4 de outubro de 2008

Would you?

"What chain reaction
What cause and effect
Makes you turn around
Makes you try to explain
Makes you forgive and forget
Makes you change

If everything you think you know
Makes your life unbearable
Would you change?
If you knew that you would die today
If you saw the face of God and love
Would you change?"

3 de outubro de 2008

FLAGRAntes


2 de outubro de 2008

Só mais uma de amor...

A despeito de um passado talvez nem sempre honrado, eu diria a Deus:

_ Mas ele teve medo.
_ Eu também tive quando o fiz. E mesmo assim fiz. - responderia o Deus, insensível diante de meus argumentos.
_ Mas veja os braços dele! Com essa idade e são maiores que os meus! Ele trabalhou! Veja os cabelos e a barba branca, veja as dobras no rosto e no corpo todo, olhe a respiração ofegante e a fragilidade, Deus! Este senhor merece o céu!
_ Só haveria de ter porque eu criei o céu, criei ele e tudo o que existe. E ele? Não pôde sequer criar seu próprio céu com tudo o que lhe dei! Precisa agora do meu!

E eu, já no fim de minhas idéias, responderia sem forças e sem esperanças, mas tomada de compaixão não só por aquele homem, mas pela humanidade inteira e por tudo o que não é humano também, responderia àquele Deus divino, que obviamente não poderia mesmo ser humano:

_ Mas você era um Deus então. Ele... era só um homem.

E Deus, inexplicavelmente, enviou-lhe para o seu céu.

1 de outubro de 2008

Da CET

Por não entender por que justo eu, decidir repassar. Vai que é uma corrente e eu morro em 72 horas, né?!
Pois Control+C/Control+V na mensagem oficial:


Restrição à circulação de caminhões completa 90 dias e confirma bons resultados

Em setembro, a lentidão média do trânsito ficou em 66 km, e chegou a ser até 43% menor do que a registrada durante o segundo semestre do ano passado.

30 de setembro de 2008

a_to-amp_tação

Marshall McLuhan em Understanding Media defende que todo o nosso corpo físico existe em função de proteger nosso sistema nervoso central. Sendo assim, cada vez que nosso equilíbrio mental está ameaçado precisamos isolar os eventos irritantes que não podemos evitar ou compreender.

Uma das formas de isolamento é criar contra-irritantes, ou seja, fontes de prazer.

Outra forma é se auto-amputando.
Sim. A roda surgiu para atender às demandas. Com isso, "amputamos" nossos pés (ou inutilizamos os mesmos em sua função primeira). Não somos mais (tão somente) carregados por nossos pés.

Da mesma forma criamos apêndices de nós (arte, tecnologia, acessórios, formas de comunicar e interagir) na tentativa de retornarmos à estabilidade psíquica.
A verbalização é uma forma de restabelecer nosso sistema nervoso central quando este foi abalado por um choque, no caso, de realidade.

Talvez isso justifique o fato de este blog ter já 3 anos, 2 meses e 266 postagens.
Auto-amputei-me muito.
Por quê será?

29 de setembro de 2008

Improváveis II

Parece que estamos numa semana atípica!
Alguém na cidade já atendeu uma ligação do Rogério Ceni, além da esposa, da mãe e do empresário dele. Alguém ganhou na loto. Alguém continua recebendo boletins da CET em seu e-mail pessoal.


E, para completar a semana que mal começou, alguém na cidade ficou sem gmail, google, youtube, orkut, blogspot e analytics no dia de hoje.

Como desgraça pouca é bobagem, devemos lembrar que até meia-noite é só segunda-feira!

28 de setembro de 2008

Do que interessa

Explicações

Pois levei bronca. Talvez não devesse ter ignorado "a coisa" que representava o canditado a representante. Talvez devesse ter gritado com ele, segundo meu anônimo e a mãe do Gui. E assustei uma amiga de infância com tamanha frieza!
Não não não!
Meu pedido de desculpas...




Quanto à pesquisa que tem levantado suspeitas, inventei mesmo um especialista que concordasse comigo, já que não é possível reunir em torno de mim aqueles que concordam, simplesmente porque não os conheço!

Márcia Tiburi ensinou pessoalmente a mim uma vez: "Ironia boa é aquela que ninguém percebe", depois de Saint-Exupery dizer na voz de seu principezinho que "adultos adoram números". Até dei a dica de que 10 milhões de pessoas foram analisadas in loco...

27 de setembro de 2008

Improváveis

Existem muitas coisas improváveis de acontecer. Por exemplo, ganhar na loto, atender a uma ligação do Rogério Ceni pra você ou receber boletins da CET no seu e-mail pessoal.

Há uma semana estou recebendo boletins da CET no meu e-mail pessoal.
Não. Não fiz nada para que isso acontecesse, nem sei como fazer para isso parar.


Ocorrência: Acidente com vítima
Sentido: Vila Mariana
Envolvidos: 3 Autos
Ocupação: Faixa Central e Direita (faixas 2 e 3 de 3)

Ocorrência: Acidente com vítima
Sentido: Marginal
Envolvidos: Auto e muro
Ocupação: Não informado

25 de setembro de 2008

Fluxograma

Pareceu-me tão absolutamente funcional (leia-se genial) que tive de roubá-lo. Mas foi por uma boa causa. Fiz na melhor das intenções, num esquema Robin Hood. Aos leitores!
Desculpe, amigo. Essa maravilha precisava ser compartilhada com o mundo. E obrigada pela contribuição involuntária.


