13 de novembro de 2007

Por falar em fila...


Ainda pensando sobre as filas, e aproveitando que hoje é terça-feira e não há censura de assuntos sérios como a sexta obriga, reflitamos sobre essa forma de organização odiosa...
A princípio as pessoas parecem permanecer em fila porque não encontram um meio de burlar a convenção. Mas há pessoas que, ainda que encontrassem uma maneira, ficariam em fila, porque acreditam nessa forma de organização do aproveitamento de recursos limitados diante da demanda. Muita gente, pouco serviço ou produto, resulta em fila.
Mas ultimamente existe fila pra tudo! Onde você vai tem fila! O próprio trânsito é uma variação camuflada de fila. Existe até fila para pegar a fila! As filas nas catracas do metrô, por exemplo: você entra na fila para comprar o bilhete. Aí entra na fila para passar a catraca e depois mais fila para entrar no vagão. E para sair dele!
Odeio filas! E, o que é pior (!):
Eu não tenho uma idéia melhor!

12 de novembro de 2007

FUVEST/ 2008


A Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST) divulgou nesta segunda-feira (12) que as vagas de 2008 para jornalismo foram as mais concorridas este ano entre os cursos oferecidos pela Universidade de São Paulo (USP), com 41,63 candidatos por vaga.

Não sei se é pelo deslumbre, pela carreira, se é um chamado interior em massa, se é um recrutamento das forças superiores ou se esta é uma cidade com mais pessoas do que oportunidades...
...O fato é que, para insistir na profissão depois de saber dessa e de outras "boas novas" é preciso, além de talento, MUITA vontade de ser jornalista.

Vontade não falta...
Tô na fila, tá?!

10 de novembro de 2007

Pois é!

Estava pensando esses dias sobre a política estrutural de aproveitamento do espaço urbano em prol da sociedade.
Antigamente eu costuma ser grata por viver em sociedade. Sabe, aquele pensando bonito de que cada vez que você acende a luz, está, na verdade, evocando o trabalho de uma equipe incontável e super competente? Pois é! Desde as pessoas que trabalham na geração da energia, até quem fez a lâmpada, quem instalou a fiação, quem desenhou e produziu o botãozinho chamado de interruptor... Todo mundo... Só faltava dizer “Muito obrigada, pessoal!” cada vez que usava um cotonete.
Mas acordei para a vida ao observar o caos na minha própria rua. Moro numa rua estreita, basicamente residencial, o que quer dizer que muitos carros ficam estacionados. Além disso, é mão dupla e, como se não bastasse, ainda é trajeto de linha de ônibus!
Fiquei observando com muito entusiasmo o resultado disso: um ônibus e um caminhão entalados. Um e outro aceleravam sem sair do lugar. E eu pensando “Bate! Estão quase parados, ninguém vai se machucar, mas assim, quem sabe, o motorista reclame e alguém tome a providência de mudar o trajeto da linha!”. Mas não. Vai daqui, vai dali e os dois desentalaram. Então pensei: “Que adianta toda uma equipe se quem determina o trajeto faz isso usando o mapa do Google?” Sim, porque não acredito que ele se deu ao trabalho de ir conhecer de perto o trajeto. Prefiro não pensar que seja uma questão de falta de perspicácia. E não bateram. Pena. Ia ser legal!

9 de novembro de 2007

Sexta, pra quê te quero?

Sexta-feira. Ah...
O primeiro dia do final de semana.
Como diria o Gênio de Aladin: "Eu vou viajar, eu vou conhecer o mundo, eu vou...!!!!"

(ronco)

Platão ajuda a entender, na alegoria "O Mito das Cavernas", as parcas sombras ilusórias que acreditamos ser a realidade. Acreditamos que o Ibirapuera no domingo é diversão (seria, se toda a cidade não pensasse exatamente a mesma coisa no mesmo domingo), acreditamos que fast food é legal (tanto que faz seu fígado virar patê), acreditamos que TV é bacana pra caramba (e é, excetuando-se novelas, programas de auditório, jornalismo manipulador e programas infantis que tratam as crianças como se fossem seres oligofrênicos), vamos para a balada ouvir música em decibéis formidáveis (fosse uma britadeira, todo mundo reclamava).
...E, ao olhar a luz, finalmente... somos afuscados.

