma "amiga minha".
A comunicação não é uma coisa linda????
(Vamos lá, rapazes. Agora eu quero ver um abraço...)















Galo de briga
Gabriel Archanjo/ Piauí

21 de novembro de 2007

Socorro!


Sabe aqueles dias em que tudo dá errado, tudo é corrido, nada sai direito, todo mundo diz não, a vida complica cada passo e parece que o mundo acabará em barrancos e você soterrado debaixo dos problemas ouvindo vozes gritando seu nome desesperadamente: "Socorro! A culpa é sua! Você vai queimar no mármore do inferno!"

O quê?
Isso nunca aconteceu com você?
(pf...! idiota!)

19 de novembro de 2007

Nem queria mesmo...

PHOTO: http://www.ambienteemfoco.com.br/?p=842


Segunda-feira chuvosa, véspera de feriado, final de ano.
Tem dia melhor pra trabalhar????

Divertido que até dói na alma...

Dia de chover inteiro... Nada melhor pra jogar futebol, tomar sorvete, banho de mangueira e regar o jardim...

Até pensei em chocolate quente e um encontro com a pilha de livros que a pesquisa aguarda que eu termine...
...Mas não! Achei sem graça!

Estudar Teorias da Comunicação pra trabalhar num lugar que não exige nada além do que a "Caras" semanal é BEM MAIS LEGAL! Eu prefiro!
Mentira!
Se ainda fosse pra ser repórter, nem me importaria em sair de casa de bote e colete salva-vidas...
Mas hoje o dia se aarrrrraaaassssssttttaaaa....

...questão de escolha...

Tudo é uma questão de escolha...
As pessoas têm livre arbítrio pra isso.
Eu, por exemplo, gosto de MPB. Prefiro Djavan à Matanza. E tem gente que gosta de mim mesmo assim...
Ninguém é perfeito.

No final de semana, por exemplo, escolhi salvar uma alma perdida que precisava de ajuda para fazer um trabalho de fotojornalismo.

De nada, Déia!
Até que foi divertido me fantasiar...

16 de novembro de 2007

Eita!


(a doçura de imagem foi recolhida do perfil http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=16716556443675283261)


Algumas vezes é preciso dizer não...

14 de novembro de 2007

E Kiko????

Britney Spears quer fazer cirurgia

plástica... no abdômen e no nariz

e aumentar os seios com uma

prótese.




Então...É. Jornalismo de Celebridades. Eu, como você, também sinto raiva de saber que existe público pra isso... Mas vamos compensar:

O senador Renan Calheiros volta

ao noticiário, depois de quase um

mês na sombra.

O Conselho de Ética do Senado

julga hoje um pacote de três

processos contra ele, e os

observadores apostam que pelo

menos uma das acusações será

aceita.


http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/oinoradio.asp?id={9E0EE668-83CB-4AF6-9649-ED104E9FC88C}

13 de novembro de 2007

Cacos de fatos, fatos em cacos

http://bprmadeira12.blogspot.com/
Se eu disser "eu vi ela", gero um cacófato, porque existe a palavra "viela". Logo, o correto é "eu a vi". Mas se digo o mesmo no masculino, "eu o vi", gero outro cacófato, "eu ouvi".

E agora???
Percebem como é difícil essa vida?!

Por falar em fila...


Ainda pensando sobre as filas, e aproveitando que hoje é terça-feira e não há censura de assuntos sérios como a sexta obriga, reflitamos sobre essa forma de organização odiosa...
A princípio as pessoas parecem permanecer em fila porque não encontram um meio de burlar a convenção. Mas há pessoas que, ainda que encontrassem uma maneira, ficariam em fila, porque acreditam nessa forma de organização do aproveitamento de recursos limitados diante da demanda. Muita gente, pouco serviço ou produto, resulta em fila.
Mas ultimamente existe fila pra tudo! Onde você vai tem fila! O próprio trânsito é uma variação camuflada de fila. Existe até fila para pegar a fila! As filas nas catracas do metrô, por exemplo: você entra na fila para comprar o bilhete. Aí entra na fila para passar a catraca e depois mais fila para entrar no vagão. E para sair dele!
Odeio filas! E, o que é pior (!):
Eu não tenho uma idéia melhor!