24 de setembro de 2008

Histerias urbanas

A época de eleições é linda...
Na faculdade, candidatos se aglomeram como urubus nas portas, cercando os alunos de brindes e sorrisos.
Ontem foi a vez de um gentil eleitorável distribuir seu panfletos coloridos. Mas, mais do que isso. Alguma coisa vermelha e branca gigante balançava com os bracinhos abertos e as mãozinhas chacoalhando, assustadoramente.
Quando passei pela coisa, eis que ouço uma voz:

_ Me dá um abraço?!?!?!

Ignorei.
Foi a vez da minha amiga passar:

_ Me dá um abraço?!?!?!
_ Nãããããããoooo!!!

Poxa... a coisa até murchou...
Falei para ela! Não precisava falar assim também, né?!

23 de setembro de 2008

Plantão!

Cientistas da Yale University - Graduate School of Arts and Sciences - descobriram que mulheres são sinônimo de falta de liberdade para 98,3% dos homens entre 20 e 35 anos, residentes no Estado de São Paulo (sendo de qualquer cidade).

A pesquisa foi realizada com 10 milhões de indivíduos sendo aplicados questionários, análises clínicas, exames psicológicos, observação “in loco” e teste de QI. O processo ainda está em fase de conclusão e deve demorar mais alguns anos.

De acordo com Robert M. P. S. F. Gerringtsow, os resultados prévios apontam que os mais qualificados intelectualmente seriam aqueles que, supostamente, teriam maior capacidade de envolvimento, não necessariamente com o sexo oposto, mas com um outro ser humano. Isto porque as pessoas têm suas experiências incrementadas a partir do compartilhamento das experiências alheias. Logo, aquele que se envolve, aprende e cresce com o outro através de processos mais intensos e rebuscados.

Este foi um informe exclusivo do DataDados. A informação em primeiro lugar!

21 de setembro de 2008

Vox populi

O DataSorte perguntou. Você respondeu. E já temos uma estimativa. Faz tempo aliás.
Hakuna, então! Obrigado a você que participou da apuração desta pesquisa de extrema relevância social e política. Principalmente agora, nessa época de eleições e agora, agora, que a Terra está passando por
transformações...

19 de setembro de 2008

Vamo respeitá a experiência de mais um colega - A saga continua



As novas tecnologias da informação modificam, criam e recriam novos espaços de atuação. A presença virtual substitui o encontro pessoal. As inter-relações, ao mesmo tempo que se intensificam, do ponto de vista da versatilidade, rapidez, fluidez e eficiência, esfriam quando passam a depender exclusivamente do contato on line, que é líquido, evasivo e abre portas para a incorreta ou parcial interpretação do conteúdo das mensagens transmitidas.

Esperto mesmo é quem sabe usar as tecnologias a seu favor e complementa suas relações aumentando a superfície de contato com o outro, favorecendo interfaces e as novas experiências proporcionadas pelos novos ambientes e possibilidades de interação. O colega foi vítima da sapiência alheia. Peça do próprio jogo. Motivo de nossa alegria de hoje. Vamos agradecê-lo!

16 de setembro de 2008

Óh minhas rugas de preocupação!


Não. A faculdade não corresponde às expectativas que a visão do mundo nutre em mim.
Não. Não há muitos professores que eu admire e sim, posso contá-los em uma mão.
Não. O ar não tava menos poluído hoje.
Sim. Está bem frio na cidade onde eu moro. E eu não estou preparada com a camada de gordura que os ursos polares usam entre os órgãos. Preciso de alguns meses para conseguir uma camada dessas. Até lá já vai ser verão.
Não. Não cumpri minha agenda. Tenho uma série de trabalhos por terminar.
Sim. Hoje deu curto circuito de novo onde eu trabalho. E, mesmo tendo 234.987.467 de coisas pra fazer fiquei deitada no puf laranja descansando os olhos.
Sim. Tenho que apresentar meu projeto de pesquisa na segunda-feira e não, nem fiz minha apresentação de Ppt ainda.
Mas... Tô nem aí!
Só não estourem a bolha, please.



Imagem gentilmente cedida por ToadaTalhada.
O copyleft foi autorizado com exclusividade a este blog sem cobrança de encargos.
Os mais sinceros agradecimentos destes Dados Viciados.
A ilustração é meramente ilustrativa.

15 de setembro de 2008

Pra isso

Uma das coisas mais comoventes que já vi. Faz-me lembrar pra quê serve a música, pra quê serve a arte, pra quê servem as novas tecnologias... Pra quê servimos nós.

14 de setembro de 2008

Das relações (todas elas)

Toda a decisão autoritária é arbitrária.
Toda a decisão autoritária é arbitrária?
Toda a decisão autoritária é arbitrária!
Toda a decisão autoritária é arbitrária...
Toda a decisão?
É autoritária?
É arbitrária?

Se uma decisão que afeta além do sujeito que decide é tomada somente por ele, sem a participação dos outros afetados, então, é autoritária. Ou seja, é contra o direito de cada um decidir o que é melhor pra si. E então? Derruba-se o autoritarismo? Com isso a democracia também cai, já que é o poder da maioria e a maioria não é sinônimo de unanimidade nem de certezas. Logo, se a democracia cai, resta a anarquia. Mas, se vivemos em sociedade e nossas ações são interdependentes, serão também as consequências das ações. Se cada um fizesse o que é melhor pra si não cairíamos, novamente, no autoritarismo do qual fugíamos?

12 de setembro de 2008

10 de setembro de 2008

Leminski


9 de setembro de 2008

Eu também escrevo errado

Um tempo me açoitou a consciência. E fiquei a contemplá-lo. Impassível.
Os segundos escorrendo e eu dentro deles. Poeira cósmica diluindo numa ampulheta.
Era a minha juventude que não servia de nada.
E o que restou foi um rolo compressor de poesia, cheiro e histórias.
Só fiz juntar os cacos de tudo e guardar na mochila.
Tempo-espaço nunca foi tão estreito, porque agora é sempre o maior que nunca.