Mas é sexta! Até segunda-feira não tem porquê pensar nisso...
...E não vou insistir. Vou respeitar o ritual. Mas pensem: se Platão escreveu em "A República" que Sócrates sugeriu a alegoria a seus ouvintes, e se Sócrates não deixou nada escrito que confirmasse isso ou qualquer outra afirmação sobre ele que Platão tenha feito, então, posso considerar os créditos em nome de Platão ou em nome de Sócrates? Isso é muito importante! Sim, porque, se fosse um filme, como eu ia fazer o casting???

...Tá. Hoje é sexta.

8 de novembro de 2007

Sem ninguém?

Não fique sozinho.

Namore agora.









(Site de notícias sobre a insalubridade de se estar só, sutilmente sugerindo uma possibilidade de resolução do problema. Perceba que a mensagem é meramente subliminar.)

...aqui...

...O sol tava tão lindo...

Fui obrigada

...O sol...

a me enterrar

...lindo...

viva

...o céu...

num lugar que nem janela tem

...azul...

onde o telefone não pára

...e o vento...

de falar de nada importante

...soprava...

....e eu aqui.

4 de novembro de 2007

Ainda bem que existem quadrinhos!

(criation by Alan Moore e David Lloyd)
(photo by Camila Caringe)

Não é reconfortante saber que existe gente no mundo que consegue jogar verdades na sua cara e te culpar por todos os males da humanidade com a simples invenção de um personagem que sorri sempre?
É ótimo, porque daí você entende sua parcela de responsabilidade sobre o caos no planeta sem querer se matar!

1 de novembro de 2007

Despedidas...

Uma hora não tem jeito.
Uma hora a hora chega. E aí, não vale gritar, espernear, chorar, pedir para o tempo parar.
Às vezes viver parece sonhar...
Até o exato momento em que um choque te faz acordar: o tempo passou.
Passou.
Tá doendo. Despedidas são sempre difíceis.
Eu sei que vai passar.
Mas ainda não passou.

(...Esses últimos 2 anos foram uma honra...)

“Bem vindos à melhor profissão do mundo!”

Efeito imediato

Moça no ponto de ônibus:

_ Motorista, esse ônibus passa no shopping?
(motorista balbucia algo ininteligível)
_ O quê? (a garota insiste)
_ Passa onde você quiser! (dessa vez aparentando uma empolgação fora do normal)

Não me perguntem como eu sei, mas sei que a garota pensou em dizer: “Legal! Quero ir pra Piraporinha do bom Jesus! E vou economizar mó grana, já que você vai me levar direto, né?! Mais legal ainda é que o pessoal todo também vai dar uma volta, fazer um passeio turístico de grátis!” – mas sei que ela não respondeu, só entrou no ônibus e pronto.

Não sei a que se deve isso. Acho que foi a máscara para cílios que a Gi me indicou.
Valeu pela dica, Gi! Sempre que eu precisar vou usar essa máscara efeito “olhar encantado”!



(drawing and photo by Camila Caringe)

31 de outubro de 2007

Uma opção razoável...

Levando-se em consideração as possibilidades humanas de percepção e produção sensíveis de natureza sonora que uma pessoa pode promover levando todas as outras ao redor a um estado que se situa fora do universo de expressões cognoscíveis, penso que alguns seres são ET's disfarçados.






Você já quis fugir com o circo?
Eu já.
Quis fugir.
Não com o circo.
Quis fugir com o Kenny G e sua super banda ontem a noite...

30 de outubro de 2007

Adoro acordar cedo!

Sabe aqueles dias em que você acorda (ainda bem que acorda, aliás! sou muito jovem para dormir pra sempre!), olha para o relógio, vira pro lado, finge que não viu que já era hora de acordar e dorme de novo?
Aí acorda esbaforido e corre para recuperar o tempo perdido...
Nessas horas até dá pra ouvir a voz do vizinho cantando: "Tô cansado! tchá tchá tchá! Tô cansado! Tchá tchá tchá!"
... É engraçado... As vezes até parece que a voz fica em algum lugar dentro da minha cabeça...

(Freud diria que é meu inconsciente manifestando simbólicamente meus desejos reprimidos através de um personagem criado pela minha mente. Sartre diria que é normal do ser humano procurar a quem culpar e que eu não deveria me preocupar em usar um suposto vizinho como subterfúgio para a cantoria.)

