19 de janeiro de 2008
Moral da história segundo a menininha - Cap. CV
Silêncio. E a menina retorna:
_ Papai...! Quanto fogo! Olha papai! Por quê esses homens de roupinha vermelha estão entrando no meio do fogo? Não era melhor soprar?
_ Soprar? Ah hahahahahaha...! Claro que não!
_ Mas quando eu queimei meu dedinho, doeu! E a mamãe assoprou...
_ Ah hahahahaha....!
_ Eh, he... Do que você está rindo, papai?
_ Eles precisam entrar para pegar as pessoas que estão lá dentro, senão morrerão queimadas! São bombeiros! Policiais especializados em salvar pessoas...
_ Ah, é! E depois elas vão dar dinheiro para eles tomarem uma cervejinha...
_ Como assim?
_ O senhor que falou outro dia!
_ Não falei nada disso!
_ Falou sim! Quando a mamãe disse que o senhor não podia parar o carro na frente daquela plaquinha, você disse que se aparecesse um policial era só dar dinheiro para ele tomar uma cervejinha que ele te ajudava. E, no protesto, os policiais machucaram um homem, e agora esses policiais de roupa vermelha estão ajudando as pessoas... Então a diferença é que o homem machucado não podia pagar a cervejinha e essas pessoas podem... E...
_ Não! Não é nada disso!
_ Mas você disse! Você sempre disse que o dinheio resolve tudo... E... (a menina começa a chorar copiosamente)
_ Por que você está chorando?
_ É que se eu ficar doente ou quiser brincar com você, eu vou ter que pagar a sua cervejinha e eu não tenho dinheiro...
_ Não, meu amor! Eu sou seu pai e sempre farei tudo pelo seu bem! Mas então não chore. Não gosto desse biquinho...
_ (Snif!) Tá bom... pelo menos o biquinho é mais barato que a cervejinha...
17 de janeiro de 2008
Lugar oportuno
Amanhã."
(Frase encontrada no banheiro de uma universidade americana.)
...Mas o dia vai nascer e as consequências do hoje estarão nuas no novo dia que o Sol trará...
Boa sorte com seu amanhã.
16 de janeiro de 2008
Silogismos...
Quando estamos bêbados, dormimos.
Quando dormimos, não cometemos pecados.
Quando não cometemos pecados, vamos para o Céu.
Então, vamos beber para ir pro Céu!"
Primeira premissa correta.
Mas se admitirmos a possibilidade de não haver Céu prometido e considerarmos a fragilidade do que seja pecado - ação incorreta - uma vez que tudo é relativo e desde os sofistas entendemos que não existem verdades absolutas, mas fenômenos relativos ao sistema de referência (Einstein), então beber, embora não leve ninguém para o Céu, também não deve levar ao inferno... A menos que se considere previamente a existência do inferno como verdade religiosa aceitável e o pecado como caminho até ele... sendo assim...
Ah! Pode beber, vai...
15 de janeiro de 2008
Serviço VIP (Very Insignificant People)
_ Já foi feita uma solicitação de reparo e o técnico irá até o local.
_ Eu liguei a tarde e não tinha funcionário disponível nem previsão de disponibilidade. Então me falaram que a única opção era solicitar uma visita. Agora são 2h20 da manhã, acredito que não tenha fila para atendimento, correto?
_ Você deve aguardar a visita do técnico.
_ Mas é que o problema me parece simples, talvez uma questão de configuração de alguma coisa. Se eu puder falar com um técnico por telefone talvez não haja necessidade da visita.
_ Mas já foi solicitado.
_ Então des-solicita.
_ Estarei fazendo isso senhora. Queira aguardar.
(Não, eu não quero aguardar!!!!!!)
(tarãrãrãrã tátá tãtã)
_ Pronto. Já cancelei a visita.
_ Agora posso falar com o técnico?
_ Não. É necessário aguardar 24 horas para que o cancelamento da solicitação seja efetuado com sucesso e só então você poderá estar falando com o suporte por telefone.
_ E em quanto tempo o técnico viria até aqui?
_ 24 horas também.
_ Me diga uma coisa: se eu não tivesse solicitado a visita, conseguiria falar com o técnico agora?
_ Sim.
_ Então amanhã eu me esforçarei para ficar acordada até duas e meia da manhã de novo. Até lá! Obrigada, hein?!
A última frase quase não saia entre os risos. Minha irmã disse que fui cruel, mas cruel foi a criatura que me atendeu. Concluimos que a funcionária estava com sono. Se fosse caso de vida ou morte... cof cof... (morri)
14 de janeiro de 2008
Alien x Predador x Baba intergaláctica