12 de novembro de 2007

FUVEST/ 2008


A Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST) divulgou nesta segunda-feira (12) que as vagas de 2008 para jornalismo foram as mais concorridas este ano entre os cursos oferecidos pela Universidade de São Paulo (USP), com 41,63 candidatos por vaga.

Não sei se é pelo deslumbre, pela carreira, se é um chamado interior em massa, se é um recrutamento das forças superiores ou se esta é uma cidade com mais pessoas do que oportunidades...
...O fato é que, para insistir na profissão depois de saber dessa e de outras "boas novas" é preciso, além de talento, MUITA vontade de ser jornalista.

Vontade não falta...
Tô na fila, tá?!

10 de novembro de 2007

Pois é!

Estava pensando esses dias sobre a política estrutural de aproveitamento do espaço urbano em prol da sociedade.
Antigamente eu costuma ser grata por viver em sociedade. Sabe, aquele pensando bonito de que cada vez que você acende a luz, está, na verdade, evocando o trabalho de uma equipe incontável e super competente? Pois é! Desde as pessoas que trabalham na geração da energia, até quem fez a lâmpada, quem instalou a fiação, quem desenhou e produziu o botãozinho chamado de interruptor... Todo mundo... Só faltava dizer “Muito obrigada, pessoal!” cada vez que usava um cotonete.
Mas acordei para a vida ao observar o caos na minha própria rua. Moro numa rua estreita, basicamente residencial, o que quer dizer que muitos carros ficam estacionados. Além disso, é mão dupla e, como se não bastasse, ainda é trajeto de linha de ônibus!
Fiquei observando com muito entusiasmo o resultado disso: um ônibus e um caminhão entalados. Um e outro aceleravam sem sair do lugar. E eu pensando “Bate! Estão quase parados, ninguém vai se machucar, mas assim, quem sabe, o motorista reclame e alguém tome a providência de mudar o trajeto da linha!”. Mas não. Vai daqui, vai dali e os dois desentalaram. Então pensei: “Que adianta toda uma equipe se quem determina o trajeto faz isso usando o mapa do Google?” Sim, porque não acredito que ele se deu ao trabalho de ir conhecer de perto o trajeto. Prefiro não pensar que seja uma questão de falta de perspicácia. E não bateram. Pena. Ia ser legal!

9 de novembro de 2007

Sexta, pra quê te quero?

Sexta-feira. Ah...
O primeiro dia do final de semana.
Como diria o Gênio de Aladin: "Eu vou viajar, eu vou conhecer o mundo, eu vou...!!!!"

(ronco)

Platão ajuda a entender, na alegoria "O Mito das Cavernas", as parcas sombras ilusórias que acreditamos ser a realidade. Acreditamos que o Ibirapuera no domingo é diversão (seria, se toda a cidade não pensasse exatamente a mesma coisa no mesmo domingo), acreditamos que fast food é legal (tanto que faz seu fígado virar patê), acreditamos que TV é bacana pra caramba (e é, excetuando-se novelas, programas de auditório, jornalismo manipulador e programas infantis que tratam as crianças como se fossem seres oligofrênicos), vamos para a balada ouvir música em decibéis formidáveis (fosse uma britadeira, todo mundo reclamava).
...E, ao olhar a luz, finalmente... somos afuscados.

Mas é sexta! Até segunda-feira não tem porquê pensar nisso...
...E não vou insistir. Vou respeitar o ritual. Mas pensem: se Platão escreveu em "A República" que Sócrates sugeriu a alegoria a seus ouvintes, e se Sócrates não deixou nada escrito que confirmasse isso ou qualquer outra afirmação sobre ele que Platão tenha feito, então, posso considerar os créditos em nome de Platão ou em nome de Sócrates? Isso é muito importante! Sim, porque, se fosse um filme, como eu ia fazer o casting???

...Tá. Hoje é sexta.

8 de novembro de 2007

Sem ninguém?

Não fique sozinho.

Namore agora.









(Site de notícias sobre a insalubridade de se estar só, sutilmente sugerindo uma possibilidade de resolução do problema. Perceba que a mensagem é meramente subliminar.)

...aqui...

...O sol tava tão lindo...

Fui obrigada

...O sol...

a me enterrar

...lindo...

viva

...o céu...

num lugar que nem janela tem

...azul...

onde o telefone não pára

...e o vento...

de falar de nada importante

...soprava...

....e eu aqui.