7 de setembro de 2008

Porque aqui a estrela é você!

Pois que são democráticos estes Dados, dizem e provam que o cantinho do leitor não é só a seção PALPITES, mas cada branco aqui presente.

Eis então os comentários de um leitor que, apesar de fazer uso constante do espaço aberto, estendeu-se por e-mail. E meu chegado teve a coragem:

“Cá! Adoro seu blog. Leio sempre. Tá favoritado aqui. No mozilla tem uma opção que toda a vez que eu entro em uma nova "aba" ele aparece os meus favoritos. Então todo os dias eu passo lá pra dar uma olhada. Desculpe não comentar sempre... nem sempre eu sei o que comentar... ou as vezes não entendo. A maioria dos textos têm um tom de deboche... gosto disso. É como se alguém te desse a chave que abre as portas do mundo, mas antes de entrar, vc pára num bar e toma uma pinga. Tipo! Entende? Não que vc vá fazer isso... é so um comparativo. Tem uma coisa grande nas mãos... mas tbm nem ligo. Te explico melhor quando eu te achar. [...]”

Confesso, amigo, que bebo. Mas tenho que dizer que, embora já tenha tomado um pileque memorável de caipirinha, prefiro vinho. Smirnoff na saída da facu também rola. Mas bem-de-vez-em-quando-quase-nunca. Agora, pinga... Bem... É claro que se eu tiver mesmo a chave que abre as portas do mundo, provavelmente repense meus conceitos quando perceber isso. Até lá me prefiro sóbria. Não que eu vá mesmo fazer “isso”. É só um comparativo. Quanto à "coisa grande que tenho nas mãos", devia ser de alguém. Eu só tava segurando. Mas fico esperando, de coração, que me ache. E que eu te ache. E que nós nos achemos. Uma vez mais. E não só uma.

6 de setembro de 2008

Esta manhã...

...Acordei me sentindo esta Valerie. A fugitiva. E aquele mesmo que espera. Nesta manhã os dois papéis eram meus.


5 de setembro de 2008

Da série - Retrato dos tempos passados

Antes de ser jornalista, um dia, eu quis ser publicitária. A foto é minha. A genialidade do contexto também. É só minha. Por isso, não há ninguém mais a quem culpar. Desculpem. Mas não se preocupem. Encontrei a luz.

4 de setembro de 2008

Trilha


...E, pelo habilidoso manejo do destino, acabei me tornando discípula do andarilho do óbvio. Só que mais óbvia.


A professora do pré dizia que a gente ia ser grande um dia. Eu pensava que no ano 2000 eu seria maior do que sou agora, em 2008.


Uma discípula. De um auto-denominado andarilho. De um óbvio que precisava ser desvelado. E ainda precisa.
Um suspiro no concreto, no tempo, no vácuo, no espaço, no meio do povo.
Nos sapatos.
Andarilha.

3 de setembro de 2008

ConCeiTuAndo

Um ato de violência acontece toda a vez que alguém tenta, através de seu poder, suprimir o poder do outro. O tapa é a agressividade. E é só uma das conseqüências possíveis do primeiro movimento. A violência.

2 de setembro de 2008

Verborragia

Algumas palavras me causam um certo espanto, talvez não tanto pelo significado, mas pela forma, pela construção em que se encaixam, ou porque eu sou uma pessoa impressionável mesmo.
Verborragia é uma delas. Fale e escute o som.
Verrrrbooorrrrraaaagggiiiiiaaaa....
Parece que escorre pelos cantos da boca um som mole, tonto.

_ Oi! Boa noite! Eu quero um daquele ali.
_ Que est qui c'e?
_ Uma fatia de bolo. O senhor fala francês?
_ Ah, não... É que quando eu era pequeno... (...) Daí eu cresci... (...) Casei... (...) Tive filhos... (...) E tem um menino que fala 4 idiomas e... (...) Eu acho lindo que... (...)

Eu só queria o bolo. Juro.
E tem palavras que me impressionam. Não tanto pelo som esquisito, mas também, e principalmente, quando vivencio seu significado.

30 de agosto de 2008

É triste?


É triste. Mas fazer o quê se algumas tragédias têm algo de risível? E fazer o quê se o ser humano não escapa de ser patético*? E fazer o quê se o patético não escapa de ser cômico? E fazer o quê senão rir?

*do Lat. patheticu - Gr. pathetikós, comovente

27 de agosto de 2008

O que vem do real não tem a obrigação de ser...

... real também. Porque de real já basta o real. O resto é construção, é possibilidade, é afirmação ou negação, é variação, é acordo ou desacordo, é corda. Corda pra imaginação. Auto-referenciada e mais. Mais... mais...

26 de agosto de 2008

Entrelaçandonós


Quem pinta o quadro da vida somos nós.
E o que vemos somos nós.
E o que pintamos somos nós.
Pra mostrarmos mais de nós ao outro.
E pro outro, os outros somos nós.

25 de agosto de 2008

Múltiplas vozes na mala

“Não acredito em troca de experiência. Eu não dou a minha experiência pra você e você não pode me dar a sua. Eu tenho uma e você tem outra. Aí a gente constrói junto.”
Janaína

“Você quer o conhecimento para ter sabedoria e pra quê? O que você vai fazer com isso? É um objetivo que não tem fim.”

Adriano

“Eu não costumo falar muito disso porque é raro alguém aceitar ou, pelo menos, não julgar...”
Eric

“Depois que vira cinza não acende mais...”
“...Simpatia é quase amor...”

Diego

22 de agosto de 2008

Da série - Retrato dos tempos modernos

Para visualizar melhor a imagem, basta clicar nela.