O filme "Alien versus Predador" me lembrou dos tempos de criança, quando o escuro era motivo para ter medo. O negócio deu medo. Medo, inclusive, de ter medo. Aquela musiquinha de suspense anuncia o pior imprevisível. Medo.
O comportamento do Predador me lembrou um pouco o "so dear Mr. Bush". Sabe aquele jeitinho todo especial de agir, do tipo "atira primeiro e pergunta depois"? Então! Igual.
O Alien, tadinho... Em alguns momentos me deu pena... babava tanto aquela saliva grossa que mais parecia um nenê sem controle da própria baba. Um nojo, coitado...
Na verdade até pensei em sugerir aos bambans de Holywood que na próxima aventura o Alien lutasse com sua própria saliva. Ele podia escorregar nela, depois jogá-la na parede e pisar em cima... daí eles iam pra outro planeta lutando... E aí o Predador podia até ajudar o Alien a se livrar da baba com uma fraudinha... e eles seriam mais felizes como amigos!
Bem, assustou também o Alien na barriga da mulher grávida. Sabe, eu sou mulher, vou querer ter filho, poxa! Ter pesadelos com um alien na sua barriga não é fácil, sabe?! Não é assim que funciona...
Descobri então que ficção científica serve, basicamente, pra duas coisas:
1) compartilhar e empolgar os processos cognitivos relativos à imaginação futurística;
2) dar medo.
No meu caso só serviu para dar medo mesmo.
10 de janeiro de 2008
Algumas regras
Mechem, do verbo "mechinha" (de cabelo mesmo) = com CH
Poti, do verbo "potinho" = com T e I no final
Pode, do verbo "poder" = termina com D e E, com possibilidades de variações, por exemplo: "Teve pudim no ano novo." Neste caso, "pudim" é a forma em latim do verbo.
Gerundismo: é correto usar, mas não precisa forçar a barra.
Por exemplo: "Eu vou levar as pizzas." > sentença Ok.
"Eu vou estar indo e vou estar levando as pizzas." > desnecessário. Com a história do nosso novo imposto (uma salva de palmas ao recém chegado, por favor!) é desnecessário insinuar que tudo acaba em pizza. Forçou.
Por falar em imposto...
O IOF, que veio para ocupar o cargo da CPMF (demitida no início deste ano) teve seu nome meticulosamente elaborado. O Imposto sobre Operações Financeiras - IOF - quase foi um POF - Pancada Orientada para Ferrar, ou um TOF - Trabalhadores Obrigados a se Ferrar, ou um BOF - Bife Obviamente caindo Fora, ou ainda um COF - de tosse mesmo.
Como diria minha querida Hilda Hilst, se ainda estivesse viva... "É fofada..." A coisa tá feia (do verbo "feio" > tudo aquilo que causa náuseas).
9 de janeiro de 2008
Mamis e papis
Até aí, cada um com seus pimpolhos/problemas.
O que me irrita são os pais que não sabem ser pais (nem pretendem aprender!):
_ Aí a Juju disse: Manhê, fica comigo até eu dormir porque acho que vou morrer. Daí eu fiquei. É criança, sabe como é.
_ Mas ela tem que dormir na cama dela!
_ E olha que eu gastei R$ 5.000,00 no quartinho novo. É tudo rosa. Mas ela gosta de dormir comigo e com o pai. Sempre foi assim. E ainda é uma criancinha...
_ 10 anos?
_ Só 10 anos...
(pausa para reflexão)
_ Não vá consolar o menino. Depois que briga tem que deixar ele pensar no que aconteceu.
_ Ah, meu bebê!
E o "nenê" responde pra mami: _ Sai pra lá, sua burra!
_ Ah, meu nenê...
_ 8 anos?
_ Meu bebê...
(nova pausa)
_ Sua gorda! Baleia! Feia!
_ Olha, menina, eu não ia dizer nada, mas já que você abriu espaço para discussão, acho que você devia se olhar no espelho e ver direitinho quem é a baleia.
_ Mas pelo menos eu sou bonita! Sua magrela.
_ Isso é verdade. Você é bonita. Mas é baleia! E eu prefiro ser magrela.
_ Manhêê...!!!!
_ Ai, é uma criança... Você pegou pesado, meu... Não é assim também...
(suspiro)
Papis e mamis ausentes tendem a compensar a falta com excessos.
Psicólogos do mundo, uni-vos!
6 de janeiro de 2008
O Vento
A guitarra...
Estão ouvindo?
É incrível como alguns momentos da vida assumem autonomia.
É como se o arbítrio cessasse em nome do melhor implícito... E em nome do que tem de acontecer as coisas acontecem... Sozinhas...
(tãtã) Um século, um mês,
O tempo se agiganta para alguns acontecimentos – passa mais rápido, mais devagar, mais espaçado, mais estreito... Subitamente mais inteligente.
(tãrãm) Como pode alguém sonhar
E quando a gente olha, o pior já passou...
(tátá) Não sei mais,
(Uma amiga minha há um tempo atrás traduziu essa sensação como “sentir-se carregado por Deus”.)
(uh...) Se a gente já não sabe mais
Então a vida tráz o ritmo de volta ao poder de nossas mãos. E as imagens lembram retratos antigos, tão novos quanto a vida que ainda resta para viver.
(tchátchãm) Um século, três,
Há mesmo mais coisas entre o céu e a terra do que pode julgar nossa vã, pequena filosofia. E por maior que sejamos, por mais espertos, rápidos, bem sucedidos, lúcidos que sejamos... Mais lucidez aguarda espreitando-nos em forma de outrem na(s) próxima(s) esquina(s).
E como será?
Boa sorte a nós, que estamos vivos. Pois a morte ainda é sim a segunda certeza. A primeira é o aprendizado. Irrefutável.
O vento vai dizer
4 de janeiro de 2008
Cotidiano Notável
Recebi denúncias não-anônimas de que este blog teria se comportado de maneira inadequada durante o dia de ontem.
Réplica:
_ Prometo não mais confiar cegamente nos meus funcionários googles.
Fato:
Minha mãe fez torradas ontem à tarde.
Réplica:
_ As torradas são mais práticas (fáceis de morder e mastigar) quando são feitas mais fininhas. Além disso, manteiga é gordura hidrogenada e isso é uma porcaria que faz mal.
Tréplica:
_ Não fiz pra você, fiz pra mim.
Direito de resposta:
_ Ah, tá.
Fato:
Minha irmã (Thais) criou um tipo de Milk Shake caseiro que não ficou ruim.
Réplica:
_ "Tháta Shake" é um bom nome. Você tem potencial. Tenho um amigo que já trabalhou no Mc Donald's. Carreira promissora. Vou agitar o negócio pra você.
Fato:
Minha mãe gritou comigo porque mousse de chocolate não foi feito para matar a fome.
Réplica:
_ Esse é o tipo de coisa que você percebe sozinho quando se sente enjoado por tentar usufruir ao máximo do que sobrou da festa de fim de ano.
Tréplica:
_ Bem feito.
Fato:
Dormir não ajuda a descansar quando o cansaço é justamente por dormir demais.
Réplica:
_ Mas é bom.
Fato:
Amiga dando sermão moralista no telefone.
Réplica:
_ Tá bom, mas você serve pra isso, pra me avisar quando eu pisar na jaca sem perceber.
Tréplica:
_ Não faça de novo!
Direito de resposta:
_ Vou pensar no seu caso.
Bom pessoal, espero que tenham curtido e aprendido bastante com o super debate na nossa mesa redonda de hoje. E, para finalizar nosso evento com chave de ouro, o convidado especial, Hermann Hesse:
"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."
1 de janeiro de 2008
Feliz Ano Novo!!!
Que a entrada do novo ano seja uma saudável despedida das experiências passadas...Que 2008 venha repleto de desafios, sorrisos, boas novas...
Que nossas promessas saiam do campo das idéias e dos planos.
Que nossos desejos sejam menos egoístas.
Que possamos finalmente abrir os olhos e enxergar o brilho dos olhos alheios.
Que possamos nos alegrar por poder sentir prazer, ainda que o preço sejam as portas abertas para as dores de estar vivo.
Segundo Durkheim, a anomia é uma espécie de doença social e, entre outros fatores, representa a falta de solidariedade orgânica.
Uma sociedade só o é se os indivíduos participantes não agirem isoladamente, mas pensando no bem comum. Logo, não há (ou não deveria haver) espaço para que os interesses privados superem os interesses coletivos. Caso contrário, a sociedade (o organismo) em questão entraria num processo de profunda desarmonia.
(Qualquer semelhança com o que se vê hoje em dia não é mera coincidência.)
Neste novo ano, mais solidariedade aos 4 leitores deste blog!
(Acabo de descobrir que tenho uma leitora nova! EEEEeeeeee.....!!!!!!)
30 de dezembro de 2007
Férias
Sol, calor, praia, estradas entupidas, congestionamentos de dez horas e... praia.
Areia forrada de guarda-sol, todos coloridos, uma alegria...
É mais fácil colocar sua cadeira em cima do guarda-sol de alguém do que encontrar um espaço na areia...
Ah... que bom...
O merecido descanso...
Só não para quem ficará na cidade trabalhando... Procurando emprego, estudando...
Mas até estes têm regalias! 25% menos carros nas ruas faz diferença! Por exemplo: se você passa duas horas diárias no trânsito, passará então, com a regalia das férias do resto do mundo, apenas uma hora e meia! Veja que vantagem! E ainda pode pegar um bronze na janela de seu próprio veículo auto-motor! Não precisa nem colocar a cara pra fora, basta ficar lá dentro, no mormaço.
Lembra que nossa mãe sempre dizia "Passa protetor que mormaço também queima!".
Então! Pedro Bial já dizia que no protetor solar ele confiava. Faz sentido. Boa dica.
Outra vantagem: pra quê guarda-chuva se o mormaço queima? Que chova, então, ora pois! Aí refresca as possíveis queimaduras adquiridas no mormaço do carro de quem ficou 25% de tempo a menos no trânsito!
Acho que deu pra entender que este blog não terá férias, né?!
29 de dezembro de 2007
Local-som
Depois de um dia de barulhos tipicamente caóticos de cidade grande, nada como ouvir uma melodia harmoniosa, algo que faça com que você se lembre de quem é no amontoado de gentes e pedras... Um reduto, um lugar em forma de som... que envolve... abraça... eleva... enleva...
Pode ser uma canção simples que estava perdida, abandonada numa caixinha no fundo do armário...
...Lá onde você se deixou... junto com as coisas de que mais gosta... E se esqueceu...
28 de dezembro de 2007
Vírus no meu orkut!