Eu digo: _ Moro em apartamento, tá?! Tenho muitos vizinhos! Não tô com sono! Adoro dormir tarde e acordar cedo! Sou uma jovem super pra frentex! Tô ótima!
...
..
.
(ronco)

29 de outubro de 2007

Num ônibus na Avenida Ibirapuera:


_ Moça, você vai descer no próximo?
_ Não, vou descer no outro ponto. Vou descer no ponto desse lado, onde vai abrir essa porta aqui. Você também?
_ Ahãm.


Cinco segundos depois a pessoa passa empurrando Deus e todo mundo (inclusive eu!), dizendo:
_ Dá licença, dá licença! Vou descer!

Os professores de Jornalismo aplicado sempre nos instruem: “Procurem evitar sentenças longas. Isso confunde e dispersa.”
Mas a gente tenta acreditar que não é bem assim...
Numa dessas descobrimos que SIM ou NÃO é alternativa demais...

(photo by Camila Caringe)

28 de outubro de 2007

Por uma entrevista


(drawing and photo by Camila Caringe)


Comprei um anel hoje. É bonito, mas a pedrinha tem o formato de Sol. Isso significa que os raios enroscam em tudo: cabelo, roupa, zíper, tudo. Um inferno.
E fui para Interlagos.
Interlagos é perto. Do autódromo. Eu não moro perto do autódromo.
Semana passada fui para Suzano. Foi fácil. Saí da minha casa e peguei o metrô até o Brás. No Brás, trem até Guaianazes. Depois, outro trem sentido Estudantes até Suzano. Neste ponto uma curiosidade: taxi-lotação. Mais uma solução da criatividade popular para o problema do transporte público. Um carro caindo aos pedaços cheio de gente desconhecida. Apenas R$ 2.00 e você chega mais rápido e menos desconfortável, apesar de tudo. Ótimo. Mais meia hora no tal taxi-lotação. Calma que ainda não cheguei. Ainda tinha uma rua íngrime para subir. Eu disse íngrime? Serei mais específica: formava um ângulo de 45º em relação ao nível do mar. Cheguei lá em cima com crise de asma.
Valeu a pena. Sempre vale.
Dessa vez foi Interlagos. No final minha entrevistada me deixou no ponto de ônibus. E voltou para me buscar 1 hora e 10 minutos depois. Ficou com dó quando ligou e descobriu que eu ainda estava no mesmo lugar. Domingo a frota diminui consideravelmente e lá não tinha taxi-lotação.
Uma aventura. Mas foi sem graça... Nem tô cansada!
...
...
...
(ronco)

27 de outubro de 2007

Bolão!

photo by Camila Caringe

Sobre a sensação de vazio, incerteza e tentação curiosa gerada pela descoberta da existência do que ainda não se descobriu, digo que já descobri. Digo da sensação e, consequentemente, da descoberta rasa. Falo aqui de quão pequeno você sente de repente. É como se crescer obrigasse a ser menor. Mais uma artimanha da vida...
É aquela falta de chão, o arregalar de olhos e um sonoro “TÃ!” que soa nos ouvidos. É como quando você tenta executar uma operação torta no Windows. É o mesmo “TÃ!”, só que é só seu, é só você quem ouve e significa o mesmo que um “Xeque-mate!” berrado pelo inimigo do outro lado da mesa. Você é você e o inimigo também.
Aí a pessoa – que não sou eu, claro! – se enrosca em desmedidas entre a paralisia boquiaberta e a atitude meio cigana doida, como quem não tem mais nada a perder. Só que tem, embora se esqueça de vez em quando...
A partir disso é como rolar escada a baixo no acesso ao metrô Barra-Funda às 18h00. A única diferença é que você não precisa ficar roxa. Mas a torcida da galera se repete: “_ Já morreu?”
Não, ainda não galera.
Não morri, mas tô quase.
Se depender do colapso que Bordenave me provoca quando fala da “sofisticação tecnológica inovadora” dos videocassetes* não tardarei a entrar em parafuso.
Se depender de publicações periódicas tão gentilmente cedidas por mestres para toda a vida, tô salva.

Quem vai entrar no bolão?