4 de novembro de 2007

Ainda bem que existem quadrinhos!

(criation by Alan Moore e David Lloyd)
(photo by Camila Caringe)

Não é reconfortante saber que existe gente no mundo que consegue jogar verdades na sua cara e te culpar por todos os males da humanidade com a simples invenção de um personagem que sorri sempre?
É ótimo, porque daí você entende sua parcela de responsabilidade sobre o caos no planeta sem querer se matar!

1 de novembro de 2007

Despedidas...

Uma hora não tem jeito.
Uma hora a hora chega. E aí, não vale gritar, espernear, chorar, pedir para o tempo parar.
Às vezes viver parece sonhar...
Até o exato momento em que um choque te faz acordar: o tempo passou.
Passou.
Tá doendo. Despedidas são sempre difíceis.
Eu sei que vai passar.
Mas ainda não passou.

(...Esses últimos 2 anos foram uma honra...)

“Bem vindos à melhor profissão do mundo!”

Efeito imediato

Moça no ponto de ônibus:

_ Motorista, esse ônibus passa no shopping?
(motorista balbucia algo ininteligível)
_ O quê? (a garota insiste)
_ Passa onde você quiser! (dessa vez aparentando uma empolgação fora do normal)

Não me perguntem como eu sei, mas sei que a garota pensou em dizer: “Legal! Quero ir pra Piraporinha do bom Jesus! E vou economizar mó grana, já que você vai me levar direto, né?! Mais legal ainda é que o pessoal todo também vai dar uma volta, fazer um passeio turístico de grátis!” – mas sei que ela não respondeu, só entrou no ônibus e pronto.

Não sei a que se deve isso. Acho que foi a máscara para cílios que a Gi me indicou.
Valeu pela dica, Gi! Sempre que eu precisar vou usar essa máscara efeito “olhar encantado”!



(drawing and photo by Camila Caringe)

31 de outubro de 2007

Uma opção razoável...

Levando-se em consideração as possibilidades humanas de percepção e produção sensíveis de natureza sonora que uma pessoa pode promover levando todas as outras ao redor a um estado que se situa fora do universo de expressões cognoscíveis, penso que alguns seres são ET's disfarçados.






Você já quis fugir com o circo?
Eu já.
Quis fugir.
Não com o circo.
Quis fugir com o Kenny G e sua super banda ontem a noite...

30 de outubro de 2007

Adoro acordar cedo!

Sabe aqueles dias em que você acorda (ainda bem que acorda, aliás! sou muito jovem para dormir pra sempre!), olha para o relógio, vira pro lado, finge que não viu que já era hora de acordar e dorme de novo?
Aí acorda esbaforido e corre para recuperar o tempo perdido...
Nessas horas até dá pra ouvir a voz do vizinho cantando: "Tô cansado! tchá tchá tchá! Tô cansado! Tchá tchá tchá!"
... É engraçado... As vezes até parece que a voz fica em algum lugar dentro da minha cabeça...

(Freud diria que é meu inconsciente manifestando simbólicamente meus desejos reprimidos através de um personagem criado pela minha mente. Sartre diria que é normal do ser humano procurar a quem culpar e que eu não deveria me preocupar em usar um suposto vizinho como subterfúgio para a cantoria.)

Eu digo: _ Moro em apartamento, tá?! Tenho muitos vizinhos! Não tô com sono! Adoro dormir tarde e acordar cedo! Sou uma jovem super pra frentex! Tô ótima!
...
..
.
(ronco)

29 de outubro de 2007

Num ônibus na Avenida Ibirapuera:


_ Moça, você vai descer no próximo?
_ Não, vou descer no outro ponto. Vou descer no ponto desse lado, onde vai abrir essa porta aqui. Você também?
_ Ahãm.


Cinco segundos depois a pessoa passa empurrando Deus e todo mundo (inclusive eu!), dizendo:
_ Dá licença, dá licença! Vou descer!

Os professores de Jornalismo aplicado sempre nos instruem: “Procurem evitar sentenças longas. Isso confunde e dispersa.”
Mas a gente tenta acreditar que não é bem assim...
Numa dessas descobrimos que SIM ou NÃO é alternativa demais...