25 de dezembro de 2007
Palavras de quem sabe o que diz
São muitos.
Mas tu podes ainda
A palavra na língua
Aquietá-los.
Mortos? O mundo.
Mas podes acordá-lo
Sortilégio de vida
Na palavra escrita.
Lúcidos? São poucos.
Mas se farão milhares
Se à lucidez dos poucos
Te juntares.
Hilda Hilst
"Poemas aos homens do nosso tempo"
Faço das minhas as palavras da musa, com resignada admiração à singular genialidade no trato das palavras desta que "nasceu póstuma".
24 de dezembro de 2007
Neste Natal:

Que possamos nos lembrar para nunca ousarmos esquecer da nossa parte no mundo, porque todos têm seu lugar e sua hora, bem como sua missão. Ignorar o chamado não é abdicar às responsabilidades, pois isso é impossível. Ignorar é somente protelar as horas em que a consciência virá cobrar, sem que ninguém o faça, as belezas que poderiam ter sido regadas pelas luzes de nossas mãos e não foram.
E neste Natal, mais do que presentes e festas, desejo a verdadeira alegria de saber-se cumprindo uma missão. O algo maior indefinível. A maravilhosa sensação de ter descoberto seu lugar no sorriso dos que o cercam.
Feliz Natal a todos os 3 visitantes deste blog! (rs)
23 de dezembro de 2007
Karaokê pra quê?

"_ Senhor Samsa! - bradou para o pai o inquilino do meio e com o indicador, sem perder mais uma palavra, mostrou Gregor, que se movia lentamente para a frente."
"Iiiieeeeeeeuuuu... Gostava tanto de vocêêêêê... Gostava tanto de vocêêêê....!!!!!!!!!!"
"O violino emudeceu, o inquilino do meio primeiro sorriu para os seus amigos, balançando a cabeça, e depois olhou para Gregor outra vez."
"...Nem bem chegueeeeeiiiii.... quero ficar bem a vontade, na verdade eu sou assiiiiiiim...!!!!!!"
Kafka que me desculpe, mas tive que deixar para depois.
21 de dezembro de 2007
eu = Com+pli+can+do

.
18 de dezembro de 2007
Feliz Aniversário pra mim!

Obrigada a todos por tudo!
17 de dezembro de 2007
Zumbi News
Comunicação & Educação para quem
se atreve a pensar, questionar e,
sobretudo, dialogar em prol do
crescimento coletivo.
*****
Momento nostálgico - porque todo mundo tem um dia assim...
Fosse uma coisa
16 de dezembro de 2007
Someday We'll Know/ New Radicals
[...]
Someday we'll know
If love can move a mountain
Someday we'll know
Why the sky is blue
Someday we'll know
Why I wasn't meant for you
Does anybody know the way to Atlantis
Or what the wind says when she cries
I'm speeding by the place that I met you
For the 97th time..... tonight
Someday we'll know
Why Samson loved Dalilah
One day I'll go
Dancing on the moon
Someday you'll know
That I was the one for you
I bought a ticket to the end of the rainbow
I watched the stars crash in the sea
If I could ask God just one question
Why [...]
15 de dezembro de 2007
...E então...?
Após fim da CPMF, governo e oposição
admitem criação de novo tributo