Para sem mais desencontros


Para que duas pessoas se encontrem, é preciso que estejam no mesmo lugar, no mesmo tempo.
Parece óbvio. E é.
O tempo determina fatores culturais, étnicos, sociais, econômicos, políticos.
O lugar determina fatores culturais, étnicos, sociais, econômicos, políticos.
Ou seja, a dupla tempo-espaço são determinantes.
Eu posso estar no mesmo lugar, mas se não estiver no mesmo tempo que a pessoa que quero encontrar está, nos desencontramos.
Se a pessoa estiver ao mesmo tempo em lugar diferente que eu, jamais me encontrará.
Neste final de semana estarei num outro espaço ao mesmo tempo. Será o mesmo tempo onde se situam meus contemporâneos (rá!) e voltarei ao mesmo espaço antes que dê tempo de sentir saudades...

20 de agosto de 2008

...E no meio do caminho... Havia uma manhã...

Era um qualquer coisa que me agredia de tão lindo.
Esta manhã me açoitou, não tanto pela beleza, não tanto por perdê-la na rotina do lugar estreito, mas pela impossibilidade de descrever o tauma, a surpresa do esplendor que encontrei sem procurar entre as pedras verticalmente cinzas, alongadas, e vertiginosas.

Encontrei. E nem posso narrar aqui o quanto tive que piscar para suportar a claridade daqueles tons.

Mas era algo assim, enquanto as árvores riam da minha cara de susto...


E, por não querer aqui me desfazer do que é pedra, do que é duro, do cinza, do estreito, do que é vida, a referência a quem tira leite (!) da mesma pedra...

http://www.jr-art.net/

19 de agosto de 2008

Areia MoVe...d..iÇa...

O devaneio é o lugar onde se cria. No meio daquela névoa, naquela distância, onde tudo o que não é a voz do próprio pensamento fica abafado... Quando não se sente exatamente nada, mas alguma coisa que faz do ser algo insustentavelmente leve.
Mas é do desespero que surgem indagações e buscas. E não da iluminação criativa. A falta de esperança e de confiança no método (caminho) é o que leva a novos métodos.
Nada é tão engraçado, senão a crueza do que é real.
A ironia e a comicidade ajudam a entender melhor o real porque, no fundo, são ásperos, são duros, machucam. Então, chocados, indefesos, rimos.
Como agora. Ao perceber que nada disso precisa ser verdade.
E, possivelmente, não é.

17 de agosto de 2008

Da série - Retrato dos tempos modernos

Na mosca!

"What is mind?
No matter.
What is matter?
Never mind."

George Berkeley sabia fazer filosofia.
Trocadilho com impulso de reflexão.

13 de agosto de 2008

Voices

Uma mulher gritou “TIA!!!”. Assim. Sem mais nem meio mais. Colocou a cabeça pra fora do ônibus e gritou.
A tia deve ter reconhecido a voz da sobrinha, porque parou desnorteada, olhando ao redor. O ônibus passou, claro, rapidamente. E a tia ficou lá, olhando para o nada...
Fiquei pensando... O que a sobrinha queria com aquilo? O que ela teria dito caso a tia a tivesse visto? Devia ser algo muito importante, por isso berrou tão alto...

_ TIA!
_ OI!
_ SUA CALCINHA TÁ APARECENDO!

Ou então...

_ TIA!
_ OI!
_ CASEI!

Ou ainda...

_ TIA!
_ OI!
_ ME EMPRESTA DINHEIRO???

Não... Não se fala de um assunto tão importante assim, berrando da janela do ônibus... Devia ser mesmo algo sem muita importância...

_ TIA!
_ FALA QUERIDA!
_ NADA NÃO! ERA SÓ PRA DAR OI!

Então entendi.
Entendi que o motorista tinha entendido tudo bem antes de mim.

10 de agosto de 2008

Baita papo

Houve um tempo em que achei que tinha acabado essa coisa de disk-felicidade.
Basta discar e você arrumará um grande amor ou uma amizade pra vida toda.
Ao que ligo a televisão no domingo de manhã e me deparo com meia dúzia de bobocas falando no telefone, sorrindo e se sacudindo, como se estivessem numa balada.

Dei-me uns minutos para apreciar a obra publicitária. E fiquei imaginando como teria sido o making of dessa maravilha. As pessoas dançando, provavelmente sem música alguma, num espaço totalmente fake, forçando sorrisos e charme.
Tinha até depoimento.

_ Meu, minhas amigas tiravam sarro de mim, porque eu tava sempre sozinha. Daí eu liguei e marquei um encontro. Fiquei com medo. Mas que nada! O cara é uma pessoa maravilhosa. Estamos junto ATÉ hoje! – conta a gatinha com um sorriso de orelha a orelha. Ela só não contou que o ATÉ HOJE faz uma semana, mas beleza, né?! O tamanho do vestido convenceu.

Fantástico.

7 de agosto de 2008

I remember...

Bons professores são capazes de oferecer uma experiência cognitiva e fazer a ponte entre o objeto cognoscível e o indivíduo cognoscente através de vivência interessante e conscientizadora.

Maus professores fazem uso abusivo da autoridade e se portam como detentores de verdades absolutas, dilacerando expressões que enriqueceriam a qualidade do diálogo com o outro.

Uma pena que hajam mais exploradores do que expedicionários.

6 de agosto de 2008

DEMOcracia

Jornalistas usam aspas no seu texto para reportar a fala de alguém.
Mas, algumas vezes, a usam também como sinal de ironia.
Outras vezes ainda, não usam aspas no texto, mas nos dedos.
Sabe quando alguém tá falando com você e treme dois dedos em paralelo com a cabeça para colocar aspas nas palavras que está dizendo?
Então.
Vi alguém colocando aspas imaginárias na palavra democracia. E não entendi.
Ou estamos num regime totalitário ou estamos numa democracia e, que eu saiba, não estou num país cujo regime é totalitário.

