26 de abril de 2010
A bordagem
Bem, pelo sim e pelo não, vou dar umas dicas:
- Homens: nunca, jamais, em tempo algum, tire uma menina de sua roda de amigos arrastando-a pelo braço. Mesmo que o assunto seja da maior importância. A menos que vocês já estejam juntos e que sua mãe tenha morrido, não faça isso. Muito menos na primeira aproximação. Não dá nem pra ouvir o que é que vocês querem depois disso. Aliás, evitem tocar também. Mexa no seu cabelo, não no da menina, a menos que ela consinta. Essas aproximações precoces nos fazem querer sair correndo!
- Nunca faça elogios efusivos aos atributos físicos de uma mulher (que você não conhece ou conhece pouco) pra ela mesma. Não importa as bobagens que passem pela sua cabeça, muito menos o que você diz aos seus amigos. Seja generalista. “Você é bonita” basta pra começar. Jamais diga coisas como “Seu peito é bonito”. Não. Nããããoooo!!!
- Não fume. Mas, se fumar, faça isso longe de nós. Mesmo as que fumam, pode apostar, fazem um esforço danado para manterem-se cheirosas o dia inteiro nesta poluição de meu Deus. Fazemos manutenção do perfume, do desodorante e da maquiagem às vezes várias vezes por dia. Então, por favor, não bafore na nossa cara.
- Não diga o quanto você é bom, o quanto você sabe, o quanto você já fez, o quanto demais você é. Não seja afobado, confie em nossa inteligência e deixe que fazemos nosso próprio julgamento. Obrigada.
- Não fale das ex. Isso nos interessa e perguntaremos quando quisermos. Caso não perguntemos, não mencione seu passado. E, quando mencionar num belo dia em que seu passado sexual/afetivo seja nossa pauta, fale como se tudo tivesse acontecido em outra vida. Teatralize a questão e responda como se nem se lembrasse. Vale franzir a testa e fingir que é um grande esforço se lembrar de qualquer coisa antes de você conhecer a atual. Responda somente o que for perguntado e após cada sentença, adicione: “não era como você”.
- Não traia. Conheço muitas mulheres que considerariam a hipótese de um relacionamento aberto, algumas que já o tiveram, poucas que se deram bem com isso. Mas não conheço nenhuma que toleraria a traição. Não que não haja. Mas daí vai de você querer uma mulher com auto-estima ou sem.
- Não se drogue. As mulheres têm a atenção multifocada e detalhista, ou seja, você, homem, já está naturalmente em desvantagem em relação a nossa minúcia e destreza lingüística. São poucos os casos em que você conhece uma mulher numa situação em que sua prova de matemática pode ser o assunto. Então, facilite as coisas para você mesmo: não use entorpecentes, a menos que as mulheres sóbrias não façam seu tipo.
- Não use clichês. Pelo amor de nosso senhor, prefiram o silêncio. Frases como “o cachorro tem telefone?” só servem pra gente rir e apertar o passo.
- Seja homem. Não conheço mulher que goste que seu acompanhante faça as unhas. Mantê-las limpas já tá bom. Base é demais. Hidrate seu rosto só se estiver esturricado, do contrário, mantenha-se longe de cosméticos e frescurinhas. Isso é coisa nossa.
- Saia da casa dos seus pais. Nós, mulheres batalhadoras, não vemos com bons olhos os marmanjos que ficam com papi e mami além do necessário. Siga sua vida, seja independente, tenha autonomia, aprenda a cuidar de si.
- Seja um bom filho. Um homem que grita com a mãe não está no sonho de nenhuma mulher. Eu garanto.
- Cuide dos presentes que ganhar. Mesmo que seja só um bilhetinho. Guarde com todo o carinho, porque nós, mulheres, adoramos testar a importância que vocês atribuem a nós através da importância que vocês atribuem ao que damos a vocês.
E, a última, pra fechar com chave de outro: conquiste primeiro. Depois, pode fazer o que quiser. Coração de mulher costuma ser leal por um tempo mínimo de um ou dois anos. Seja esperto.
23 de abril de 2010
22 de abril de 2010
The ladies room
_ Ah... sei lá. Tô boba... rs
_ Boba?
_ É! Boba! Tô assim esses dias...
_ Por quê?
_ Ah... sei lá... Tô apaixonada.
_ Mas você não namora?
_ Uhum.
_ E faz tempo, não faz?
_ Faz! Então! É por ele mesmo que eu tô apaixonada.
_ Pelo mesmo?
_ É. Me apaixonei de novo. Sabe cumé? Me apaixonei outra vez pelo meu namorado.
Uhum. Eu sei como é. Mas, embora pareça, não é um quarto. É um banheiro.
Ajeitei eu o meu cabelo também e saí sem dizer:
_ Aaaahhhhh... sim! Eu sei, sim! Sei como é. Mas não fala pra ele senão ele monta, viu?
19 de abril de 2010
Como fazer cessar a resistência: render.
Ainda com o corpo dolorido de tanto dançar - o que até rendeu elogios da própria banda, que alegou nunca ter visto uma galera tão animada - fomos subindo a rua, sublimados e exaustos.
Daí parei. À visão daquela casa tão bonita, de tijolos branquinhos e um algo romântico, tive que parar. Fiquei olhando praquelas janelas compridas lá no alto e meus olhos foram descendo até pousar nos dois rapazes sentados à porta, num banco de madeira. Eles pararam de conversar e também me olharam.
_ Oi! - eu disse.
_ Oi! - eles responderam em uníssono.
_ O quê é aqui?
_ Um ateliê.
_ De moda?
_ É. E lá em cima funciona um salão de beleza.
_ Hum... Que casa bonita!
_ É. Vem aí durante a semana pra conhecer.
Ousada como estava e sou, acheguei-me à porta.
_ Hum... Um ateliê... Por isso aquele manequim... Bonito o vestido! Você é designer de moda?
_ Sou sim. Gostou do vestido?
_ Uhum!
_ Quer ver?
_ Quero!!!
_ Tá. Vem.
Entramos e o Alessandro foi me mostrando tudo. Vestidos, camisas e até uma calça-meio-saia que ele fez pra Vanessa da Mata. Olhei tudo e voltamos pro banco na porta.
_ Sabe, eu tava aqui falando com meu amigo, Del, sobre uma peça que vimos esta noite. Se chama A Alma Imoral e...
_ Ah!!! Eu já vi duas vezes!!! É demais!!!
Ficamos conversando sobre a peça, tradição, traição e transgressão, até que mais gente saiu do que fora um show de blues minutos antes. Ao ver o papo empolgado, elas passaram devagar, num jeito de tentar nos entender. Aproveitei pra dizer que ali funcionava um ateliê e em cima um salão de beleza. Levei-as pra dentro e aproveitei pra mostrar a calça-meio-saia que parece calça quando você anda e saia quando você tá parada, feita pra Vanessa da Mata. Expliquei que a especialidade era origami em tecido e elas ficaram encantadas e começaram a perguntar o preço. Chamei o Alê pra responder às dúvidas e voltei pra fora pra conversar mais com o Del.
