A melhor parte de ser jornalista é entrevistar. Eu sou tímida e, algumas vezes, fico ensaiando pra chegar na pessoa desconhecida assim e dizer: "_ Oi. Bem, você não me conhece, nem eu te conheço, mas eu preciso de uma declaração e acho que você serve. Então, toma cuidado com o que vai dizer porque eu vou contar pra todo mundo!"
Óbviamente não é exatamente assim que funciona. Quer dizer, não falo assim com a pessoa, mas é mais ou menos isso mesmo, em linhas gerais.
O texto, como já é sabido, é transpiração. Não existe texto perfeito e isso é mais problema do que solução para uma pessoa perfeccionista. Então, pra se divertir, sobra mesmo a entrevista. É a hora que o jornalista realmente aprende, porque ouve o outro, pergunta sobre o que não entende, troca idéias e depois vai pra parte da tortura, que é esquecer o que sabe e dizer somente o que aconteceu e o que a fonte disse que aconteceu - o que sobra do que não foi declaração em off.
Ontem entrevistei Ismar de Oliveira. Senti-me a própria Marília Gabriela. Versão educomunicativa morena e jovem 2008.
Tatália, valeu pela dedicação. Minha MPB e seus rocks não são nada perto da lealdade que nos mantém. Obrigada de verdade.