_ Você diz tudo o que você pensa?
_ Digo.
_ Não, você não diz.

Bem, algumas vezes eu evito dizer que a outra pessoa está com mal hálito, mas isso não é uma questão de censura.

_ Caco Barcellos precisou se exilar!

Protesto. Estamos falando de ameaças de pessoas que vivem às margens da lei já por uma série de situações. Ameaçar alguém de morte é só mais um delito.
A democracia não é a garantia de participação popular nos processos políticos? Se essa participação não acontece, em que grau acontece ou deixa de acontecer é outra história.
A democracia não se impõe. O povo simplesmente se apropria do lugar-ação. Ou não.
A verdade é que é enfadonho demais esse papo de conspiração universal pra tudo.
E discordamos.
Porque, como estou numa democracia, posso fazer isso. E fiz.
Discordamos.

5 de agosto de 2008

...as pessoas.

Acordei mais cedo do que de costume.
Com um endereço e um trajeto nas mãos me lancei ao desconhecido lugar. Não sozinha. Mas com todos os queridos desconhecidos que se espremiam calorosamente nos 3 ônibus necessários ao trajeto.
Ainda convalescente, fui obrigada a andar mais do que gostaria. Bem mais do que gostaria, eu diria.
E cheguei.
A sala não era muito grande. E, mesmo que fosse, passar 8 horas dentro de uma sala não é minha atividade favorita.
O almoço e o lanche foram servidos naquela sala mesmo, que era para ninguém circular.
Ao final, saí antes do final, afinal.
Uma sala é basicamente quatro paredes na vertical e duas na horizontal. Meu horizonte já estava ficando desfigurado da sufocante maresia do assunto viciado.
Mais duas horas de trânsito em ônibus lotados.
Depois descobri que os 3 ônibus necessários ao trajeto poderiam ter sido substituídos por 1 ônibus necessário ao trajeto.
E por quê?
E por quê?
Congresso sobre Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Os responsáveis, as estradas, o orkut, as vítimas, o comércio, as estatísticas, as meninas, os meninos, as pessoas...

3 de agosto de 2008

Recesso

... E, com horror, percebi que estava metamorfoseada num inseto gigante. E que estava sendo esmagada, ainda por cima!
Mal podia perceber como estava e já sentia o medo maior de todos os seres que vivem: o medo de se extinguir.
O calor que a alma sentia sob aquelas novas formas era indizível. E peso. O peso era tanto que respirar era já muito difícil, quanto mais se defender.
Estava escuro. Mas não totalmente escuro. Era um meio escuro, meio claro, de início da manhã. Mas ainda escuro o bastante para que os contornos de mim e do além de mim não estivessem bem definidos.
Tentei me virar, mexer e, sofregamente, o fiz. Pouquinho. Porque mesmo eu não sabia o que queria ao me mexer. Nem onde ir, nem o que fazer...


_ Eu disse pra você não dormir com o cabelo molhado. Olha. Tá queimando em febre. E com 3 cobertores!

Não tive forças pra dizer que era o frio ou pra negar o algo que me enfiavam guela abaixo.

_ Toma esse remédio. E agora? Vai trabalhar?

Eu não me lembrava meu nome de gente, quanto mais o de inseto. Muito menos me ocorreu como responder ao inquérito. Trabalhar? Assim?
Sim.
Fui trabalhar.

29 de julho de 2008

Maybe we won't survive

Laerte

26 de julho de 2008

Frag m en ta n do & reco m bi n an do

Amortecedor
Amor tece dor
Amo te cedo
A morte ce dor
A m o r t e c e d o r
Doce ao
Redor
Certo
Eco
Reto
Mote
Medo
Morte
Cede
Tece
Amortecedor

Um vício. Eu adoro fazer isso com tudo quanto é palavra que eu trombo por aí.

Estacionamento
Est (a) ciona
Mente
Menta
Cota
Cita
Nata
Meta
Toma
Nasci
Eco (!)

Seta
Cesta
Estaciona
Estacionamento

Ufa!

24 de julho de 2008

Trechos atípicos a um auto-proclamado não-merecedor

No começo dos tempos não havia nada, senão o verbo. E era ainda o verbo falado. Falado por gente que já havia antes do verbo. E isso não é um contrasenso, porque sem o verbo, alguém é nada.

Pois bem. Havia um nada. Acompanhado que estava de vários nadas. Do tipo de nada que começa num pensamento muito simples que depois se complexifica. E tanto, e tanto, que se torna intocável ao verbo. Ficamos atônitos diante de tanta coisa, ao que alguém nos pergunta fatidicamente “Em quê está pensando?” – e respondemos “Em nada.” É este nada. Era este nada que havia antes do verbo. Era o intraduzível, não o tautológico.

Mas nascemos num tempo em que o verbo nem sempre é verbo, nem sempre é ação, nem sempre ligação. Quase tudo fez-se verbo e aprendemos, ou pensamos que aprendemos, a lê-los todos. Quiromancia, piromancia, cromatomancia, horóscopo. E, como bem sabes, POEta, não os creio muito.

[...]

E, quando tempo demais tiver passado cronologicamente, Kairos nos lembrará de que o tempo não passa para as almas que se afinizam e nos recordará do ano distante de distâncias físicas tão próximo quanto o ano seguinte a ele. Era ele. E éramos nós dentro dele.

[...]

Recobrei um por um os verbos fugitivos (aqueles, que fugiram de minhas idéias quando o facho indizível se fez de nós) que peguei pelas orelhas com o dedo em riste e uma bronca...