_ ...E eu tenho uma irmã na Austrália, uma na Dinamarca, irmãos aqui em São Paulo. Mas minha família mesmo tá toda lá em Pernambuco.
_ E sua mãe não ficou triste de você vir também?
_ Não! Minha mãe é uma mulher maravilhosa. Ela sabe que filhos são pro mundo.
_ E você não sente saudades dela e dos seus irmãos?
_ Sinto.
_ E aí?
_ Saudade não é uma coisa que você desliga, que você corta. Você nunca interrompe a saudade. Você vive com ela.
_ Mas saudade dói...
_ Não! Dói pra você? Pra mim não...
_ Pra mim dói! É um sofrimento!
_ Não! Nossa... não é não! Eu não sofro. Saudade é um sentimento bom.
_ Mas é um vazio, uma falta.
_ Não... A distância não termina com o afeto e afeto não pode ser sofrimento.
_ Você não sofre por isso?
_ Não.
_ Pelo quê você sofre?
Ele parou, olhou pro horizonte curto, que ia até o outro lado da rua. Mexeu os olhos num jeito de se examinar a si mesmo, olhando pra fora, mas vendo por dentro.
_ Você não sofre por nada?
_ Olha... Eu procuro viver a vida pela perspectiva do positivo, do prazer, não do sofrimento. Eu fico triste às vezes, mas sofrer... Não... Sofrer não.
Encantada.
Minutos depois, me despedi do desconhecido-irmão e fui pra dentro da casa, dar um tchau pro Alê também.
_ Que signo cê é? - ele me perguntou. E respondemos juntos:
_ Sagitário!
_ Como você sabe?
_ Ah... Porque você é a típica sagitariana. Olha isso! A menina tá até experimentando as roupas. São três e meia da manhã e meu ateliê estava fechado. Você não só abriu, como trouxe mais gente e ainda vendeu minhas roupas! Adorei te conhecer. Foi um prazer, Camila. Obrigado.
_ Magina! Prazer foi meu em conhecê-lo. Nos veremos de novo. Beijo!
Saldo da noite: uma Bia, namorada de um Celso Salim que toca com um Sérgio Duarte (gaita), um Paulinho (batera) e um Márcio (baixista, cuja mesa estava reservada até eu me apossar indevidamente). Mais três caras gaitistas, uma vocalista maravilhosa... Um Gabriel (jornalista), um Alessandro e um Del (estilistas). Mais as roupas do Alê que eu vendi... hum...
É. Foi uma boa noite.
16 de abril de 2010
Pittoresco
“Pamonha, pamonha, pamonha!
Pamonha fresquinha!
Temos cural e pamonha!
Corra que já está acabando!”
Até aí já é bem suspeito que haja duas gravações: uma pra quando a pamonha estiver acabando e outra pra quando ainda tiver bastante. Ou será que o alto-falante já começa anunciando, às 6h da manhã, que a pamonha está acabando? Será que é pra causar uma espécie de pânico social e precipitação coletiva em direção à (toda) pamonha restante?
“Pamonha!
3 por apenas 2 reais!
E traga sua tele-sena!
Trocamos tele-sena por pamonha!”
Opa!
Aí é negócio, hein?
Procurei a dona da voz feminina dentro do carro, mas me deparei com um baixinho bigodudo.
Hummm...
Voz de mulher + 3 por $2 + já tá acabando às 2h da tarde + tele-sena serve + bigodudo
...Não.
...Mesmo que eu gostasse de pamonha...
Vai que é de ervilha!
13 de abril de 2010
Um outro dia daquele mesmo outono
_ Você se acha diferente da maioria?
_ Acho.
_ Por quê?
_ ...
_ O quê a maioria faz que você não faz? O quê a maioria tem que você não tem? O quê te faz diferente?
Ele pensou e disse, numa verdade tão sábia quanto simples e justamente por isso:
_ Eu sou diferente porque a maioria prefere ficar do outro lado do portão do parque.
Olhei pr’aquele verde, pr’aquela meia dúzia de gente e sorri diante da constatação.
_ Ótima resposta.
Algum tempo depois ele me perguntou se eu estava bem. Eu disse que sim, mas que era um equilíbrio frágil, como uma ponte que você não pode pular em cima.
_ Mas pode passar devagarzinho...
_ Sim. E em silêncio.
Aí, quando não dava mais pra ignorar a fome que nem a falta de apetite vencia, sentamos no MacDonald’s.
_ Viny... Olha ali... A moça tá com roupa de ginástica... Ela devia estar malhando. Mas daí sai da ginástica e vem pro MacDonald’s??? Bizarro, né?
_ Não... Cê não entendeu. Vou te explicar a lógica: algumas pessoas gostam muito de MacDonald’s. Mas daí, pra poder comer sempre que quiserem, elas fazem exercícios, pra compensar. Entendeu?
_ Ah... Eu como sempre que eu quero e não faço exercícios!
_ Bom... Nem todo mundo tem a sua sorte – disse ele me apontando.
_ Mas ela também é magra!
_ Ela é magra porque malha.
_ Hum...
_ Mas pode apostar que a coca é zero!
A gente pegou o metrô e ele me deixou na catraca, depois de enxugar minhas lágrimas nas mangas da blusa dele.
_ Obrigada...
_ Eu que agradeço.
Fiquei pensando se ele me agradeceu porque gostava muito de que alguém molhasse as mangas da blusa dele com lágrimas, mas não tive ânimo de perguntar e só acenei.
5 de abril de 2010
31 de março de 2010
Ptú!
Eu escrevo porque preciso vomitar, porque é um jeito de transbordar sem inundar, de crescer, de inchar, de estapear sem machucar.
Escrever não é genuíno, não é generoso, não é são. É um gesto de puro egoísmo e acaso, íntima contravenção.
Ninguém quer saber, mas eu escrevo porque não há outro jeito.
O link de saída é serventia da casa. Quem soube chegar, sabe sair.
E a revolta não é por aqueles que não vêm ou que chegam e saem. Os que me intrigam são os que ficam.
O que é que vocês querem afinal?
Digam, porque pode ser que seja o mesmo que eu nem sei!
Falar é tão bonito, é tão contrário ao ego que move essa serpente cuspindo veneno pelos dedos. Por que não ousa você, bem você, aí?!
O que é que você não comparte porque não comun(ga)ica?
30 de março de 2010
Faz sentido, mas por pouco.
_ Camila Caringela! Como você tá?
_ Bem! Que saudade, querido!
_ É mesmo! Faz tempo que a gente não conversa!
_ E como tá lá na NGTal, a TV onde cê tá trabalhando?
_ Ah... eu saí de lá.
_ É mesmo? Por quê?
_ Porque não tinha a menor condição de trabalhar.
_ Como assim?