RENATA GIRALDI
Após a derrota na aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), oposição e governistas admitem a criação de um tributo para substituir o "imposto do cheque". A idéia deve ser debatida durante a discussão da reforma tributária, segundo integrantes do PSDB e do PT.
13 de dezembro de 2007
Pensamento lúdico
foto disponível no site: http://andaluciasur.blogcindario.com/2005/12/00346-amapolas.htmlSabe aquele tipo de pessoa que senta na frente da TV e grita com o vilão da novela, avisa a mocinha do filme que o monstro tá atrás dela e dá boa noite para o apresentador do jornal? Então! Eu não sou assim. Não com a TV, mas com livros.
Morro de amor, de dor, de alegria, de desespero. Enlouqueço junto com os personagens e nosso suor frio se mistura na realidade criada e estimulada a partir da fantasia de bons autores.
Estou sofrendo.
Gabriel García Márquez judia dos leitores de Cem anos de Solidão.
É possível perder a noção do tempo, tal qual os personagens. Amar junto com os romances tórridos e infelizes trazidos pelas asas das borboletas amarelas, pelos passos das salamandras e pela linda visão dos campos de amapolas. Fazer um minuto de silêncio pelas mortes e os lutos prolongados dos vivos. Sentir a dor e a glória dos milagres que só acontecem em Macondo.
Algumas vezes me senti tentada a dizer à minha avó para que não se preocupasse, que ao sair do cenário todos os personagens da novela iam comer pizza juntos, inclusive o mocinho e o bandido. Tive vontade de dizer que eles até eram amigos e que tinham que se esforçar para fingir juras de ódio eterno.
...Depois compreendi melhor que o que alguns chamam de ignorância era na verdade capacidade lúdica.
Eu tenho. Obrigada.
12 de dezembro de 2007
Homenagem aos 507 anos de descobrimento
Quando os portugueses chegaram ao Brasil e encontraram os índios, ficaram com medo daquele povo peladão. Então entregaram a eles seus enfeites, aparelhos de navegação, espelhos e roupas, na tentativa de fazer amizade.Os índios gostaram da idéia e também presentearam os portugueses. Entregaram-lhes milho, bananas, mulheres e tetris. Quando os portugueses viram o tetris pela primeira vez, ficaram fascinados com tamanha tecnologia ainda não superada até os dias de hoje.
Alguns dizem que o Brasil foi descoberto por acaso. Mas é claro que não!
Os portugueses já sabiam que o mundo era mais do que as especiarias que só serviam para disfarçar o gosto de podre da carne - já que eles não tinham geladeira. Eles queriam mais, queriam conquistar o mundo, queriam TETRIS! Mas ainda não sabiam...
Tinham ouvido falar de um instumento poderoso e misterioso, batizado então como TETRVS, proveniente de tecnologia extraterrena de um povo esquisito de terras longínquas. Então foram atrás do tal ONVNI - Objeto Não Voador e Não Identificado.
Ainda hoje o segredo do sucesso de Tetris não foi divulgado. Ele existe em todo mundo e ninguém fica imune.
Ganhei um há dois dias.
Cante você também!
Sabe aquele dia que você coloca uma calça com a barra um tanto comprida demais? Então! Eu tinha dobrado a minha direitinho... Mas a chuva fez com que eu a pisoteasse. Desci do ônibus (segunda etapa do trajeto). Foi super divertido correr patinando na Avenida Ibirapuera, afundando a barra da minha calça nas poças, cantando "I'm singing in the rain". Como sempre, sim, eu estava com agenda e o livro da vez na mão (Cem anos de solidão). Sim. É claro que eles estão encharcados agora, bem como meu cabelo, meu pé, eu e minha roupa inteira.
Com a corrida e, ainda por cima, cantando enquanto corria, tive ataque de asma.
Começar o dia esbaforida, encharcada, descabelada e sem roupa seca para trocar é uma delícia. Recomendo.
10 de dezembro de 2007
Verdade absoluta número Zero
Não acredito em verdades absolutas, mas descobri uma hoje.
Will (Shakespeare) estava certo quando disse "...Jamais seremos tão jovens..."
Verdade irrefutável.
É como os velhos contos de fadas. É claro que eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, ah, existem...
Pedi a conta e o garçon me trouxe. Aí lembrou que nunca pode entregar a conta para a menina da mesa e tomou da minha mão.
Adoro fazer isso para confundir! Eu peço a conta! Mas nunca alguém tinha sido assim tão radical comigo...
Legal a cara dele de "Ai meu Deus, me devolve isso!"...
hehe
"...Jamais seremos tão jovens..."
e-mail recebido
De uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as
Lteras de uma plravaa etãso,
A úncia csioa iprotmatne é que
A piremria e útmlia Lteras
etejasm No lgaur crteo.
O rseto pdoe ser
Uma bçguana ttaol, que vcoê
Anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos
Cdaa Ltera isladoa,
mas a plravaa Cmoo um tdoo.
Show de bloa.
7 de dezembro de 2007
Elevador, Moema, cep. 04521-022

O cubículo cheio pára em um andar. A campainha dispara num zunido ensurdecedor. Super lotação. Alguém esclarece: "_ É que tá lotado."
Uma senhora, muito distinta, bem vestida, abraçando o livro "Ensaios de Amor" de Alain Botton anuncia: "_ Ah! Eu vou descer! Tenho medo. No Brasil...!"
Alguém pensou: "...No Brasil... O quê?"
A distinta senhora prosseguiu: "_ Aqui nesse país ninguém é responsável por nada! Tenho medo!"
Outra pessoa desceu e a campainha maldita cessou.
Um silencioso mal estar pairou entre os olhares de soslaio para a senhora.
Quer dizer que se fosse na Europa ela não teria medo porque lá alguém se responsabilizaria caso o elevador caísse no poço com ela dentro? Bem... Aqui talvez os familiares não recebessem indenização mesmo... Em queda de avião já é difícil! Imagina de elevador...
Alarde elitista + realidade nacional
Fórmula perigosa essa...
6 de dezembro de 2007
E então?
Plenário do Senado absolve Renan e
senador escapa mais uma vez de
cassação
GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI da Folha Online, em Brasília
Com 48 votos contrários, o plenário do Senado rejeitou hoje o relatório que pedia a cassação do mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL) por quebra de decoro parlamentar. Renan foi acusado de usar laranjas para comprar um grupo de comunicação em Alagoas.
Reflexão profunda, n° 1.656.971.000