*Juan E. D. Bordenave é MUITO BOM. Mas a obra a qual faço referência é de 1991. A culpa é minha, ok?

26 de novembro de 2006

"Que fechem novamente as cortinas!"

"A miséria é a riqueza, a miséria é a própria política."
"A crise nos inclui na política. Aliás, crise no Brasil é quando a política fica visível para a população."
(Arnaldo Jabor em seu livro: Pornô Política)


(photo by Camila Caringe)

...Porque o show business é assim: aquele desfile de candidatos que emergem do Carnaval da Bahia, dos escândalos de corrupção, dos programas de fofocas e das colunas policiais, quando não do "não-se-sabe-de-onde", que parece ser o lugar preferido. Talvez a nascente da utopia barata. Beeem baratinha...
E a coisa toda é bonita. Argumentos, pedidos, apelos e súplicas por seu voto. Alguns , com seus dentes branquinhos sorriem desejosos da simpatia pública. Há quem apele para sua opção sexual, para sua etnia, cor, passado, pobreza, riqueza, enfim! E há, também (claro!) os mais persuasivos, como a gatinha semi-nua que posa em seu flyer pró-candidatura (a tal de Camila Kiss, cujo slogan era: Vote gostoso, vote com prazer)...
É bonito de se ver! Tão bonito quanto os contos de fadas que são costumeiramente contados às crianças antes que adormeçam, e - pasmem - surte o mesmo efeito! Inclusive quanto aos pesadelos.
Aí o espetáculo acaba e faz-se o balanço. Entre lucros e perdas, mortos e feridos, regressam os tão populares anti-heróis, consagrados por seus erros e pela desesperança maciça, massiva e convicta.
Que sejam bem-vindos os bons e velhos monstros mutantes assassinos que inspiram os quadrinhos de Calvim e Mafalda.
Tão lindinhos, disfarçados com o ultra-revolucionário-pós-moderno "botoxyoungforever"...
Mas, eu não seria eu se não desse nomes aos bois, bem no formato "parábolas bíblicas para crianças", como "os monstros" fazem comigo - o povo: Era uma vez um jovem comunista lutando na Guerra do Araguaia. O jovem chamava-se José Genoino, na época já conhecido como Zé 3 tapas, por sua agressividade peremptória junto ao inimigo. Porém, como todo bando abriga um Judas, "alguém" denunciou as atividades políticas do grupo. Todos os membros sofreram represálias. Quem não teve a sorte de morrer logo, foi preso e torturado. Todos, exceto um: Genoino. Mas minha ética não permite que eu vá além no conto de horror e diga ao leitor quem foi o traidor. Falo apenas dos traídos. Perdoe-me a fraqueza... É que tiraríam esse blog do ar se eu ousasse.
As eleições - também conhecidas como "Festa da democracia" - acabaram.
Sorte a você, amigo!
"Alguéns" votou sem saber em quem. Agora?
_Que fechem novamente as cortinas. Sorte a nós...!

Camila Caringe.
25/11/06

19 de novembro de 2006

Habitat Industrial tem seus dias contados.

( photo by Camila Caringe)