_ Óh, primeiro que eu não recebia nada pra estar lá. Mas fiquei dois meses sem um cartucho de tinta na impressora. Outro dia fui fazer uma externa e me liberaram o carro sem gasolina. Esses dias mesmo, ligou uma mulher lá na emissora e perguntou se a gente não assistia a nossa própria TV. Perguntei porque e ela respondeu: “Pô, cês não tão vendo que é a terceira vez que cês repetem o mesmo bloco do programa?”. Fiquei sem reação. Fui conversar com o técnico e perguntei o que é que ele fazia antes de ir trabalhar lá. Ele me respondeu que era auxiliar de escritório e que só tava lá porque ensinaram pra ele como apertar um único botão, caso a TV desse pau. Aí colocaram uma híbrida lá no programa que eu produzia. Pensei, nossa, que legal! Vamos entrar com o expectador por telefone. Massa! Mas o programa é ao vivo e, na hora, a híbrida não funcionou. Claro! Ninguém testou o negócio antes do programa entrar no ar. Mas a gota foi quando, faltando sete minutos pro programa entrar no ar, a galera decidiu fazer a abertura do heliporto. Eu disse que não ia fazer no improviso e eles disseram: “Mas que raio de jornalista é você? Se cair um avião você tem que ir lá cobrir!” e eu respondi: “É, né, filhão! Mas se cair um avião! Se vocês forem lá só pra bagunçar eu vou embora.”
_ E eles foram???
_ Foram.
_ E você?
_ Fui embora.
_ Quanto tempo você ficou lá mesmo?
_ Dois meses.
_ Bastante, hein?!
_ É...
26 de março de 2010
Político ou ideológico?
Daí vamos imaginar que na democracia as pessoas dizem o que querem dizer, pois há, supostamente, só de background, um artigo na constituição desse lugar fictício que diz que as pessoas são livres para se expressarem.
Aí que você faz parte de uma frente ativista, continuamos supondo. Então, chega uma pessoa e te dá uma opinião absolutamente favorável às suas reivindicações, mas que você despreza. Você despreza porque a outra pessoa é branca.
Se fosse o contrário, se o desprezo fosse de um branco por um negro, todo mundo diria que é preconceito. Mas o desprezo de um negro por um branco também o é.
Como lutar por igualdade se continuamos com modelos de atuação excludentes? Desse jeito continuaremos sempre num debate dicotomizado e inconsistente.
Eu vi isso acontecer.
Mas era, tipo, meninas versus meninos.
Leia-se: uma mulher versus um senhor que concordava com ela.
Quer saber? Ainda bem que meu blog é meu!
A entrevista dele foi censurada: http://camilacaringe.blogspot.com/2010/03/falou-e-disse.html
23 de março de 2010
...o prazer foi meu!
_ Ah... Ele não está aqui agora. Está no auditório. Pode ir lá falar com ele.
_ Mas... se ele está no auditório, imagino que esteja acontecendo algum evento, não?
_ Não. Tá tranqüilo. Pode ir lá.
_ Ele não está ocupado?
_ Você o conhece?
_ Não.
_ Vou lá com você pra te apresentar.
_ Ok.
_ Jô, essa moça veio falar com você. Ela trabalha aqui na CSBláblá e queria informações do site.
_ Oi.
_ Oi.
_ Muito prazer moça bonita. Você irradia uma energia tão boa e tão positiva...!!! Hum... O que é raro de acontecer!!!
_ Ah... hum... Muito prazer. Meu nome é Camila. Sou jornalista da CSBláblá e gostaria de saber mais informações sobre uma nota que vocês divulgaram no boletim deste mês e...
22 de março de 2010
Falou e disse!
(para mais informações: http://www.sof.org.br/acao2010/)
Sem elite, sem capataz...”
“Marcha mulher macha, molha o pé, mas não molha a meia!
Viemos de todo o Brasil fazer barulho na terra alheia!”
“Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!”
“Sou feminista
Sou radical
Somos mulheres da marcha mundial!”
Entre hinos feministas e placas auspiciosas, encontrei um homem, também vestido de lilás, observando o movimento.
_ O que é que faz um homem na MMM?
_ Em 75 havia a ditadura no Brasil e a ONU estipulou que aquele seria o ano internacional da mulher. O Brasil não podia deixar de fazer alguma coisa. As mulheres, então, usaram o espaço da Câmara Municipal de São Paulo para fazer a semana da mulher. No primeiro dia, uma segunda-feira, a palestra era sobre a saúde da mulher. Eu fui. Lá havia dois homens: eu, na platéia, e o secretário estadual de saúde. Eu me senti muito incomodado, oprimido, senti certa discriminação. Até me deu a impressão de que naquele momento as mulheres não estavam querendo tanto a igualdade, mas uma vingança. Isso me intimidou e eu não continuei indo. Hoje eu tenho claro que essa luta é contra o machismo e essa luta não é só das mulheres. Ninguém é privilegiado com o machismo, nem a mulher nem o homem, porque o machismo favorece o sistema dominante. O machismo, no fundo, é a lei do mais forte. Da mesma forma eu estaria aqui se fosse uma manifestação contra o racismo. Embora eu não seja negro, eu sou contra o racismo. Se esta é uma manifestação de pessoas contra o machismo, eu estou aqui e daqui ninguém me tira. Agora, se esta for uma manifestação contra os homens, aí eu vou embora.
21 de março de 2010
A primeira noite do novo outono
A água do Atlântico Sul que chegava até os meus tornozelos estava quente às 3h17 da madrugada que antecedia o sol de domingo. O barulho e o cheiro eram típicos de qualquer nostalgia, de qualquer paz de espírito. Ele segurava minha mão e pedia pra eu ir mais devagar, mais pra perto do mar e mais adiante.
_ O céu tá muito nublado.
_ Tá...
_ Eu queria ir dar um mergulho.
_ Vai!
_ Mas tem uns patos ali! E se eles bicarem meu saco?
_ Não vão...
_ Vão sim! Alá! Tem um cara que vai passar agora pelos patos. Se eles não forem agressivos com o cara, eu vou lá.
_ A razão serve pra isso, né? Pra brecar os instintos. Faz sentido quando você tem vontade de roubar ou bater em alguém, mas não quando você está na praia e tem vontade de entrar no mar.
_ Por quê? Você tem essas vontades constantemente?
_ Ah... vai logo! Entra lá!
_ Se os patos pegarem meu saco... você vai ver só!
_ Não vão pegar não!
_ Mas eu tô de samba canção!
_ E daí?
_ Olha! Tem um pato aqui! Mas... péra... Isso não parece pato.
_ E não é! Deve ser...
_ ...o quê...?
_ Garça! Sei lá...
_ É! É mesmo! Pode ser... Garça não bica saco. Pato é que bica. Então vou lá!
_ Vai!
Fiquei na areia olhando enquanto ele deitava no raso e sacudia os braços, como quem se afoga em 10 centímetros de profundidade. Depois que eu ri o suficiente pra ele, levantou e foi andando mais pro fundo, e mais pro fundo, e mais pro fundo. Sumiu algumas vezes e reapareceu. Eu fiquei ali, olhando um quadro vivo à luz de um amanhecer pacato e deserto, branco e ralo naquela areia fina. Ele voltou encolhidinho, com as mãos na frente do que ele queria tanto preservar dos males dos patos que eram garças, ou qualquer coisa assim. O cabelo grudado na cara, pingando e tremendo de frio.