Amor e ódio são como faces da mesma moeda. É o mesmo princípio que rege a virtude e a desvirtude humanas. Todos nós somos mesquinhos, egoístas, apáticos, mal humorados, cruéis. E somos também generosos, altruístas, corajosos, bem humorados e bondosos. Alguns mais, outros menos. Mas um pouco de tudo sempre. O que chamamos de defeito no outro pode ser desperto em nós e levarnos a situações atípicas de nossa personalidade no instante seguinte da crítica. É só uma questão de oportunidade, de situação. Daí o valor da tolerância. Mas é claro que lapidar em nós o que há de melhor faz com que consigamos manter no lado negro da força os impulsos negativos ou impróprios para a vida em sociedade.
Procuro me lembrar disso todo dia de manhã. Não consigo, não consigo, não consigo me acostumar a acordar cedo. E pensamentos de raiva tomam conta da minha mente... Após dois anos e cinco meses nessa "indústria vital" sou capaz de matar uma pessoa. É como se eu chamasse por mim e dissesse "Promete que nunca vai embora?" e a outra de mim respondesse "Não vou, você que vai! Vai trabalhar enquanto eu fico aqui na cama!"
Poucas horas de sono é um problema social, caso de saúde pública.
Vai ver que é por isso que as pessoas andam se matando por aí...
4 de dezembro de 2007
Um carinho em massa
Calma lá!
E o céu se transformou em fogo de fúria, o mar ferveu e a terra se abriu. Os ventos de tempestade sopraram de maneira nunca vista antes, balançando o cabelo dos humanos e eriçando os pêlos dos animais. Os mortais seguraram a respiração no peito, como se fosse a última de suas vidas. O silêncio imperou sobre o planeta. Nenhum reino era mais forte. Mas os Deuses sorriram.
_ Não vai. Não estou preparado.
E fui.
2 de dezembro de 2007
Parcerias da vida
(foto tirada na estante de casa, num flagra de uma relação passional entre minha ex-tartaruga e minha atual pata de enfeite, quando a tartaruga entrou furtivamente e foi surpreendida abraçando o outro elemento)A experiência da existência não se explica. Na última aula de ética eu escutei isso, mas não me lembro agora de que gênio veio. Mas o raciocínio era mais ou menos o seguinte: o verdadeiro aprendizado é impossível de ser colocado em palavras. Porque aprender significa experimentar e a experiência não é traduzível em palavras. Você pode dizer que uma maçã está em cima da mesa, mas traduzir o gosto de maçã verde depende do seu repertório linguístico e do reperto do interlocutor. Comparar o gosto da maçã pode ou não ser agradável para o outro e a narrativa vai ser contaminada pelo SEU gosto por maçã verde.
Eu posso dizer que a energia de alguém é como veludo, a sensação da textura... É como cheiro de grama molhada que enche a alma do mesmo frescor... É como dizer que a idéia da morte é um incômodo semelhante a uma mancha preta num papel branco e dizer para alguém que a mancha pode se transformar no desenho mais bonito que ela pode imaginar...
...A experiência da existência é isso. Viver e fazer o desenho mais bonito que se consegue. Daí a necessidade de se estar sempre aprendendo. Para poder ver mais e mais possibilidades de transformar uma manchinha em um fato que não desmerece a brancura do papel e poder enxergar mais e mais possibilidades de fazer um mundo inteiro novo na folha, de dobrar e fazer o Tsuru voar através da sua própria vida na memória dos que vierem para continuar a tecer a colcha de uma história que também é sua pra sempre, até quando não estiver mais aqui...
Exemplo disso é a minha ex-tartaruga. Ou melhor, ex-minha tartaruga, que não deixou de ser tartaruga, apenas deixou de ser minha. Ainda ouço a pata chorar de saudade...
1 de dezembro de 2007
Nem tanto...
30 de novembro de 2007
Clareira no tempo

Não sei terminar principalmente com professores especiais e com amigos com quem tenho afinidades de alma...
29 de novembro de 2007
A moral da história segundo a menininha - Cap. CXVXIIIV

_ O que essa mulher quer dizer com “emagreça agora”? É mágica? - E grita: _ Mamãe, corre aqui! Tá passando aquela mágica que você quer aprender! Mamãe!
_ Pare de gritar! Não é nada disso! – diz o pai.
_ O que é então?
_ É um tratamento que consiste em soluções diuréticas, sessões de drenagem linfática e sucessivas cirurgias plásticas pós-tratamento. É muito caro!
A menina toma fôlego com os olhos arregalados:
_ Meu Deus! Então é grave! Mamãe, não vem agora, não, que o mágico é mentiroso e malvado! Ele arranca os olhos das pessoas e...
_ Que é isso, menina?! De onde você tirou esse absurdo? Que coisa mais horrível de se dizer...!
_ Mas outro dia a mamãe falou que queria uma “geladora” nova e o senhor disse que não, porque “geladoras” eram caras e você não queria dar os olhos da sua cara... Eu pensei que...
_ Então não pense! Deixa prá lá, filhinha. Esqueça!
_ Tá bom...
28 de novembro de 2007
Morumbi

Galinha!!!
Galinha sem história,
Galinha sem estádio,
Freguês do Tricolooooooooooooor!!!!
Não... eu nem gosto de jogo... Sério!
(Galinha!!!)
Mas é que quando você tá com pessoas que gostam de jogo e você gosta delas, daí tudo fica mais legal...
(Galinha sem história,)
E, olhando de pertinho, o Morumba fica bonitão assim... cheio...
(Galinha sem estádio,)
E a animação é mesmo contagiante...
(Freguês do Tricolooooooooooooor!!!!)
Da próxima vez vou tentar xingar o juíz, pra ver como é a sensação... Dessa vez não tive coragem... Tadinho... O pobre também não pode acertar sempre, né?! Parece que naquele dia ninguém se lembrou disso...
27 de novembro de 2007
...um pokito de gripe? Pópegá!

Devemos respeitar a natureza, o ciclo, o meio ambiente, os animais. Mas, pra mim, influenza não faz parte da natureza, não é animal, é praga. Esse vírus fortemente virulento é uma espécie de criatura infeliz que se aloja em você e faz festa às suas custas, a despeito das 300 mil coisas que você tem pra fazer todos os dias e que a dor em tudo não deixa.
...No princípio tudo era escuridão, então Deus disse: "Faça-se a luz!", e a luz se fez. Então o diabo ficou com inveja da criação e arrumou um jeito de estragar tudo. Além de ratos e Chihuahuas para enfeiar o mundo, criou o vírus da gripe...
...Fui vitimada por essa artimanha demoníaca na semana passada e ainda não encontrei a luz novamente...
26 de novembro de 2007
Eczema-Vitória
Sim. Passamos noites em claro. Para quem se atreveu a dormir, pesadelos. Brigamos. Choramos. Fomos até Santana, Vila Mariana, Suzano, Interlagos, Ibirapuera. Forjamos no pessimismo o otimismo. Subimos mesmo motanhas que pareciam intransponíveis. Achamos que estava tudo perdido quando descobrimos a amizade, a cordialidade, a gentileza, depois de sermos supostamente ofendidos por quem não conheceu nada de nossa história, nada de nossa trajetória.Chegamos. Mais pesado que um TCC, mais sofrido que final de copa.
Mais angustiante do que as promessas do inferno... Mais prazeroso do que pecado mortal. É a sensação do dever cumprido, da vitória esculpida nas gotas de nosso suor e lágrimas.
A Revista Eczema saiu. Mas só para os íntimos...
22 de novembro de 2007
Briga de galo
_ Mamão.
_ Sai um suco de melão!
_ Mas esse suco é de melão!
_ É!
_ Mas não foi isso que eu pedi!
_ Tá pensando que vai pagar melão e tomar mamão? As coisas não funcionam assim.
_ Mas eu pedi outra coisa!
_ Mas fusca não é mercedes.
_ Mas você não disse nada.
_ Preciso dizer tudo, também?
_ Mas esse suco é de melão!
_ Você não entende nada de suco!
_ Nem quero! Esse é o SEU serviço!
_ Você sabe com quem tá falando?
_ Não faz diferença. Eu não quero fazer serviço de peão!
_ Olha aqui, eu faço suco pro Washington Olivetto, tá?!
_ Tá. Não foi isso que eu pedi.
_ Vai prá #$%&**¨&¨**()##!!!!
_ Vai você prá #$¨&*#*()¨%$¨!!!!
Juro que isso aconteceu!
Não com suco!
Com uma revista experimental de uma "amiga minha".
A comunicação não é uma coisa linda????
(Vamos lá, rapazes. Agora eu quero ver um abraço...)