Economia não tem nada a ver com meio ambiente, mas disso todo mundo já sabe. Economia é a tão somente a ciência que trata dos fenômenos relativos à produção, distribuição e consumo de bens. Isso não tem nada a ver com árvores, florestas e esquilos fofinhos de desenho animado correndo com nozes nas mãos...
Tal maravilhosa ciência apenas prevê fluxo, nunca estoque. O estoque não importa. E não tem nada a ver se, para construir um único carro sejam utilizados 22 mil litros de água potável. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa... (meu sofisma preferido!)
O inglês Nicholas Stern, chefe do serviço econômico do seu país, ex-economista-chefe do Banco Mundial e formado em Cambridge e Oxford, realizou minucioso cálculo sobre o impacto financeiro da degradação ambiental. Segundo ele, nenhum gasto muito superior à marca de 7 trilhões de dólares. “Se deixarmos as coisas tal como estão hoje, o planeta vai perder entre 5% e 20% do PIB mundial. As perdas econômicas para os países pobres serão bem maiores do que as verificadas nos países desenvolvidos por várias razões: geografia – superaquecimento de países mais próximos à linha do Equador –, limitação das atividades econômicas – já que dependem mais de produção agrícola -, dispõem de menos dinheiro para investir em formas de se proteger contra os efeitos do aquecimento global.”
A você, caro amigo que adora escovar os dentes admirando a água corrente da torneira, saiba que a cada 8 segundos desaparece um campo de futebol na Amazônia. E esta corresponde a 70% da pluviometria do país. Ou seja: desaparece nossa amiga, desaparecemos nós.
Nas últimas décadas o processo de extinção foi maior do que os últimos 65 milhões de anos, efeitos causados pelas “divinas” mãos humanas.
Pensemos: a natureza é um sistema circular, é regenerativa, finita. A idéia do “jogar fora” é pequena, ilusória e confortável. Mas nada se joga fora do mundo. Vai para algum lugar. No entanto a economia capitalista não prevê. Esta é linear, degenerativa e infinita. Produz-se numa linha crescente, joga-se fora o que não serve mais e produz-se novamente. Logo, o Katrina (tempestade tropical que alcançou a categoria 5 da Escala de Furacões de Saffir-Simpson, atingindo a costa dos EUA em 2005), do ponto de vista social foi uma tragédia, mas do ponto de vista econômico foi uma grande oportunidade (reconstrução, geração de empregos, fluxo de caixa), ainda que tenha provocado nada menos de 1833 mortes.
Pensar em alternativas é simples, mas não é fácil: reciclagem, desenvolvimento sustentável, conscientização, prioridades, políticas governamentais de braços dados com população interessada em fazer diferente.
Em vinte anos começaremos a sentir de maneira drástica as conseqüências do que fizemos até agora com o planeta azul. A sorte foi lançada. Estarão nossos destinos em dados viciados?
...

Camila Caringe

(Entrevista de Nicholas Stern na íntegra pode ser encontrada na revista Veja de 08/11/06)

16 de setembro de 2006

.Meu amigo povo.

(photo by Camila Caringe)
Meu amigo povo é quem sabe das coisas. Mas, obviamente, estou me referindo ao povo que realmente sabe das coisas. Porque há, em suma, dois tipos de povo: o povo que sabe e o povo que não sabe.
Inebriado pelo gás intoxicante da indústria cultural - cujo maior sonho é tão somente que todos desejem a mesma coisa ao mesmo tempo em todo o mundo - o povo segue culturando-se com os dois minutos dedicados para cada notícia durante meia hora de jornal. E meu amigo povo, o que sabe das coisas, me contou certa vez que Fidel Castro teve qualquer coisa a ver com a morte de Ernesto Guevara na Bolívia. Mas isso, o “povo povo”, não sabe. Só o povo. Algumas informações são como chover no molhado. Seria a mesma coisa que dizer que o coitado do Maluf rouba mas faz e foi injustiçado. É que tem povo nem sabe o que significa o termo “super faturado”. É o seguinte: imagine que você tenha uma estrada, vamos supor, de cinco metros de largura. Imagine então que, ao invés de você construí-la com cinco metros de largura, como consta no orçamento, você construirá com quatro metros e noventa centímetros. Ninguém vai medir a estrada. Mas aquele material que iria compor mais dez centímetros de estrada será economizado em dinheiro. Imagine esse dinheiro poupado em quinhentos quilômetros de estrada. Agora, faz o favor de imaginar para onde vai o dinheiro economizado não-declarado... Isso, mesmo! Foi isso o que Quércia fez nas estradas que cruzam o interior de São Paulo! Quer dizer... eu não tava lá pra ver... Isso foi meu amigo povo quem disse. E disse também, à boca pequena pro povo não escutar, que aquele dedinho que falta foi cortado de propósito pelo próprio dono só para se aposentar por invalidez. O argumento é simples: um metalúrgico utiliza apenas os dedos indicador, médio e polegar de cada mão. Como diacho teria sido esse acidente? Mas é o povo que fala... Não tenho nada a ver com isso... Ainda sobre o metalúrgico, sabe-se que o Impitchman chegou a ser seriamente cogitado. O que o povo não sabe é que o único partido (o de oposição) com força para realizar o feito não se manifestou por um motivo muito simples: havia dos seus envolvidos no esquema de corrupção. Se o dossiê fosse publicado de um lado, do outro lado também seria.Tendo o dito cujo cedido 9 milhões à poderosa TV Planeta, Mundo... ou alguma coisa assim..., seu segundo mandato foi garantido por João Roberto Marinho, que o povo todo sabe muito bem quem é. Já ouvi povo dizer que FHC foi o pior presidente que o país já teve. Injustiça? Bem, não sei de nada além de ele ter formalizado a venda de fauna e flora brasileira para norte-americanos. Mas nem acho isso tão ruim assim... Afinal, essa história já rola desde a ditadura militar mesmo! Pelo menos foi feito um acordo legal, tudo direitinho, assinado, bonitinho... Ai. Eu nem deveria estar comentando isso aqui assim... Mas é que o povo fala... Estou aqui contradizendo todas as normas, escrita ou não, da ética jornalística e qualquer outra ética... Não tenho provas. Assim como o povo também não tem provas que PTistas não tiveram qualquer envolvimento na morte de Celso Daniel e outras sete “vítimas oculares”. Eu não posso provar. O povo também não. Então faz assim: fica aqui, só entre nós. De povo pra povo. Ah! Quase me esqueci de perguntar: em quem, meu amigo, você vota nas próximas eleições?