(photo by Camila Caringe)

28 de outubro de 2007

Por uma entrevista


(drawing and photo by Camila Caringe)


Comprei um anel hoje. É bonito, mas a pedrinha tem o formato de Sol. Isso significa que os raios enroscam em tudo: cabelo, roupa, zíper, tudo. Um inferno.
E fui para Interlagos.
Interlagos é perto. Do autódromo. Eu não moro perto do autódromo.
Semana passada fui para Suzano. Foi fácil. Saí da minha casa e peguei o metrô até o Brás. No Brás, trem até Guaianazes. Depois, outro trem sentido Estudantes até Suzano. Neste ponto uma curiosidade: taxi-lotação. Mais uma solução da criatividade popular para o problema do transporte público. Um carro caindo aos pedaços cheio de gente desconhecida. Apenas R$ 2.00 e você chega mais rápido e menos desconfortável, apesar de tudo. Ótimo. Mais meia hora no tal taxi-lotação. Calma que ainda não cheguei. Ainda tinha uma rua íngrime para subir. Eu disse íngrime? Serei mais específica: formava um ângulo de 45º em relação ao nível do mar. Cheguei lá em cima com crise de asma.
Valeu a pena. Sempre vale.
Dessa vez foi Interlagos. No final minha entrevistada me deixou no ponto de ônibus. E voltou para me buscar 1 hora e 10 minutos depois. Ficou com dó quando ligou e descobriu que eu ainda estava no mesmo lugar. Domingo a frota diminui consideravelmente e lá não tinha taxi-lotação.
Uma aventura. Mas foi sem graça... Nem tô cansada!
...
...
...
(ronco)

27 de outubro de 2007

Bolão!

photo by Camila Caringe

Sobre a sensação de vazio, incerteza e tentação curiosa gerada pela descoberta da existência do que ainda não se descobriu, digo que já descobri. Digo da sensação e, consequentemente, da descoberta rasa. Falo aqui de quão pequeno você sente de repente. É como se crescer obrigasse a ser menor. Mais uma artimanha da vida...
É aquela falta de chão, o arregalar de olhos e um sonoro “TÃ!” que soa nos ouvidos. É como quando você tenta executar uma operação torta no Windows. É o mesmo “TÃ!”, só que é só seu, é só você quem ouve e significa o mesmo que um “Xeque-mate!” berrado pelo inimigo do outro lado da mesa. Você é você e o inimigo também.
Aí a pessoa – que não sou eu, claro! – se enrosca em desmedidas entre a paralisia boquiaberta e a atitude meio cigana doida, como quem não tem mais nada a perder. Só que tem, embora se esqueça de vez em quando...
A partir disso é como rolar escada a baixo no acesso ao metrô Barra-Funda às 18h00. A única diferença é que você não precisa ficar roxa. Mas a torcida da galera se repete: “_ Já morreu?”
Não, ainda não galera.
Não morri, mas tô quase.
Se depender do colapso que Bordenave me provoca quando fala da “sofisticação tecnológica inovadora” dos videocassetes* não tardarei a entrar em parafuso.
Se depender de publicações periódicas tão gentilmente cedidas por mestres para toda a vida, tô salva.

Quem vai entrar no bolão?


*Juan E. D. Bordenave é MUITO BOM. Mas a obra a qual faço referência é de 1991. A culpa é minha, ok?

26 de novembro de 2006

"Que fechem novamente as cortinas!"

"A miséria é a riqueza, a miséria é a própria política."
"A crise nos inclui na política. Aliás, crise no Brasil é quando a política fica visível para a população."
(Arnaldo Jabor em seu livro: Pornô Política)


(photo by Camila Caringe)