_ Dá minha camiseta.
_ Não.
_ Daí!
_ Dá uma sacudidinha primeiro.
_ Assim? - me enxarcando.
_ Isso! Só que mais pra lá!
Vestiu-se e deitou ao meu lado.
_ Cá!
_ Hum?
_ Tá vendo aqueles pássaros ali, voando bem longe?
_ Um-hum.
_ Então... Será que se eles cagarem de lá do alto, a bosta chega aqui na gente?
_ Não sei...
_ Deve chegar, né? Mas como é que chega? Será que desintegra no ar?
_ Não... Acho que não... Eles precisariam estar um pouco mais pra fora do planeta pra atmosfera desintegrar a bosta.
_ Não... Sim... Mas... Não vai chegar um jato na nossa cara aqui, né?
_ Ah... não... Acho que não...
_ Acho que vai tipo dissolver no ar...
_ Não... Acho que só ia espalhar. Tipo, o pássaro caga lá agora. Daí a mesma bosta bate aqui na gente e lá naquele carrinho da Kibon, sabe? Acho que se espalha bastante.
_ Ah...
_ Mas a gente ia sentir!
_ Será? Acho que não!
_ Ia sim! A gente ia ver!
_ Mas seu casaco é preto!
_ Argh! Será? Não... acho que não... Acho que a gente ia ver alguma coisa caindo...
_ É... talvez...
Queria ter trazido um terêrê no cabelo, mas não deu. Um moço da feirinha disse que eles começavam a abrir às sete, quando eu perguntei às sete para o único feirante presente, depois do cara dos chapéus.
_ Mas tem uns que só abrem na hora do almoço, lá pro meio-dia...
_ Meio-dia??? De domingo???
_ É. Só abre mais cedo quem precisa vender. Quem não faz questão abre só mais tarde.
Olhei ao redor e percebi que esta deveria ser a situação da maioria.
_ Obrigada.
Tomamos café da manhã e partimos sem terêrê mesmo.
19 de março de 2010
Amigos
_ O quê???
_ Eu disse que queria casar e ele disse que não queria!
_ Jura???
_ Daí eu disse que queria ter filhos e ele disse que agora não!
_ Mentira!!!
_ Daí eu disse pra gente morar junto e ele disse pra esperar!
_ Que horror!!!
_ E você não sabe da última! Ele disse que eu leio Simone de Beauvoir, mas tô louca pra ser a mulherzinha dele!
_ Hum... É. Aí eu vou ter que concordar...
___________________________________________
_ Você não sabe! Olha o que ele me falou!!!
_ Hum.
_ E ele disse isso!!!
_ Hum.
_ Mas não é assim!!!
_ Um-hum.
_ Eu tentei evitar!!!
_ Hum.
_ Que cê acha?
_ Ah... acho que ele tá certo. Foi honesto, Fê.
_ PUTA QUE O PARIU, Camila!
18 de março de 2010
Eu vi.
Eu vi um índio
perdido no metrô.
E ele estava sério,
parecia bravo,
parecia confuso.
O índio ali,
no meio da multidão,
só não destoava mais
porque o que de mais distinto tinha
ainda era semelhante:
a morenice.
Eu vi.
Eu vi um índio.
Uma espécie em extinção
passando bem na minha frente,
quase despercebido.
E ele estava perdido.
Dentro de um terno
e de um nó de gravata.
Eu vi.
Um extinto índio
jovem distinto.
16 de março de 2010
15 de março de 2010
Híbrido
_ Você é gostoso, motorista! – e saiu, levantando o vestido onde desceu, mostrando suas vergonhas para os próximos cidadãos decorosos a contemplá-lo na desventura daquele dia claro.
12 de março de 2010
Putz.... que bad...
Belletti, jogador brasileiro do Chelsea, em sua página no Twitter. Ele flagrou a babá na arquibancada do Emirates Stadium, em Londres, assistindo a Brasil e Irlanda.
Ah, mããããnu... Quer fazer, faz direito, né?
Pelo menos não levasse a faixa.
11 de março de 2010
Quem não levanta a mão!
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Churrasquinho grego.
Jura que você não tem vontade de vomitar à visão daquilo?
Nem quando lê?:
“Churrasco aqui. Vinagrete + queijo + dois sucos + troco de R$ 0,50 por apenas R$ 0,25!”
Bom, pra mim é demais ver aquela gordura escorrendo na frente do bonitão afiando a faca para servir a próxima vítima. Tapo o nariz e atravesso correndo.
8 de março de 2010
álogos di alas
Porque a história só anda pra frente, a palavra saída do pensamento não pode voltar. Deve seguir em procissão com suas ascendentes e descendentes.
Mas o mastigar. O mastigar me agrada. É preciso ser um bom mastigador pra pronunciar as suas e digerir as alheias. Palavras. Esse movimento de língua e dentes fabricando sons de trituração rápida em semifusas difíceis de agarrar. É por isso que a gente perde de vez em quando. Porque são escorregadias as danadas. O contexto que a gente inventa é volúvel porque são fugazes as pobres, mas turronas as ricas. Tem palavra que venta que a gente nem vê, mas tem umas com pregas que encaixam no coração depois que a gente engole e caem na corrente sangüínea. Mas tem umas que a gente urina.
De qualquer forma, é uma ginástica falar. Habilmente, então, é arte. Ma-la-ba-ris-mo que só pode quem pode. Pa-ra-le-le-pí-pe-do que, ops!, de fácil que é tropeçar. Invenção. Quando é nossa ainda vá lá, mas ser de outro?! Metilcloroizotiazolinona, por exemplo. Tem no xampu. Um palavrão dos quase impronunciáveis e pra quê se ninguém entende?
...Tudo bem... Nem entenderiam esta hemorragia de verbos aqui também, vontade esganada de aparecer nesse palavrório. Um oratório, uma platéia. Idéia. Era disso que a gente precisava a vida toda: álogos alados.
5 de março de 2010
Como assim?
...
E eu???
4 de março de 2010
A energia meticulosa e perfeita
_ Não.
_ Mas você me ama?
_ Sim.
_ Então fica comigo?
_ Não.
_ Mas você me ama?
_ Sim.
_ Então por que não fica comigo?
_ Porque não.
_ Mas você me ama?
_ Sim.
_ Então por que não fica comigo?
_ Porque o amor não basta.
_ O quê é que basta?
_ Tudo o que o amor abarca.
_ Como o quê, por exemplo?
_ Respeito, companheirismo, paciência, tolerância, solidariedade, empatia...
_ Mas você me ama?
_ Sim.
_ Então diz.
_ Eu digo, mas você não ouve.
_ Você não tá dizendo agora...
_ É que eu já disse antes, de muitos jeitos...
_ Diz agora.
_ Não.
_ Mas você me ama?
_ Sim.
_ Então diz!
_ Não.
_ Então fica comigo?
_ Não.
_ Por que não?
_ Porque um par é mais do que um mais um.
_ Então fica comigo!
_ Não.
_ Por que não?
_ Porque o amor não basta.