Galo de briga
Gabriel Archanjo/ Piauí
21 de novembro de 2007
Socorro!

Sabe aqueles dias em que tudo dá errado, tudo é corrido, nada sai direito, todo mundo diz não, a vida complica cada passo e parece que o mundo acabará em barrancos e você soterrado debaixo dos problemas ouvindo vozes gritando seu nome desesperadamente: "Socorro! A culpa é sua! Você vai queimar no mármore do inferno!"
O quê?
Isso nunca aconteceu com você?
(pf...! idiota!)
19 de novembro de 2007
Nem queria mesmo...
PHOTO: http://www.ambienteemfoco.com.br/?p=842 Segunda-feira chuvosa, véspera de feriado, final de ano.
Tem dia melhor pra trabalhar????
Divertido que até dói na alma...
Dia de chover inteiro... Nada melhor pra jogar futebol, tomar sorvete, banho de mangueira e regar o jardim...
Até pensei em chocolate quente e um encontro com a pilha de livros que a pesquisa aguarda que eu termine...
...Mas não! Achei sem graça!
Estudar Teorias da Comunicação pra trabalhar num lugar que não exige nada além do que a "Caras" semanal é BEM MAIS LEGAL! Eu prefiro!
Mentira!
Se ainda fosse pra ser repórter, nem me importaria em sair de casa de bote e colete salva-vidas...
Mas hoje o dia se aarrrrraaaassssssttttaaaa....
...questão de escolha...
As pessoas têm livre arbítrio pra isso.
Eu, por exemplo, gosto de MPB. Prefiro Djavan à Matanza. E tem gente que gosta de mim mesmo assim...
Ninguém é perfeito.
No final de semana, por exemplo, escolhi salvar uma alma perdida que precisava de ajuda para fazer um trabalho de fotojornalismo.
De nada, Déia!
Até que foi divertido me fantasiar...
16 de novembro de 2007
Eita!

(a doçura de imagem foi recolhida do perfil http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=16716556443675283261)
14 de novembro de 2007
E Kiko????
plástica... no abdômen e no nariz
e aumentar os seios com uma
prótese.

Então...É. Jornalismo de Celebridades. Eu, como você, também sinto raiva de saber que existe público pra isso... Mas vamos compensar:
O senador Renan Calheiros volta
ao noticiário, depois de quase um
mês na sombra.
O Conselho de Ética do Senado
julga hoje um pacote de três
processos contra ele, e os
observadores apostam que pelo
menos uma das acusações será
aceita.
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/oinoradio.asp?id={9E0EE668-83CB-4AF6-9649-ED104E9FC88C}
13 de novembro de 2007
Cacos de fatos, fatos em cacos

Se eu disser "eu vi ela", gero um cacófato, porque existe a palavra "viela". Logo, o correto é "eu a vi". Mas se digo o mesmo no masculino, "eu o vi", gero outro cacófato, "eu ouvi".
E agora???
Percebem como é difícil essa vida?!
Por falar em fila...

Ainda pensando sobre as filas, e aproveitando que hoje é terça-feira e não há censura de assuntos sérios como a sexta obriga, reflitamos sobre essa forma de organização odiosa...
A princípio as pessoas parecem permanecer em fila porque não encontram um meio de burlar a convenção. Mas há pessoas que, ainda que encontrassem uma maneira, ficariam em fila, porque acreditam nessa forma de organização do aproveitamento de recursos limitados diante da demanda. Muita gente, pouco serviço ou produto, resulta em fila.
Mas ultimamente existe fila pra tudo! Onde você vai tem fila! O próprio trânsito é uma variação camuflada de fila. Existe até fila para pegar a fila! As filas nas catracas do metrô, por exemplo: você entra na fila para comprar o bilhete. Aí entra na fila para passar a catraca e depois mais fila para entrar no vagão. E para sair dele!
Odeio filas! E, o que é pior (!):
Eu não tenho uma idéia melhor!
12 de novembro de 2007
FUVEST/ 2008

Não sei se é pelo deslumbre, pela carreira, se é um chamado interior em massa, se é um recrutamento das forças superiores ou se esta é uma cidade com mais pessoas do que oportunidades...
...O fato é que, para insistir na profissão depois de saber dessa e de outras "boas novas" é preciso, além de talento, MUITA vontade de ser jornalista.
Vontade não falta...
Tô na fila, tá?!
10 de novembro de 2007
Pois é!
Antigamente eu costuma ser grata por viver em sociedade. Sabe, aquele pensando bonito de que cada vez que você acende a luz, está, na verdade, evocando o trabalho de uma equipe incontável e super competente? Pois é! Desde as pessoas que trabalham na geração da energia, até quem fez a lâmpada, quem instalou a fiação, quem desenhou e produziu o botãozinho chamado de interruptor... Todo mundo... Só faltava dizer “Muito obrigada, pessoal!” cada vez que usava um cotonete.
Mas acordei para a vida ao observar o caos na minha própria rua. Moro numa rua estreita, basicamente residencial, o que quer dizer que muitos carros ficam estacionados. Além disso, é mão dupla e, como se não bastasse, ainda é trajeto de linha de ônibus!
Fiquei observando com muito entusiasmo o resultado disso: um ônibus e um caminhão entalados. Um e outro aceleravam sem sair do lugar. E eu pensando “Bate! Estão quase parados, ninguém vai se machucar, mas assim, quem sabe, o motorista reclame e alguém tome a providência de mudar o trajeto da linha!”. Mas não. Vai daqui, vai dali e os dois desentalaram. Então pensei: “Que adianta toda uma equipe se quem determina o trajeto faz isso usando o mapa do Google?” Sim, porque não acredito que ele se deu ao trabalho de ir conhecer de perto o trajeto. Prefiro não pensar que seja uma questão de falta de perspicácia. E não bateram. Pena. Ia ser legal!
9 de novembro de 2007
Sexta, pra quê te quero?
O primeiro dia do final de semana.
Como diria o Gênio de Aladin: "Eu vou viajar, eu vou conhecer o mundo, eu vou...!!!!"
(ronco)
Platão ajuda a entender, na alegoria "O Mito das Cavernas", as parcas sombras ilusórias que acreditamos ser a realidade. Acreditamos que o Ibirapuera no domingo é diversão (seria, se toda a cidade não pensasse exatamente a mesma coisa no mesmo domingo), acreditamos que fast food é legal (tanto que faz seu fígado virar patê), acreditamos que TV é bacana pra caramba (e é, excetuando-se novelas, programas de auditório, jornalismo manipulador e programas infantis que tratam as crianças como se fossem seres oligofrênicos), vamos para a balada ouvir música em decibéis formidáveis (fosse uma britadeira, todo mundo reclamava).
...E, ao olhar a luz, finalmente... somos afuscados.
Mas é sexta! Até segunda-feira não tem porquê pensar nisso...
...E não vou insistir. Vou respeitar o ritual. Mas pensem: se Platão escreveu em "A República" que Sócrates sugeriu a alegoria a seus ouvintes, e se Sócrates não deixou nada escrito que confirmasse isso ou qualquer outra afirmação sobre ele que Platão tenha feito, então, posso considerar os créditos em nome de Platão ou em nome de Sócrates? Isso é muito importante! Sim, porque, se fosse um filme, como eu ia fazer o casting???
...Tá. Hoje é sexta.
8 de novembro de 2007
Sem ninguém?
...aqui...
Fui obrigada
...O sol...
a me enterrar
...lindo...
viva
...o céu...
num lugar que nem janela tem
...azul...
onde o telefone não pára
...e o vento...
de falar de nada importante
...soprava...
....e eu aqui.
4 de novembro de 2007
Ainda bem que existem quadrinhos!
1 de novembro de 2007
Despedidas...
Uma hora a hora chega. E aí, não vale gritar, espernear, chorar, pedir para o tempo parar.
Às vezes viver parece sonhar...
Até o exato momento em que um choque te faz acordar: o tempo passou.
Passou.
Tá doendo. Despedidas são sempre difíceis.
Eu sei que vai passar.
Mas ainda não passou.
(...Esses últimos 2 anos foram uma honra...)
“Bem vindos à melhor profissão do mundo!”
Efeito imediato