...Porque o show business é assim: aquele desfile de candidatos que emergem do Carnaval da Bahia, dos escândalos de corrupção, dos programas de fofocas e das colunas policiais, quando não do "não-se-sabe-de-onde", que parece ser o lugar preferido. Talvez a nascente da utopia barata. Beeem baratinha...
E a coisa toda é bonita. Argumentos, pedidos, apelos e súplicas por seu voto. Alguns , com seus dentes branquinhos sorriem desejosos da simpatia pública. Há quem apele para sua opção sexual, para sua etnia, cor, passado, pobreza, riqueza, enfim! E há, também (claro!) os mais persuasivos, como a gatinha semi-nua que posa em seu flyer pró-candidatura (a tal de Camila Kiss, cujo slogan era: Vote gostoso, vote com prazer)...
É bonito de se ver! Tão bonito quanto os contos de fadas que são costumeiramente contados às crianças antes que adormeçam, e - pasmem - surte o mesmo efeito! Inclusive quanto aos pesadelos.
Aí o espetáculo acaba e faz-se o balanço. Entre lucros e perdas, mortos e feridos, regressam os tão populares anti-heróis, consagrados por seus erros e pela desesperança maciça, massiva e convicta.
Que sejam bem-vindos os bons e velhos monstros mutantes assassinos que inspiram os quadrinhos de Calvim e Mafalda.
Tão lindinhos, disfarçados com o ultra-revolucionário-pós-moderno "botoxyoungforever"...
Mas, eu não seria eu se não desse nomes aos bois, bem no formato "parábolas bíblicas para crianças", como "os monstros" fazem comigo - o povo: Era uma vez um jovem comunista lutando na Guerra do Araguaia. O jovem chamava-se José Genoino, na época já conhecido como Zé 3 tapas, por sua agressividade peremptória junto ao inimigo. Porém, como todo bando abriga um Judas, "alguém" denunciou as atividades políticas do grupo. Todos os membros sofreram represálias. Quem não teve a sorte de morrer logo, foi preso e torturado. Todos, exceto um: Genoino. Mas minha ética não permite que eu vá além no conto de horror e diga ao leitor quem foi o traidor. Falo apenas dos traídos. Perdoe-me a fraqueza... É que tiraríam esse blog do ar se eu ousasse.
As eleições - também conhecidas como "Festa da democracia" - acabaram.
Sorte a você, amigo!
"Alguéns" votou sem saber em quem. Agora?
_Que fechem novamente as cortinas. Sorte a nós...!

Camila Caringe.
25/11/06

19 de novembro de 2006

Habitat Industrial tem seus dias contados.

( photo by Camila Caringe)

Economia não tem nada a ver com meio ambiente, mas disso todo mundo já sabe. Economia é a tão somente a ciência que trata dos fenômenos relativos à produção, distribuição e consumo de bens. Isso não tem nada a ver com árvores, florestas e esquilos fofinhos de desenho animado correndo com nozes nas mãos...
Tal maravilhosa ciência apenas prevê fluxo, nunca estoque. O estoque não importa. E não tem nada a ver se, para construir um único carro sejam utilizados 22 mil litros de água potável. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa... (meu sofisma preferido!)
O inglês Nicholas Stern, chefe do serviço econômico do seu país, ex-economista-chefe do Banco Mundial e formado em Cambridge e Oxford, realizou minucioso cálculo sobre o impacto financeiro da degradação ambiental. Segundo ele, nenhum gasto muito superior à marca de 7 trilhões de dólares. “Se deixarmos as coisas tal como estão hoje, o planeta vai perder entre 5% e 20% do PIB mundial. As perdas econômicas para os países pobres serão bem maiores do que as verificadas nos países desenvolvidos por várias razões: geografia – superaquecimento de países mais próximos à linha do Equador –, limitação das atividades econômicas – já que dependem mais de produção agrícola -, dispõem de menos dinheiro para investir em formas de se proteger contra os efeitos do aquecimento global.”
A você, caro amigo que adora escovar os dentes admirando a água corrente da torneira, saiba que a cada 8 segundos desaparece um campo de futebol na Amazônia. E esta corresponde a 70% da pluviometria do país. Ou seja: desaparece nossa amiga, desaparecemos nós.
Nas últimas décadas o processo de extinção foi maior do que os últimos 65 milhões de anos, efeitos causados pelas “divinas” mãos humanas.
Pensemos: a natureza é um sistema circular, é regenerativa, finita. A idéia do “jogar fora” é pequena, ilusória e confortável. Mas nada se joga fora do mundo. Vai para algum lugar. No entanto a economia capitalista não prevê. Esta é linear, degenerativa e infinita. Produz-se numa linha crescente, joga-se fora o que não serve mais e produz-se novamente. Logo, o Katrina (tempestade tropical que alcançou a categoria 5 da Escala de Furacões de Saffir-Simpson, atingindo a costa dos EUA em 2005), do ponto de vista social foi uma tragédia, mas do ponto de vista econômico foi uma grande oportunidade (reconstrução, geração de empregos, fluxo de caixa), ainda que tenha provocado nada menos de 1833 mortes.
Pensar em alternativas é simples, mas não é fácil: reciclagem, desenvolvimento sustentável, conscientização, prioridades, políticas governamentais de braços dados com população interessada em fazer diferente.
Em vinte anos começaremos a sentir de maneira drástica as conseqüências do que fizemos até agora com o planeta azul. A sorte foi lançada. Estarão nossos destinos em dados viciados?
...