9 de setembro de 2006

Just photograph!



(photos by Camila Caringe.)


...Obrigada...

(photo by Camila Caringe.)

Augusto, 46 anos. Morador de rua há 9 meses, mas diz que é por pouco tempo. Sofreu uma ação de despejo. Natural de Salvador, Bahia. Católico, homossexual, assexuado há 10 anos, veio para São Paulo aos 25 anos em busca de uma vida assumida e sem preconceitos; em outras palavras, veio atrás do anonimato que só uma cidade grande pode proporcionar.

Eis algumas declarações:
“Homossexuais não têm modelos. Se uma mulher quiser melhorar seu cabelo pode simplesmente olhar o cabelo da Jaqueline Kennedy, era um cabelo maravilhoso. Mas homossexuais não são aceitos a esse ponto.”

“Li Maquiavel pela primeira vez quando tinha 20 anos. Mas, a cada vez que você lê há uma nova percepção da obra (O Príncipe). A frase ‘O homem é mau’ me marcou profundamente. Reflito sobre isso até hoje.”


Terminou o ginásio, gosta de ler a Folha Ilustrada e o Caderno 2. No momento se dedica mais à leitura concentrada, específica e na leitura de imagens. “Não leio mais só para entretenimento.” Gosta de observar a beleza dos seres, a natureza e é detalhista reparando até na pigmentação das penas de um pombo."


“Como qualquer coisa que apareça. Durmo em albergues da prefeitura.”

“Acredito na teoria da evolução de Darwin. É possível ver a seleção natural acontecendo o tempo todo.”

“Eu não rezo. Acredito muito em Deus. Existem sonhos premonitórios. O Catolicismo é uma boa religião.”

“Nenhum artista criou suas obras pensando no MASP. Lá um quadro morre.”
“A natureza compõe um peixe para a água. A arte é composta para o mundo.”
“No momento estou estudando a vida de um pintor brasileiro chamado João Batista da Costa. Estou esperando o sábado para ir à Pinacoteca. Deve ter alguma coisa sobre ele lá. É difícil achar material sobre ele sabe? Ele se tornou um grande pintor no final do século 19, início do século 20. Pinta com cores fortes, destaca o verde do nosso país. Pinta paisagens e animais... Sou apaixonado por animais!”

“Para se viver é preciso estética e óptica.”

“Já estão fazendo gente de plástico. O plástico estressa.” - Disse referindo-se às proteses de silicone.

Ao ser indagado sobre o que poderia ser feito para retribuir a atenção, simplesmente respondeu: "_Estude."
(A entrevista foi casual e não sofreu edição para veículo jornalístico formal)

31 de julho de 2006

Bônus

(foto by Camila Caringe)


Essa é uma postagem especial em agradecimento a todos que por aqui passaram e gostaram do que viram. Obrigada pelos comentários que foram deixados aqui ou que vieram por outros meios.
Essa foto foi tirada depois do texto, mas acredito que ilustre bem o contexto anterior. Já foi usada para comunidade no orkut e plano de fundo de computador...
Fica registrado aqui meu contentamento com o resultado das publicações. Em breve mais textos e mais fotos.
Um grande beijo a todos.