_ Motorista, esse ônibus passa no shopping?
(motorista balbucia algo ininteligível)
_ O quê? (a garota insiste)
_ Passa onde você quiser! (dessa vez aparentando uma empolgação fora do normal)
Não me perguntem como eu sei, mas sei que a garota pensou em dizer: “Legal! Quero ir pra Piraporinha do bom Jesus! E vou economizar mó grana, já que você vai me levar direto, né?! Mais legal ainda é que o pessoal todo também vai dar uma volta, fazer um passeio turístico de grátis!” – mas sei que ela não respondeu, só entrou no ônibus e pronto.
Não sei a que se deve isso. Acho que foi a máscara para cílios que a Gi me indicou.
Valeu pela dica, Gi! Sempre que eu precisar vou usar essa máscara efeito “olhar encantado”!
(drawing and photo by Camila Caringe)
31 de outubro de 2007
Uma opção razoável...

Você já quis fugir com o circo?
Eu já.
Quis fugir.
Não com o circo.
Quis fugir com o Kenny G e sua super banda ontem a noite...
30 de outubro de 2007
Adoro acordar cedo!
Aí acorda esbaforido e corre para recuperar o tempo perdido...
Nessas horas até dá pra ouvir a voz do vizinho cantando: "Tô cansado! tchá tchá tchá! Tô cansado! Tchá tchá tchá!"
... É engraçado... As vezes até parece que a voz fica em algum lugar dentro da minha cabeça...
(Freud diria que é meu inconsciente manifestando simbólicamente meus desejos reprimidos através de um personagem criado pela minha mente. Sartre diria que é normal do ser humano procurar a quem culpar e que eu não deveria me preocupar em usar um suposto vizinho como subterfúgio para a cantoria.)
Eu digo: _ Moro em apartamento, tá?! Tenho muitos vizinhos! Não tô com sono! Adoro dormir tarde e acordar cedo! Sou uma jovem super pra frentex! Tô ótima!
...
..
.
(ronco)
29 de outubro de 2007
Num ônibus na Avenida Ibirapuera:

_ Não, vou descer no outro ponto. Vou descer no ponto desse lado, onde vai abrir essa porta aqui. Você também?
_ Ahãm.
Cinco segundos depois a pessoa passa empurrando Deus e todo mundo (inclusive eu!), dizendo:
_ Dá licença, dá licença! Vou descer!
Os professores de Jornalismo aplicado sempre nos instruem: “Procurem evitar sentenças longas. Isso confunde e dispersa.”
Mas a gente tenta acreditar que não é bem assim...
Numa dessas descobrimos que SIM ou NÃO é alternativa demais...
28 de outubro de 2007
Por uma entrevista