Camila Caringe

(Entrevista de Nicholas Stern na íntegra pode ser encontrada na revista Veja de 08/11/06)

16 de setembro de 2006

.Meu amigo povo.

(photo by Camila Caringe)
Meu amigo povo é quem sabe das coisas. Mas, obviamente, estou me referindo ao povo que realmente sabe das coisas. Porque há, em suma, dois tipos de povo: o povo que sabe e o povo que não sabe.
Inebriado pelo gás intoxicante da indústria cultural - cujo maior sonho é tão somente que todos desejem a mesma coisa ao mesmo tempo em todo o mundo - o povo segue culturando-se com os dois minutos dedicados para cada notícia durante meia hora de jornal. E meu amigo povo, o que sabe das coisas, me contou certa vez que Fidel Castro teve qualquer coisa a ver com a morte de Ernesto Guevara na Bolívia. Mas isso, o “povo povo”, não sabe. Só o povo. Algumas informações são como chover no molhado. Seria a mesma coisa que dizer que o coitado do Maluf rouba mas faz e foi injustiçado. É que tem povo nem sabe o que significa o termo “super faturado”. É o seguinte: imagine que você tenha uma estrada, vamos supor, de cinco metros de largura. Imagine então que, ao invés de você construí-la com cinco metros de largura, como consta no orçamento, você construirá com quatro metros e noventa centímetros. Ninguém vai medir a estrada. Mas aquele material que iria compor mais dez centímetros de estrada será economizado em dinheiro. Imagine esse dinheiro poupado em quinhentos quilômetros de estrada. Agora, faz o favor de imaginar para onde vai o dinheiro economizado não-declarado... Isso, mesmo! Foi isso o que Quércia fez nas estradas que cruzam o interior de São Paulo! Quer dizer... eu não tava lá pra ver... Isso foi meu amigo povo quem disse. E disse também, à boca pequena pro povo não escutar, que aquele dedinho que falta foi cortado de propósito pelo próprio dono só para se aposentar por invalidez. O argumento é simples: um metalúrgico utiliza apenas os dedos indicador, médio e polegar de cada mão. Como diacho teria sido esse acidente? Mas é o povo que fala... Não tenho nada a ver com isso... Ainda sobre o metalúrgico, sabe-se que o Impitchman chegou a ser seriamente cogitado. O que o povo não sabe é que o único partido (o de oposição) com força para realizar o feito não se manifestou por um motivo muito simples: havia dos seus envolvidos no esquema de corrupção. Se o dossiê fosse publicado de um lado, do outro lado também seria.Tendo o dito cujo cedido 9 milhões à poderosa TV Planeta, Mundo... ou alguma coisa assim..., seu segundo mandato foi garantido por João Roberto Marinho, que o povo todo sabe muito bem quem é. Já ouvi povo dizer que FHC foi o pior presidente que o país já teve. Injustiça? Bem, não sei de nada além de ele ter formalizado a venda de fauna e flora brasileira para norte-americanos. Mas nem acho isso tão ruim assim... Afinal, essa história já rola desde a ditadura militar mesmo! Pelo menos foi feito um acordo legal, tudo direitinho, assinado, bonitinho... Ai. Eu nem deveria estar comentando isso aqui assim... Mas é que o povo fala... Estou aqui contradizendo todas as normas, escrita ou não, da ética jornalística e qualquer outra ética... Não tenho provas. Assim como o povo também não tem provas que PTistas não tiveram qualquer envolvimento na morte de Celso Daniel e outras sete “vítimas oculares”. Eu não posso provar. O povo também não. Então faz assim: fica aqui, só entre nós. De povo pra povo. Ah! Quase me esqueci de perguntar: em quem, meu amigo, você vota nas próximas eleições?

9 de setembro de 2006

Just photograph!



(photos by Camila Caringe.)


...Obrigada...

(photo by Camila Caringe.)