[...]

Eu então, munida de suas explicações sobre o que vê e vive, virei-me e caminhei até a porta. Abri-a e saí. Do lado de fora alguém pousou na sua janela cantando coisas sobre camas e palavras quentes.

(Uma ventania açoitou pela última vez os cabelos da menina.
O menino sorriu aliviado.
E todos viveram felizes para sempre! (?))

23 de julho de 2008

3008

...E me dei a pensar no que será de ‘nós’ daqui a mil anos.
Bem, para começar não seremos exatamente nós. Serão estranhos habitantes descendentes dos atuais. Possivelmente conversarão por telepatia, o que exigirá uma força sobremaneira de adaptação para gente que gosta muito de usar o verbo, como eu, por exemplo.
Depois, não teremos mais carros. Teremos discos silenciosos e não-poluentes. Percorreremos longas distâncias em curto período.
A alimentação será balanceada e em justa medida. Nada de super-big-alguma-coisa. Serão cápsulas nutritivas.
O acesso a bancos de dados online se dará mentalmente, uma vez que teremos confortáveis chips implantados no corpo, o que nos permitirá também movimentar objetos com a força do pensamento.
Minha incrível coleção de cartões postais não valerá mais nada. A globalização vai engolir a diversidade cultural. Não poderemos mais ver a mão sem braço se mexer sozinha ao comando da voz de um homem na Praça da Sé.
Shakes e faixinhas de cabelo serão desnecessários.
As pessoas serão mais educadas e mais nobres. E meninos não farão mais questão de quebrar o coração das meninas.

21 de julho de 2008

RoTiNaÇãO

Dizem que vida de jornalista é boa porque não tem rotina.
Bem, se eu fizesse as contas de quantas horas passei sentada na frente do computador no último mês, todos os dois leitores deste blog, incluindo eu, ficariam chocados.
Costas, pernas e mãos mandam dizer que sentem muito.
E de rotina só sobrou o fato de que a dependência desta máquina - que possibilita minha comunicação com a multidão de vocês dois, incluindo eu - está se tornando excessiva.

19 de julho de 2008

Sobe a cortina

A menina de cabelo longo entra em cena e diz:

_ Bom dia pessoal!

Todos devem estar sentados em seus lugares. Daí vocês respondem:


_ Tudo bem... – mas assim, distraidamente, tá?


Tá. Daí a menina, essa daí, você mesmo, diz que tá com os olhos um pouco irritados e tira os óculos escuros.


Assim?


Isso. Faz uma cara de quem não tem nada. A maquiagem já vai estar pronta nessa hora.


Tá.


Vocês aí, façam uma cara de susto e mandem-na embora!


_ Vá embora!


Isso. Com mais energia. Vamos tentar de novo!


_ Vá emboraaaa!!!!! Não queremos pegar conjuntiviteeeee....!!!!


Beleza. E a menina vai.


Cai o pano.


E ela foi.


Daí a gente mostra pro público uma tabela cromática pra todo mundo ver a cor do céu naquele dia que ela ficou em casa de óculos escuros o tempo todo:


Beleza. Nessa hora o público deve ficar com dó. Talvez esboçar um risinho.

Daí a próxima cena...

18 de julho de 2008

(suspiro)

Não é assustador quando você descobre que alguém pensou na mesmíssima coisa antes de você???

"A poesia é, sobretudo, uma estética. A filosofia é uma retórica. Ambas são falas criativas e criadoras. São experiências de expressão e comunicação. [...] O filósofo escreve aos outros em nome da lucidez. Trazer à luz, dar a luz às idéias, fazer luzir os objetos. A lucidez é o magno projeto de toda a filosofia."
Márcia Tiburi

Chocada.

17 de julho de 2008

Paradoxo-não-paradoxo

Se as pessoas entendessem que o diálogo tem duas funções, ouviriam mais. E, ao ouvir, descobririam que o paradoxo, algumas vezes, é aparente.
Por exemplo:

_ Existe destino.
_ Não. Existe livre-arbítrio.

Um encontro pode ser causado pelo destino. Mas o que acontecerá a partir dele não pode ser escolha?

_ O problema do ensino médio no Brasil é que ele não serve pra nada!
_ Como assim não serve, gente?
_ Não serve! Era pra ser profissionalizante ou preparatório, e acaba sendo, quando muito, uma revisão do ensino fundamental.
_ Bem, então ele serve, agora, se sua função é cumprida ou não já é uma outra discussão.
_ Ah, tá! Você que tá certo! Você tá sempre certo!
_ Não dá pra conversar com você!

De fato, é uma outra discussão. Então vamos a ela... Se a função de ser profissionalizante ou preparatório (não pro vestibular, mas pra uma profissão mesmo) não é cumprida, então, o ensino médio não serve...
Que até é questionável, mas veja, uma coisa não exclui a outra!
E é por isso que os maiores conflitos da humanidade acontecem por falta de diálogo...

16 de julho de 2008

Da prática

Uma mesa, uma sala, um prédio, Augusta. Era terça, era de manhã, era um sol nos espiando...

_ Então o negócio é o seguinte: temos duas opções. Nesta aqui não conseguimos falar com os responsáveis. Nesta aqui incorreremos em pecado mortal.
_ Sou a favor do risco.
_ Mas só há 13 dias.
_ Em dois dias a gente já sentiu se dá pra executar ou não.
_ Daí só vai ter sobrado 11 dias.
_ É um risco.
_ É um risco.
_ Vale a pena.
_ Vale?
_ Não sei.
_ É a capa.
_ Por isso mesmo. Repetir o plano é que não dá.
_ Essa não tem norte.
_ A gente arruma um.
_ É a capa.