Comprei um anel hoje. É bonito, mas a pedrinha tem o formato de Sol. Isso significa que os raios enroscam em tudo: cabelo, roupa, zíper, tudo. Um inferno.
E fui para Interlagos.
Interlagos é perto. Do autódromo. Eu não moro perto do autódromo.
Semana passada fui para Suzano. Foi fácil. Saí da minha casa e peguei o metrô até o Brás. No Brás, trem até Guaianazes. Depois, outro trem sentido Estudantes até Suzano. Neste ponto uma curiosidade: taxi-lotação. Mais uma solução da criatividade popular para o problema do transporte público. Um carro caindo aos pedaços cheio de gente desconhecida. Apenas R$ 2.00 e você chega mais rápido e menos desconfortável, apesar de tudo. Ótimo. Mais meia hora no tal taxi-lotação. Calma que ainda não cheguei. Ainda tinha uma rua íngrime para subir. Eu disse íngrime? Serei mais específica: formava um ângulo de 45º em relação ao nível do mar. Cheguei lá em cima com crise de asma.
Valeu a pena. Sempre vale.
Dessa vez foi Interlagos. No final minha entrevistada me deixou no ponto de ônibus. E voltou para me buscar 1 hora e 10 minutos depois. Ficou com dó quando ligou e descobriu que eu ainda estava no mesmo lugar. Domingo a frota diminui consideravelmente e lá não tinha taxi-lotação.
Uma aventura. Mas foi sem graça... Nem tô cansada!
...
...
...
(ronco)
27 de outubro de 2007
Bolão!
Sobre a sensação de vazio, incerteza e tentação curiosa gerada pela descoberta da existência do que ainda não se descobriu, digo que já descobri. Digo da sensação e, consequentemente, da descoberta rasa. Falo aqui de quão pequeno você sente de repente. É como se crescer obrigasse a ser menor. Mais uma artimanha da vida...
É aquela falta de chão, o arregalar de olhos e um sonoro “TÃ!” que soa nos ouvidos. É como quando você tenta executar uma operação torta no Windows. É o mesmo “TÃ!”, só que é só seu, é só você quem ouve e significa o mesmo que um “Xeque-mate!” berrado pelo inimigo do outro lado da mesa. Você é você e o inimigo também.
Aí a pessoa – que não sou eu, claro! – se enrosca em desmedidas entre a paralisia boquiaberta e a atitude meio cigana doida, como quem não tem mais nada a perder. Só que tem, embora se esqueça de vez em quando...
A partir disso é como rolar escada a baixo no acesso ao metrô Barra-Funda às 18h00. A única diferença é que você não precisa ficar roxa. Mas a torcida da galera se repete: “_ Já morreu?”
Não, ainda não galera.
Não morri, mas tô quase.
Se depender do colapso que Bordenave me provoca quando fala da “sofisticação tecnológica inovadora” dos videocassetes* não tardarei a entrar em parafuso.
Se depender de publicações periódicas tão gentilmente cedidas por mestres para toda a vida, tô salva.
Quem vai entrar no bolão?
*Juan E. D. Bordenave é MUITO BOM. Mas a obra a qual faço referência é de 1991. A culpa é minha, ok?
26 de novembro de 2006
"Que fechem novamente as cortinas!"
"A crise nos inclui na política. Aliás, crise no Brasil é quando a política fica visível para a população."
(Arnaldo Jabor em seu livro: Pornô Política)
(photo by Camila Caringe)...Porque o show business é assim: aquele desfile de candidatos que emergem do Carnaval da Bahia, dos escândalos de corrupção, dos programas de fofocas e das colunas policiais, quando não do "não-se-sabe-de-onde", que parece ser o lugar preferido. Talvez a nascente da utopia barata. Beeem baratinha...
E a coisa toda é bonita. Argumentos, pedidos, apelos e súplicas por seu voto. Alguns , com seus dentes branquinhos sorriem desejosos da simpatia pública. Há quem apele para sua opção sexual, para sua etnia, cor, passado, pobreza, riqueza, enfim! E há, também (claro!) os mais persuasivos, como a gatinha semi-nua que posa em seu flyer pró-candidatura (a tal de Camila Kiss, cujo slogan era: Vote gostoso, vote com prazer)...
É bonito de se ver! Tão bonito quanto os contos de fadas que são costumeiramente contados às crianças antes que adormeçam, e - pasmem - surte o mesmo efeito! Inclusive quanto aos pesadelos.
Aí o espetáculo acaba e faz-se o balanço. Entre lucros e perdas, mortos e feridos, regressam os tão populares anti-heróis, consagrados por seus erros e pela desesperança maciça, massiva e convicta.
Que sejam bem-vindos os bons e velhos monstros mutantes assassinos que inspiram os quadrinhos de Calvim e Mafalda.
Tão lindinhos, disfarçados com o ultra-revolucionário-pós-moderno "botoxyoungforever"...
Mas, eu não seria eu se não desse nomes aos bois, bem no formato "parábolas bíblicas para crianças", como "os monstros" fazem comigo - o povo: Era uma vez um jovem comunista lutando na Guerra do Araguaia. O jovem chamava-se José Genoino, na época já conhecido como Zé 3 tapas, por sua agressividade peremptória junto ao inimigo. Porém, como todo bando abriga um Judas, "alguém" denunciou as atividades políticas do grupo. Todos os membros sofreram represálias. Quem não teve a sorte de morrer logo, foi preso e torturado. Todos, exceto um: Genoino. Mas minha ética não permite que eu vá além no conto de horror e diga ao leitor quem foi o traidor. Falo apenas dos traídos. Perdoe-me a fraqueza... É que tiraríam esse blog do ar se eu ousasse.
As eleições - também conhecidas como "Festa da democracia" - acabaram.
Sorte a você, amigo!
"Alguéns" votou sem saber em quem. Agora?
_Que fechem novamente as cortinas. Sorte a nós...!
Camila Caringe.
25/11/06
19 de novembro de 2006
Habitat Industrial tem seus dias contados.
Economia não tem nada a ver com meio ambiente, mas disso todo mundo já sabe. Economia é a tão somente a ciência que trata dos fenômenos relativos à produção, distribuição e consumo de bens. Isso não tem nada a ver com árvores, florestas e esquilos fofinhos de desenho animado correndo com nozes nas mãos...
Tal maravilhosa ciência apenas prevê fluxo, nunca estoque. O estoque não importa. E não tem nada a ver se, para construir um único carro sejam utilizados 22 mil litros de água potável. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa... (meu sofisma preferido!)
O inglês Nicholas Stern, chefe do serviço econômico do seu país, ex-economista-chefe do Banco Mundial e formado em Cambridge e Oxford, realizou minucioso cálculo sobre o impacto financeiro da degradação ambiental. Segundo ele, nenhum gasto muito superior à marca de 7 trilhões de dólares. “Se deixarmos as coisas tal como estão hoje, o planeta vai perder entre 5% e 20% do PIB mundial. As perdas econômicas para os países pobres serão bem maiores do que as verificadas nos países desenvolvidos por várias razões: geografia – superaquecimento de países mais próximos à linha do Equador –, limitação das atividades econômicas – já que dependem mais de produção agrícola -, dispõem de menos dinheiro para investir em formas de se proteger contra os efeitos do aquecimento global.”
A você, caro amigo que adora escovar os dentes admirando a água corrente da torneira, saiba que a cada 8 segundos desaparece um campo de futebol na Amazônia. E esta corresponde a 70% da pluviometria do país. Ou seja: desaparece nossa amiga, desaparecemos nós.
Nas últimas décadas o processo de extinção foi maior do que os últimos 65 milhões de anos, efeitos causados pelas “divinas” mãos humanas.
Pensemos: a natureza é um sistema circular, é regenerativa, finita. A idéia do “jogar fora” é pequena, ilusória e confortável. Mas nada se joga fora do mundo. Vai para algum lugar. No entanto a economia capitalista não prevê. Esta é linear, degenerativa e infinita. Produz-se numa linha crescente, joga-se fora o que não serve mais e produz-se novamente. Logo, o Katrina (tempestade tropical que alcançou a categoria 5 da Escala de Furacões de Saffir-Simpson, atingindo a costa dos EUA em 2005), do ponto de vista social foi uma tragédia, mas do ponto de vista econômico foi uma grande oportunidade (reconstrução, geração de empregos, fluxo de caixa), ainda que tenha provocado nada menos de 1833 mortes.
Pensar em alternativas é simples, mas não é fácil: reciclagem, desenvolvimento sustentável, conscientização, prioridades, políticas governamentais de braços dados com população interessada em fazer diferente.
Em vinte anos começaremos a sentir de maneira drástica as conseqüências do que fizemos até agora com o planeta azul. A sorte foi lançada. Estarão nossos destinos em dados viciados?
...
Camila Caringe
(Entrevista de Nicholas Stern na íntegra pode ser encontrada na revista Veja de 08/11/06)