Augusto, 46 anos. Morador de rua há 9 meses, mas diz que é por pouco tempo. Sofreu uma ação de despejo. Natural de Salvador, Bahia. Católico, homossexual, assexuado há 10 anos, veio para São Paulo aos 25 anos em busca de uma vida assumida e sem preconceitos; em outras palavras, veio atrás do anonimato que só uma cidade grande pode proporcionar.

Eis algumas declarações:
“Homossexuais não têm modelos. Se uma mulher quiser melhorar seu cabelo pode simplesmente olhar o cabelo da Jaqueline Kennedy, era um cabelo maravilhoso. Mas homossexuais não são aceitos a esse ponto.”

“Li Maquiavel pela primeira vez quando tinha 20 anos. Mas, a cada vez que você lê há uma nova percepção da obra (O Príncipe). A frase ‘O homem é mau’ me marcou profundamente. Reflito sobre isso até hoje.”


Terminou o ginásio, gosta de ler a Folha Ilustrada e o Caderno 2. No momento se dedica mais à leitura concentrada, específica e na leitura de imagens. “Não leio mais só para entretenimento.” Gosta de observar a beleza dos seres, a natureza e é detalhista reparando até na pigmentação das penas de um pombo."


“Como qualquer coisa que apareça. Durmo em albergues da prefeitura.”

“Acredito na teoria da evolução de Darwin. É possível ver a seleção natural acontecendo o tempo todo.”

“Eu não rezo. Acredito muito em Deus. Existem sonhos premonitórios. O Catolicismo é uma boa religião.”

“Nenhum artista criou suas obras pensando no MASP. Lá um quadro morre.”
“A natureza compõe um peixe para a água. A arte é composta para o mundo.”
“No momento estou estudando a vida de um pintor brasileiro chamado João Batista da Costa. Estou esperando o sábado para ir à Pinacoteca. Deve ter alguma coisa sobre ele lá. É difícil achar material sobre ele sabe? Ele se tornou um grande pintor no final do século 19, início do século 20. Pinta com cores fortes, destaca o verde do nosso país. Pinta paisagens e animais... Sou apaixonado por animais!”

“Para se viver é preciso estética e óptica.”

“Já estão fazendo gente de plástico. O plástico estressa.” - Disse referindo-se às proteses de silicone.

Ao ser indagado sobre o que poderia ser feito para retribuir a atenção, simplesmente respondeu: "_Estude."
(A entrevista foi casual e não sofreu edição para veículo jornalístico formal)

31 de julho de 2006

Bônus

(foto by Camila Caringe)


Essa é uma postagem especial em agradecimento a todos que por aqui passaram e gostaram do que viram. Obrigada pelos comentários que foram deixados aqui ou que vieram por outros meios.
Essa foto foi tirada depois do texto, mas acredito que ilustre bem o contexto anterior. Já foi usada para comunidade no orkut e plano de fundo de computador...
Fica registrado aqui meu contentamento com o resultado das publicações. Em breve mais textos e mais fotos.
Um grande beijo a todos.

25 de junho de 2006

POSTAGEM QUEBRADA POR MOTIVOS PROFISSIONAIS

"Quem lê fica mais sexy. E quem escreve também. Aqui está minha mãozinha num momento de criação. Foto tirada por Fernando A. S. Filipe, 2004. Naquela época eu pensava que sabia alguma coisa. Agora tenho certeza: de que não sei de nada..."

14 de maio de 2006

O Ser Repórter

(Foto tirada por eu mesma numa visita à reserva indígena Tenondé Porã. Este é o CECI - Centro Educacional de Cultura Indígena - obra realizada durante o mandato da prefeita Marta do PT, com orçamento de quase 800 mil reais.)



Nem receptivos, nem hostis. Os índios Guaranis da tribo Tenondé Porá – que significa algo como “futuro brilhante” ou “futuro bonito” - não gostam de jornalistas.
Numa estrada distante do centro de Parelheiros, extremo Sul de São Paulo, existem duas reservas indígenas com território protegido pela FUNAI – Fundação Nacional do Índio.
Freqüentemente visitadas por moradores da região, curiosos, biólogos, integrantes de ONG’s, estudantes e até estrangeiros, as duas tribos juntas somam por volta de 1000 nativos.