Era nós. Debatendo(-nos n)a força do marinheiro. Desatando nós.

15 de julho de 2008

Férias, 3D & Gula

Eu nunca tinha ido num cinema 3D. Exceto no Parque da Mônica. Faz anos, obviamente. Era um cineminha fajuto. As crianças sentavam no chão e super curtiam um filminho de 15 minutos. O suficiente para causar frisson.
Dessa vez não. Tudo foi diferente. Fui ao centro da terra e voltei. Aqueles peixes pulando na minha cara, a água que me deixou enxarcada, as pedras magnéticas, as plantas carnívoras que quase me devoraram... uhul!

...E uma criatura empanturrada que falava em vomitar a cada 3 minutos. Depois de dois hamburgueres, batatas e milk shake, lembrou-se de que a comida não era virtual. Eu, cuidadosamente, o deixei ao lado do corredor. Quando saltei na poltrona empolgadíssima, eis que olho pro lado e o melhor companheiro de aventuras que alguém poderia ter diz:

_ Sabe o que é pior? Acho que cochilei na parte que eles saíram da caverna... Como eles saíram?
_ Eles não saíram, Rô. Ainda estão na caverna. Olha.
_ Ah...
_ AAAAAAaaaaaaaahhhhh... Deus do céu! Vou morrer do coração menino! Olha! O dinossauroooo!!!!!

Uma delícia!

11 de julho de 2008

Eu sei fazer milhos de papel crepon

E provo.
Para encomendas favor entrar em contato via blog.



Sim. Eu sei que até parece milho de verdade. Mas é só papel crepon. E fui eu que fiz! Ficaram perfeitos. Eu mesma, se não tivesse feito, poderia até colher da parede e levar pra cozinhar... Mas é só crepon. E pra tirar da parede vou ter que rasgar quando a festa acabar... HUMPF!

10 de julho de 2008

Amy

8 de julho de 2008

Exagerado

Exagero é uma palavra exagerada pra falar sobre excesso.
Nem todo excesso é bem um exagero! Mas todo o exagero é um excesso que sobrou bastante nas bordas.

Descendo pela Consolação no horário de pico, lembrei, enquanto tossia, que asma é uma reação alérgica, ou seja, é uma resposta EXAGERADA do organismo a um estímulo que pode ser esforço físico, poeira, poluição, fumaça, enfim...
Mirei o horizonte e não me atrevi a sentir o ar do fim de tarde. Aquela fumaça toda na minha atmosfera e a exagerada sou eu?
Meus pulmões protestaram.
Corri pra casa e fui escutar Cazuza.
Precisava recolocar o sentido nas coisas.

6 de julho de 2008

Um trecho de um segredo

...Uma, dentre as poucas coisas que me foram dadas a aprender nestes abrilhantados anos de sorte desde que aqui cheguei, foi que alguns sentimentos não podem nascer solitários. E não nascem. Não podem existir se não são recíprocos, porque necessitam ser alimentados. Somos espelhos. Refletindo e sendo refletidos. Espargindo luz. E nos encontramos porque vimos a luz crescer quando nos miramos simultaneamente. Fez-se um facho indizível. E todos os meus verbos despediram-se de minhas idéias diante desse raio que nasceu de nós...

3 de julho de 2008

Na gaveta alheia... uma coisa minha...

Acompanhando a evolução humana, a música reflete as profundas transformações sociais como manifestação artística do real. Seguem as provas:

Roberto Carlos, anos 70/80:
"Meu amor está tão longe de mim
Meu bem não seja tão ruim
Escreva uma carta meu amor
E diga alguma coisa por favor"

Daniel, anos 90
"Até hoje em minha vida o que fiz foi trabalhar
Correria dia e noite sem ter tempo pra parar
Era fax, telefone, internet, celular
Na verdade eu não tive sossego nem pra: pescar, caçar, dançar"

Frank Aguiar, anos 2000
"Eu vou te deletar te excluir do meu orkut
Eu vou te bloquear no msn
Não me mande mais scrap nem e-mail, power point
Me exclua também e adicione ele"

(Constatação verificada por meio de material recolhido para projeto de pesquisa)
Que coisa, não?!

2 de julho de 2008

Pequenas injustiças cotidianas

Quando me mudei era só o meu, um outro a vários metros de distância e um céu. Pouco a pouco só restaram pedacinhos do céu. Retalhos picotados por arranha-céus que rasgaram o meu.
E de novo o ritual se repete, complementa e replica.
Era uma casinha onde funcionava um restaurante por quilo. A arquitetura era interessante e eu podia almoçar na janela do meu quarto para aproveitar a música ao vivo.
Um belo dia a casa foi tragada por um buraco vazio e feio que usavam para estacionar.
Era até divertido testar a resistência do coração nas madrugadas.
“Atenção! Este veículo está sendo roubado. Ele é monitorado 24h pela...”. Enfim!
Mas resolveram transformar o buraco horizontal em vários buraquinhos verticais. E nem me refiro ao fato dos apartamentos novos serem caixas de sapato.
Na verdade, o que é chato mesmo, é ser acordada pelo barulho das escavadeiras. É um TUM, TUM, BRUM interminável desde cedo.
A impressão que tenho é que uma pá gigante atravessará a parede a qualquer momento, seguida por um exército sorridente e sádico que me dirá um sonoro “Bom dia! Sai daí por favor, que a sacada do prédio do lado vai precisar dessa parte do seu quarto.”
Eu, que não sou impressionável, diria “Ah, sim, sim. Claro. Vocês não vão precisar das minhas pantufas, né? Então vou levá-las. Fiquem à vontade.”
E, quem sabe então, assumiria de vez que preciso de um outro lugar pra dormir.

28 de junho de 2008

É osso ou suave?