_ Por que não?
2 de março de 2010
Móvel
Além disso, uma bela noite sem sono pode servir para encontrar objetos perdidos na bagunça de casa, colocar a leitura em dia (ou em noite, rá-rá!), preencher espaços vazios entre linhas vítimas de uma caneta ensandecida ou... sei lá! Existem milhões de coisas legais e muito úteis para se fazer numa madrugada insone.
...Dormir, por exemplo!
23 de fevereiro de 2010
21 de fevereiro de 2010
17 de fevereiro de 2010
Não resta nada quando não resta nada
11 de fevereiro de 2010
Ensaio sobre a beleza
Depois de uma noite inteira no “beber para esquecer”, estava eu, às quatro e meia da manhã de uma quinta-feira, numa rua semi-deserta, quando uma mendiga tentou me animar:
_ Você! Você é uma ótima pessoa!
_ Eu?
_ Sim!
Sentei no canto da calçada, bem de frente pra ela:
_ E por que você acha isso?
_ Ora, porque você é linda. E a beleza vem de dentro pra fora. Logo, você não pode ser uma má pessoa.
(((chocada)))
Aquilo, embora não fosse necessariamente verdade, fazia bem sentido! Pensei em perguntar se ela tinha sido sofista e por isso estava na rua, mas:
_ Você está sozinha?
_ Não. Estou esperando o meu amor.
_ E onde ele está?
_ Lá! – e apontou pra descida da rua.
_ E por que você não vai lá atrás dele?
_ Porque eu não posso.
_ Por quê?
_ Porque senão me pegam.
_ Quem pega?
_ As serpentes.
_ humm...
_ Tenho que ficar aqui até amanhecer.
E um grito rompe o silêncio:
_ Camila Caringe!
_ Olha! São meus amigos. Eu tenho que ir.
_ Ah... tudo bem.
_ Boa sorte.
_ Pra você também! Tchau!
10 de fevereiro de 2010
Os decibéis levaram
Daí passou.
8 de fevereiro de 2010
Gosto de tangerina.
“Gosto de tangerina.”
Imagina que a frase fosse legenda de uma tangerininha que eu desenhei aqui pra vocês, óh:
Daí que pensa só: numa frase tão curtinha e pouco significativa pode caber um equívoco tão grande. Imagina então em uma frase tipo assim:
“Elvis não morreu”
“O homem pisou na lua” ou
“Eu não quero mais te ver, boa sorte.”
Vaaaai que alguém interpreta errado. Ou pior! Vai que alguém acredita nisso!!!!
5 de fevereiro de 2010
2 de fevereiro de 2010
28 de janeiro de 2010
Pura implicância
Menina: _ Por que você ainda não dormiu?
Menino: _ Porque eu não estou com um pingo de sono.
Menina: _ Mentira. Tá sim.
Menino: _ Não, não tô. Mas você sabe mais de mim do que eu, né? Longe de mim querer saber de mim.
Menina: _ ...
Menino: _ ...
Menina: _ ...
Menino: _ (((ronco)))
27 de janeiro de 2010
Nostalgia
Eu, particularmente, não gostava de misturar as cores. Ficava com dó. A mesma dó que eu tinha de riscar o livro.
_ E se depois outra pessoa precisar? Já vai ter as respostas! Não pode!
E eu não riscava. Então também não misturava. Quando fazia gentes, sempre me preocupava em não apertar muito os olhinhos pretos na cara, pra depois poder desgrudar. De qualquer forma era uma dor no coração. Ter que desmontar tudo que a gente levou horas no maior capricho pra fazer e vai-se embora de volta na caixa em forma de bolota outra vez. E eu pensava que eu era boba, porque as outras pessoas misturavam as cores todas sem dó. Tinha vezes que eu pegava umas indistinguíveis: verde com marrom e roxo, por exemplo. O que se faz com isso? Não podia ser casa, não podia ser gente, não podia ser nada. Uma cor feia daquela espantaria moradores e amigos. Será que as pessoas não pensavam nisso? Ainda que misturassem, mas tinha que ser uma combinação tão tão horripilante?
Eu ficava brava e pedia pra professora trocar aquela bolota pra mim.
Mas legal meeeesmo era quando era nova, que vinha no potinho. Tinha cheirinho de chiclé e eu tinha vontade de morder. Uma vez mordi e ficou tudo grudada no meu dente. Descobri aí que o gosto não valia o cheiro e desisti. Anos mais tarde provei um sabonete azul e confirmei a tese. Mas pelo menos sabão deixa limpinho.
_ E aí? É bom?
_ Não. Eu não gostei... (Ptú!) Que ruim...
_ Ah... então eu não vou colocar na boca, não... Já comi areia esses dias e também não gostei...
_ É... areia não parece bom. Mas massinha pareciiiiia...
Comprei um saquinho ontem.
Abri e senti o cheirinho de chiclé. Mas essa é da boa. Já vem molinha.
Fiquei apertando na mão uma bolotinha vermelha. E não peguei outra cor até guardar a primeira, pra não misturar. Agora sou eu que decido quem vai brincar porque a massinha é minha! E não vou deixar ninguém misturar e fazer cores feias.
...Nem morder.
21 de janeiro de 2010
11 de janeiro de 2010
Start!
_ ¡Buenas tardes, señorita!
_ Mas aqui é o consulado dos EUA. Você deveria dizer isso em inglês, não?
_ Ah... É que em inglês eu não sei. - respondeu o segurança.
Um guichê pra cada coisa, só não muda a expressividade.
_ Documentos?
_ Aqui.
_ Preciso de uma foto sua sem franja. Tem?
_ Não.
_ Ok.
Ok?
Fantástico.
Algumas pessoas até se comportam como robôs, pra elevar o nível da performance:
_ Hola por favor maum djireita. Isquerda. Dedos assim chuntos. É só esperar obrigada tchao.
_ Ah... bem... obrigada.
Próximo guichê:
_ Vai fazer o quê lá?
_ Vou acompanhar uma reunião de... blá blá... convidada da ei-éf-él-ci-ai-ou e minhas despesas... ai-ou-él.
_ Ok. Pegue seu pásspórt na sexta.
_ Obrigada.
Não sei se foi sorte, se foi pela palavra "jornalista", "sindicalistas", "reunião", se foi pelas siglas, se foi um colapso de ondas de possibilidades quânticas, uma coincidência aleatória ou a noite anterior do cônsul. Mas... B1/B2 de 5 anos.
_ Sééério? O meu foi negado. Me fizeram um monte de perguntas, o cônsul começou a falar inglês comigo, fui tão humilhada... Saí de lá chorando. Odeio os americanos.
_ Que ruim.
E fui.
18 de dezembro de 2009
12 de dezembro de 2009
11 de dezembro de 2009
8 de dezembro de 2009
Ambigüidades são demais!
(A notícia era sobre cachorro-quente estragado!)
"Vendem-se lençóis para casal de algodão”
(Desconfio que a pessoa quis dizer: vendem-se lençóis para casal fofinho... hummmm)
"Estamos acabando com os pobres"
(Meu Deus! Mas como? Fazendo-os fugir jogando água, igual o Kassab fez em São Paulo, ou estão usando um método mais humano, tipo afogando?)