[...]
A transmissão do conhecimento e da sabedoria milenar é passada oralmente pela própria comunidade às suas crianças, que representam o futuro e a garantia de preservação da tradição. Cerca de 80 famílias possuem televisão, mas todos têm consciência da importância de se manter os ritos em paralelo à tecnologia. Mesmo no século XXI, os índios sofrem muito com o preconceito.

As mulheres, nas poucas vezes que deixam a reserva, são mal-vistas e por vezes até ofendidas. Os índios não são respeitados como os legítimos brasileiros que são.
A constituição que garante direitos e limites aos índios está em formação. O regimento não é definitivo. Isto fragiliza ainda mais a defesa dos índios.
Ocorrências, como jornalistas que distorcem declarações e fatos, já são conhecidas. Políticos, suas promessas e suas atitudes pós-eleições também já foram observados.
Os puramente brasileiros aguardam esperançosamente as mudanças vindas em doses homeopáticas. Aguardam há pouco mais de 500 anos. E continuarão, bravamente, aguardando.


Camila Caringe.
Quem se interessar em ler a matéria na íntegra, favor solicitar por e-mail: carincci@gmail.com

2 de abril de 2006

Uma estrela não é necessariamente sozinha, mas todas as estrelas possuem entorno de si uma vastidão considerável de distância em relação umas das outras. E, ainda que existisse ônibus espacial especializado em transporte cósmico estelar intra-sistemas, ainda assim, não creio que as pobres viajassem tanto ou ousassem perder um minuto precioso no qual poderiam estar brilhando escandalosamente belas, só para não estarem sozinhas.Sim. Posso entender que um homem não seja uma ilha.
Mesmo porque, nem que este sujeito queira, poderia viver sozinho assim.
“Um homem é uma vida cercada de outras por todos os lados.” E isso é irreversível.
Mas, estar só, algumas vezes é irreversivelmente irresistível...
...E acho que toda a estrela sabe disso.

Camila Caringe.




(Camila Caringe, 09.2005)

Pele Azul

E é assim. Não tem mais jeito. O mundo não cresceu, mas a população sim. Estamos mais negros, mais louros, mais gays, mais ricos, mais pobres, mais exclusivistas.
E a humanidade aprendeu a fazer barulho, greve, passeata, protesto.
Alguém nasceu para o capitalismo enquanto outrem morria pelo comunismo.
Aprendemos a arte da divisão. Dividimos tudo. Criamos partidos de direita, esquerda e até de centro. Criamos times, escolas de samba. Resumimos o mundo: tudo o que não é bom, só pode ser mau. E essa nova filosofia foi camufladamente desenvolvida e aprofundada: tudo em que eu não acredito está errado e, se está errado, então é mau.
Nosso sistema imunológico passou a ser nossos conceitos pré-estabelecidos: isso eu não como, isso eu não quero, disso eu não gosto, isso é feio.
Conceito pré formado: pré-conceito. Preconceito!
Simples x complicado.
Serve x não serve.
Ideal x impróprio.
Perfeito x imperfeito.
Verdade x mentira.
Absoluto x relativo.
É claro. A gente já sabe de tudo. É só abrir o jornal que já se ganha o dia. Sabemos de tudo por mais um dia. Até que saia o jornal de amanhã estaremos a salvo.
Algumas pessoas rotulam. Outras se esforçam para que caibam nos rótulos que desejam. Algumas até mesmo se obrigam a caber em rótulos que jamais almejaram.

“Eu sou azul. Mas eu não queria ser visto como azul. Mas este ambiente é inapropriado porque eu sou azul e as pessoas vão me achar muito azul para fazer isso”.

E assim caminha a humanidade. Com passos de formiga e sem coragem. Sem coragem de dizer que tem vontade de fazer aquilo que sempre critica quando o outro faz. Sem coragem de cantar alto, de dançar sem saber como, de falar que não concorda, de aprender o que não sabe, de começar primeiro, de assumir que não acredita, de contar que tem medo.
Estaremos a salvo enquanto o vizinho não souber o que escondemos na garagem. E na garagem escondemos um diário indelével de percepções que fingimos não ter. Escondemos esqueletos no armário. E continuamos a dividir tudo. O dividido sente-se a parte rejeitada, mas continua a dividir-se por si próprio.
Dividir-se, apartar-se, limitar-se, restringir-se, colocar-se, dividir-se.
Por detrás da pele azul existe a consciência de que pouco importa, mas ainda a atitude de quem peca.


Camila Caringe.
03.2006