"Subindo a serra, avistei vários animais"
(Quem subia a serra: a pessoa ou os animais?)
"Eu noivaria com você, Verinha, se tivesse um pouco de dinheiro"
(Poxa... Jogou na cara... Ser gente boa não serve pro namorado da Verinha, hein? Se eu fosse ela largava ele!)
7 de dezembro de 2009
I did it myyyyyy... way
Sentei de volta, naquele vermelho vinho derramado em volta, num jeito de testar minha paciência outra vez. Mas era um frio sobrenatural. O casaco não aplacava. O cansaço não vencia. O sono não chegava.
Subi vagarando as escadas, olhei no espelho aquela palidez de 5h30 e desci. Silenciada.
Desajeitada procurei as chaves. E as testei, pedindo ao eco que respeitasse a paz dos que dormiam. Implorei.
Primeiro uma, depois duas, depois três. “Liberdade!” – pensei.
Voltei pra dentro da casa, peguei a mochila ainda largada na mesma mesa e saí ansiosa.
Tranquei por fora e passei a cúmplice daquela fuga desconexa por debaixo da porta de carros.
Virei e fui e imediatamente quis voltar. Enquanto olhava pra frente, pensava num jeito de entrar de novo debaixo daquele abraço que eu sabia onde dormia. Examinei mentalmente todas as possibilidades, mas nenhuma parecia possível.
Tocar a campainha, acordar a casa inteira e explicar que me tranquei pra fora? Não.
Pular? Não.
Gritar o nome dele da calçada? Não.
Ligar do orelhão e pedir pra alguém abrir pra mim, porque eu fugi de madrugada e queria voltar? Não.
Não titubeei por fora e continuei andando.
Antes de chegar no ponto um homem passou de bicicleta.
_ Moço, eu me tranquei pra fora de propósito, mas tô arrependida. Me ajuda a pular o portão da garagem?
Não faria o menor sentido. Ignorei aquela idéia como ignorei as anteriores e continuei andando pra frente.
“Engole essa liberdade agora, idiota.”
Engoli.
No ônibus ainda pensava num jeito de voltar. Mas o trabalho extra de não saber nem que ônibus faria que caminho me fez desistir e prestar atenção no Sol provocando a vida.
Não sou fã do cedo do dia, nada pessoal. Mas já que eu tava ali, a janela tava ali, o céu tava ali, metade laranjão metade azulzinho, porque não bater um papinho? Em silêncio.
Foi o que eu fiz. Fizemos.
Ficamos nos olhando o Sol e eu.
E, sem mais nem menos, quando me dei conta já tinha ido mesmo.
Cedi à tentação de ir por não ter cedido antes à de ficar...
_ Sua malucaaaaaaaaaaaaa!!!
...Sem nenhum arrependimento.
É que prefiro não estar onde não estou e me sentir sozinha por estar, de fato, sozinha.
E fui.
_ Retardada!
_ Ah, pára. Eu vou pra onde eu quero. Sou bem grandinha.
_ Não precisava fazer assim...
_ Esse seu papo tá me lembrando um amigo meu, que diz que sou arredia.
_ Indomável. É uma palavra boa pra você: indomável.
_ Ah, é! Essa também. Era uma das preferidas da minha mãe. Ela sempre usava essa.
3 de dezembro de 2009
Lover's miths
_ Nossa, ela mora ali, vovó?
_ Sim. Dizem que ela perdeu o juízo quando perdeu o amor. Um moço bonito que andava ao redor dela. Mas amar não bastou. Depois disso, viver também não.
_ Nossa...
_ É...
A noiva de Garibaldi certamente não foi a única.
1 de dezembro de 2009
Eu vi - Parte II
_ Mas o motorista é a autoridade dentro do ônibus. Não vai fazer nada, motorista?
_ ...
_ Pois bem.
No ponto seguinte, próximo à Paulista, a senhora sai na porta e grita para dois policiais:
_ Por favor, senhores! Venham até aqui! Preciso de ajuda.
Entraram dois.
_ Este senhor me ofendeu, me agrediu verbalmente, está sentado em local reservado e disse que está para nascer o homem que vai tirá-lo daí.
O policial se dirige, em voz baixa e mansa para a criatura:
_ O senhor pode liberar o assento, por favor?
_ Claro. Pedindo com educação, sim. Mas ela não tinha pedido com educação, sabe?
Uma risada soou em uníssono. Mas eu não consegui rir. Estava com vergonha dele por ele.
A senhora se sentou e os policiais não deixaram o ônibus até que ela desembarcasse. Quando ela foi, o sujeito continuou reclamando. Foi aquela parte:
_ Depois leva uns tapa na orelha e não sabe por quê. Tem que levar pra aprender. Velha trouxa, xarope.
Esta última ela não teve o dissabor de ouvir. E eu desci. Portanto, não ouvi mais também. Mas e se não fosse perto da Paulista? E se não houvesse policiais por perto?
"Tem que levar pra aprender."
30 de novembro de 2009
Eu vi
26 de novembro de 2009
Inexplicáveis
O relógio de parede marca duas horas da manhã em ponto. A Camila entra na sala e olha a bagunça.
_ Ué... Que cê tá fazendo?
A outra responde, debaixo da mesinha do computador:
_ Tô fazendo uma limpeza aqui.
_ Quer ajuda?
_ Não. Por enquanto não...
_ Hum...
_ Onde cê vai?
_ Na cozinha pegar água, se você deixar.
_ Ah, tá. Pode ir, sim.
E a Camila volta.
_ Qual o problema?
_ Meu computador. Ele não tá ligando.
_ Ah...
_ Memória tá certa... tchô ver aqui...
_ Não... é que você não tá sabendo apertar o botão direito. – “click”
Vummmmmmm
_ Olha, o cooler tá funcionando... Ligou!
_ Rs
_ Como cê fez isso?
_ Eu falei que você não tava sabendo apertar o botão direito...
Close na cara de pastel dela.
_ Boa noite, Natália.
Descem as cortinas.
23 de novembro de 2009
Cumé?
_ Não sei.
_ Eu preciso de assistência técnica.
_ Ah... Bem, o senhor tem que se informar. Aqui tem um localizador, olha. É só procurar o nome da loja por andar.
_ Filha de Iemanjá... você tem uma santa muito bonita, viu?!
_ hum?
Isso me lembrou o diálogo com a mãe médium de um amigo meu:
_ Você tem uma energia mental tão forte que até me dá uma dor de cabeça, sabe? Não tô acostumada com isso...
_ Ah... poxa... Desculpa... É pra eu ir embora, não?
...Gente estranha...
22 de novembro de 2009
5 de novembro de 2009
....Tava aqui pensando
Los líderes del G20 acogieron favorablemente el Pacto Mundial para el Empleo de la Organización Internacional del Trabajo (OIT) y la construcción de “un marco orientado hacia el empleo para el crecimiento económico futuro”. La Declaración de los Líderes del G20 fue presentada a la prensa en Pittsburgh el 25 de septiembre por el Presidente Obama.
Daí veio o comentário:
Enviado el 05-11-2009 a las 2:40
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Sem contar as propagandas de Valium.
Sei lá... Acho que mesmo pra ser um disparador de spams frenético, neurótico, anti-ético, ninfomaníaco e depressivo é preciso cérebro, né? O fulano não sabe nem escrever direito!
...Mas num sei... Num sei...
3 de novembro de 2009
Um papinho rápido no metrô
_ Hã?
_ Você. Tá lendo Nashudin?
_ Ah... não. Eu não.
_ É que eu li aqui - e aponta para o meu livro.
_ Não. Eu estou lendo um livro sobre física quântica de um cientista indiano chamado Amit Goswami.
_ Ah! Legal! Eu gosto de física quântica. É que eu gosto de misticismo, por isso gosto de física quântica. Você gosta de misticismo?
_ Não. Acho que comigo é o contrário. Talvez eu goste de alguma coisa do misticismo porque gosto antes de física quântica.
_ Você gosta de física?
_ Eu gosto de saber.
_ Ah... Gosta de psicologia?
_ Ahãn.
_ Então posso te recomendar um livro?
_ Pode.
_ A Ascensão de Prometeus, de Robert Wilson. É muito legal, saca, porque ele, tipo... e ele... dos estágios do cérebro humano e... daí... dos animais... da vida... do mundo... do universo e tudo mais, saca?... de Freud... anal, oral, LSD, quando ele sai da cadeia... e Jung... fase dos traumas... as drogas... o barato místico, tipo... porque eu acredito em fadas, mas os discos voadores podem ser o nosso cérebro buscando no nosso DNA informações que... saca?
[fecho o livro]
_ Desculpa. Não estou deixando você ler, né?
_ Não, tudo bem. Pode falar.
_ Então, porque daí eu tô aqui aproveitando esse momento com você, mas você vai embora e a gente pode nunca mais se ver...
_ Você vai descer em qual estação?
_ Na Barra Funda. E você?
_ No Anhangabaú.
_ Tá indo pro trabalho?
_ Sim.
_ O que você faz?
_ Sou jornalista.
_ Legal. Tem muito jornalista legal, mas tem uns que não são não.
_ É...
_ Que signo você é?
_ Sagitário.
_ Legal. O melhor signo de fogo.
_ E você?
_ Áries.
_ Hum.
_ Ah... mas, tipo, eu sou um ariano fajuto, porque meu ascendente é peixes, saca? E eu tenho uma filha, né? Ela tem 3 anos. O meu elemento de afinidade é o ar, por isso Ariel, mas ela é virgem com ascendente em touro, ou seja, ela é da terra, que é o elemento oposto, tipo. Mas eu não acredito no fim do mundo, saca? É só a Era de Aquário e alguma coisa tá acontecendo, saca? Tipo...
Tu-tuuuum.
_ Prazer, hein, Camila.
_ Prazer foi meu. Té mais.
2 de novembro de 2009
Como você sabe que sabe e que diferença isso faz?
“A normóse, ao lado da psicose e da neurose, é a doença que torna medíocres os seres humanos, conduzindo uma vida sem meta, sem fulgor, sem paz, sem significado, sem vigor, sem criatividade, sem felicidade, sem aquilo que em verdade poderíamos chamar euforia. Um normótico é o tipo engendrado pela coletividade, por ela condicionado, e dela dependente. É o tipo tido por normal na sociedade em que vivemos. Normótico é o mesmificado, que, sempre buscando ajustar-se ao coletivo, perde sua identidade e faz todas as concessões aderindo à dança dos modismos que se sucedem.”
28 de outubro de 2009
Salva pelo gongo
_ Meu, tem muita barata aqui, hein?
_ É.
_ E são todas pequenininhas. Quer dizer, se tem filhote, tem mamy e papy também, né?
_ Ah... não. É a raça da barata que é assim mesmo. É modelo pequeno, elas não crescem.
_ É mesmo? Não sabia que existia essa marca, tipo, mini-barata. Que fofo, né? Deve ser pra criança.
_ Rsrs...
_ Mas sabe, eu venho aqui e tenho mó medo que dentro da minha garrafinha caia uma barata junto com a água. Porque tem esse caninho aqui e eu acho que...
_ Ah, elas entram! Entram sim!
_ É? Então o que você tá me dizendo é que a água está contaminada?
_ Isso. Isso mesmo.
_ Ah... (jogando a água na pia) Brigada, hein?!
_ De nada.
Ufa! Beeem melhor ficar com sede.
25 de outubro de 2009
Do machismo feminino
Custa ele desviar a gente do matinho, do buraco ou do poste enquanto a gente anda sem olhar pra frente?
É tão difícil assim carregar a nossa mochila, entender nossos surtos de comunicação reprimida, decidir de uma vez o filme ou o restaurante quando a gente diz, despreocupadamente, “tanto faz... escolhe você”?
E, depois de sutiãs, marchas, revoltas, greves, passeatas, febres, alucinações, máquinas, sexo, jogos, política, direitos, deveres, mutilações, anticoncepcionais, TPMs e mortes, eis:
“Mas o indivíduo raramente é capaz e propenso a admitir que vê o mundo através do prisma de gerações passadas, que a sua inovação tem uma base estritamente determinada, uma base de que ninguém consegue desprender-se inteiramente.”
A. Schaff, 1974
15 de outubro de 2009
Action day - meu blog na mão do contra
500 bilhões de sacolas por ano quer dizer 1,5 bilhão por dia ou 1 milhão por minuto. Os dados são da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo, que afirma ainda que no Brasil são produzidos anualmente 210 mil toneladas de filme plástico, com o qual são fabricadas as sacolas. As estimativas revelam que os brasileiros jogam fora, todos os meses, um bilhão delas, o que dá uma média de 66 unidades para cada consumidor.
Agora, se é pra refletir, vâmo refletir:
Como levar suas compras pra casa se os mercados só oferecem sacolinhas de plástico?
Com sacolas de pano, claro.
E você tem na sua casa sacolas de pano disponíveis para fazer uma compra de mês?
Sua vizinha tem?
Seus familiares têm?
E seu lixo? Descarte as sacolinhas. Onde é que você vai dispensar seu lixo? Em sacola de pano, também? Ou solto? O caminhão vai parar na sua porta e você vai sair correndo de pijama, na madrugada, e fazer várias viagens da cozinha até o portão até que todo o seu lixo tenha sido levado sem embalagem?
Please, né?
É o tipo da coisa que ou é coletiva ou não é.
Iniciativas individuais são louváveis. Iniciativas coletivas, públicas e cidadãs, são realistas.
Eu não tenho a solução.
E você?
12 de outubro de 2009
Despautérios - Da série: falta de tato é pouco, errar é humano e perdoar é pros fracos
_ !!!
__________________________________________________
_ ...E Jesus disse: “Não jogai pérolas aos porcos.”
_ É mesmo? Ele disse isso aí?
_ Disse sim. Por quê?
_ Ah... ele disse um monte de besteira, mesmo, né?
_ ...
_ Você é cristã?
_ Uhum.
_ Ah... Foi mal.
8 de outubro de 2009
Da série: singelas descobertas cotidianas
Eu conheço uma pessoa bem humana. Descobri esses dias que a criatura com quem eu moro é mega-humana.
_ Olha! Tá nascendo! Tá nascendo! Tá nascendo!
_ O quê tá nascendo? A sua batata feia?
_ Não é batata feia! É dália. A flor é linda e parece que tá brotando, olha!
Olhei no fundo do balde enquanto ela saía correndo da varanda e voltava aos pulos:
_ Vou filmar o nascimento!
_ Você vai filmar esse teco de coisa verde aí que cê nem sabe se é ou não sua batata feia?
_ Não fala assim! Vou registrar esse momento!
_ Tá, né. Mas... Por que você plantou num balde? Não era melhor um vaso?
_ Isso é um vaso! Eu mesma fui comprar junto com a terra adubada.
_ Ah... foi mal.
E fiquei na janela olhando ela filmando o micro-talinho de grama de 3 milímetros. Nessa hora notei que eu, apesar de pessoa, talvez não seja tão humana. Hiléia, que faria comigo? Decerto minha amiga estaria salva no paraíso das flores de dália enquanto eu queimaria no mármore do inferno dos ecoxiitas. Logo eu, militante de coração e contrato.
(((suspiro)))
6 de outubro de 2009
Dos erros, desejáveis como inevitáveis
_ Que bom vê-la novamente, senhorita Caringe. O que está fazendo da vida?
_ Estudando jornalismo.
_ É mesmo? E o que a sua mãe acha disso?
_ Olha... ela não se manifestou contra, contanto que eu pague a faculdade.
_ Sim, mas ela gosta da idéia de você fazer isso?
_ O quê? Uma faculdade?
_ De jornalismo.
_ Não tenho muita certeza, mas acho que ela não vê problema.
_ Ah... Mas que pena...
_ Hum?
_ Andam morrendo tantos jornalistas por aí...
_ Hum...
_ Se eu tivesse uma filha eu não ia deixar ela ser jornalista, sabe?
_ É mesmo?
_ É. Uma profissão horrível.
_ Hum...
_ E você quer trabalhar com isso mesmo?
_ Sim.
_ Puxa, que coisa... Mas ainda dá tempo de repensar, né, Camila? Não é só porque você fez faculdade que tem que trabalhar com isso, não é mesmo? De repente você descobre algo que te faça feliz, que te dê futuro...
_ Obrigada, professora. Bom te ver, hein? Té mais!
Não. Não há mais tempo de descobrir outra coisa que me dê futuro, que me faça feliz...
******
Día del Periodista
Por Carlos Ortiz Cornejo, Secretario General Adjunto de la FGP
Rebanadas de Realidad - FGP, Lima, 02/10/09.- El 1º de octubre de cada año en el Perú se celebra el DIA DEL PERIODISTA, pero no crean que todo es felicidad en este día para los periodistas y, aunque muchos aseguran que es una profesión que pasa desapercibida, continua siendo una de las profesiones más peligrosas actualmente en el mundo por la forma en que en muchos países, incluido el nuestro, los hombres y mujeres de prensa son perseguidos, encarcelados, torturados y muertos por el solo hecho de decir la verdad y denunciar actos de corrupción que se ocultan bajo el manto protector de muchos gobiernos de turno. Ser periodista no es fácil en esta globalización de la información, es meterse en algo difícil, aunque se dice que el periodismo es el Cuarto Poder del Estado y que los gobiernos aseguran el derecho a la información e investigación vemos que es todo lo contrario. Basta dar una mirada para darnos cuenta como tratan a los periodistas, sobre todo a los honestos que tratan de cumplir a cabalidad con su conciencia e informar con la verdad a la opinión pública.
En el Perú ese día, se ha celebrado con una serie de problemas que afectan al gremio periodístico, recibiendo la como siempre la incomprensión de los poderosos que tratan por todos los medios de silenciar a los periodistas de los medios de comunicación que se atreven a decir la verdad. Podemos señalar como ejemplo la amenaza o el cierre de radios contrarios al gobierno como lo que ocurrió con Radio Bagua que recibió este día del periodista en plena disputa por la reapertura de la emisora, clausurada meses atrás por el Ministerio de Trasportes y Comunicaciones que alega razones técnico-legales para clausurar esta emisora. Sin embargo, los hombres y mujeres de prensa sostienen que la licencia de la emisora fue en realidad revocada porque la radio informó con amplitud la larga protesta de los indígenas amazónicos y sobre los disturbios del 5 de junio pasado que dejó como saldo 34 muertos por lo que el gobierno acusó a Radio Bagua de exacerbar los ánimos y muchos congresistas del Partido Aprista pidieron abiertamente su clausura lo que fue rechazado por las organizaciones gremiales y por diversos sectores políticos, así como por entidades internacionales. Los periodistas como en este caso, siempre son acusados por los poderosos y los políticos por difamación cuando ellos denuncian los malos manejos de los que dirigen y controlan el poder político y económico de nuestro país. Se suma a esto, los abusos que cometen los dueños de los canales de televisión, diarios, que reciben jugosas cantidades de dinero por parte del Estado para difundir propaganda estatal pagas con el dinero de todos los peruanos a través de los impuestos. Estos malos empresarios tampoco pagan salarios dignos, ni cumplen con las leyes sociales de los periodistas, mientras por otro lado el Poder Legislativo -hoy subastado por ineficiente ocasionado por el debilitamiento de los Partidos Políticos- solo busca la forma de dar Leyes a favor de los grupos de poder económico, otorgando poderes extraordinarios al Poder Ejecutivo para que legisle y así libremente pueda privatizar y vender los pocos recursos naturales que nos quedan. Sin embargo, vemos que a este Poder del Estado le queda tiempo suficiente para buscar alguna ley que sancione drásticamente a los hombres y mujeres de prensa honestos mientras los corruptos gozan de privilegios en cárceles doradas o con arrestos domiciliarios o simplemente gozan de las bondades del poder que los convierte en intocables ocupando cargos de confianza con jugosos sueldos mientras que la mayoría no llega a los 300 dólares americanos al mes.
No podemos dejar de mencionar que en lo que va del año 126 comunicadores sociales sufrieron algún tipo de agresión por cumplir con el sagrado deber de informar con la verdad. De ese total de actos hostiles a los hombres y mujeres de prensa, 28 fueron amenazas u hostigamientos, 36 fueron agresiones físicas o verbales, 24 acciones de presión jurídica, 17 obstrucciones al ejercicio periodístico, la cuenta incluye siete detenciones arbitrarias e igual número de actos de presión administrativa de dos secuestros y cinco ataques con daño a la propiedad. Los atentados fueron cometidos por civiles privados, 41 por funcionarios civiles, 19 por militares y policías e igual número por elementos no identificados. Las víctimas fueron 56 periodistas de radio, 40 de televisión y 30 de prensa escrita.