Penso no trampo que é essa pegada de falar como os mano. Mas sussa. Aprender é o de menos.
O que pega mesmo é o peso positivo ou negativo.

Linguagem é viva. É mutável, incrementável.
Então, o uso de gírias é bom, porque aproxima e confere identidade às pessoas envolvidas num discurso comum, ou é ruim, porque prejudica a percepção das correções idiomáticas do indivíduo?

Num sei...
Mas sussa, vai!

27 de junho de 2008

...Uma vez...

Eu já consegui passar um final de semana inteirinho sem celular.
Inteiro mesmo, sabe? De sexta a noite até segunda de manhã.
E logo eu, justo eu, que uso celular de agenda, relógio, despertador, cronômetro, calculadora, câmera fotográfica, filmadora, gravador de voz, mp3, lanterna e telefone.
Mas sabe?, não sou a favor dessas modernidades. Deixa a gente muito mal acostumado.
E sobrevivi.
Danos materiais e morais ainda não avaliados.
Mas tô viva!

25 de junho de 2008

Uma estrela... cadente

É engraçado olhar alguém pela televisão e depois conhecer pessoalmente.
Porque, por mais que a televisão mostre a estrela de pijamas, de chinelos, ou de nada, ainda assim, a tv tem uma áura toda superior.
É como se quem aparecesse na tv fosse inatingível ou necessariamente melhor do que aquele que só assiste.
Isso explica os gritos histéricos que ouvi num show.
O cara, vocalista, era magrelo, mirrado, e usava uma espécie de colete sertanejo com franja de metal. E tingia o cabelo. Não era loiro. Era pseudo-loiro.
Mas, pelo menos, era boa gente (é o que eu acho, já que deixou algum cabeleireiro inexperiente aprender o ofício nas suas madeixas).

Enfim...
Não era assim... nenhuma Brastemp...
Mas as pessoas gritavam de maneira totalmente enlouquecida!
A construção midiática do mito deu muito certo.
Fosse eu lá ninguém gritava...

21 de junho de 2008

Meio tri(bo)bal

Admiro as pessoas que têm personalidade. Sempre gostei disso, sabe? Desse contra-fluxo, dessa tentativa de não ser o mesmo, dessa mania de inovar. É ótimo.
Tipo: assistir algum programa cultural enquanto tá todo mundo vendo novela ou futebol. Genial. Super corajoso.
Admiro os homens de coragem. Um cara que entra na faculdade de jornalismo e não sonha em ser jornalista esportivo, pra mim, é um máximo.

Mas... assim...tá...
É bacana ser original...
Mas gritar que nem Tarzan na Paulista... tipo...
Sei lá...

Se me disserem que isso chama mina pra !@#$%^&*, igual a camisa de um amigo meu, até vai... Mas pra fazer graça pra outro macho... ah... sei lá...
Isso me lembra uma coisa meio tribal...
Percebe?

20 de junho de 2008

Pontu.ação!

Prezado senhor,
Gostaria de saber se o evento disponibiliza estrutura para jornalistas, como sala de imprensa e hospedagem. Gostaríamos de fazer uma grande cobertura.

Atenciosamente
Revista Mensal
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Prezado! Senhor!!!!!!
Gostaria de, saber, se, o evento disponibiliza estrutura para jornalistas, como sala de imprensa e... hospedagem!!!! Gostaríamos de fazer uma grande.... cobertura!!!!!

Atenciosamente!!!
Revista Mensal?!?!?!?!?!

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Prezado... senhor...
Gostaria, de... saber se... o... evento... disponibiliza estrutura para jornalistas... como sala de imprensa e... hospedagem. Gostaríamos de... fazer... uma grande... cobertura...

...Atenciosamente...
Revista Mensal...?

19 de junho de 2008

No sense

Era uma vez um menino. Que embolava tudo. Embolava linha de pipa, pião e conversa. E conversa era o que ele mais gostava de embolar.
Ele pegava a conversa e dava um nó. E quem quisesse desfazer que tinha que pegar fio por fio e mostrar pro menino como tava embolado sem ter fim.
Ele falava que salgado era doce e se dizia doce quando tava sendo azedo. Ele trocava a etiqueta dos potes de biscoito e dizia ser intenção genuína onde só tinha polvilho.
Ele dizia que não queria ferir e escondia em poesia que o outro não era complexo o suficiente.
E um dia... ele se embolou tanto, deu tanto nó, que não teve jeito.
Deixaram-no morrer enforcado pela sua própria falta de sentido. E o largaram lá. Sem sentidos mesmo. E sentido no sentido de desmaio, direção e significado.

15 de junho de 2008

14 de junho de 2008

Eu tenho mais do que um lugar

E como nem tudo são flores... Tenho também um sujeito passivo-agressivo.
E uma paciência curta e enfadonha.

_ Vamos fazer isso juntos.
_ Tá.
_ Tenho aqui 30 desses. 3 pra você e 27 pra mim.
_ Mas você vai ficar com tudo isso?
_ É que pra mim é melhor, sabe?
_ Ah...
_ E quando sair avisa tá?
_ Tá. Tipo... Quando for ao banheiro ou quando for pegar água é pra deixar bilhete?
_ Não. Isso não precisa.
_ Mas fora isso eu não saio.
_ Não. Só tô te dando um toque.
_ Ah...
_ E almoça quando todo mundo tiver fome, tá? Não deixa pra sentir fome mais tarde.
_ Ah... tá bom. Mais alguma coisa?
_ Não, não! Imagina! É só um toque...
_ Ah...

12 de junho de 2008

A com selho

Parece-me uma questão de bom senso ser resignado e dedicado até que se entenda uma coisa que não entendeu até o momento onde se percebe que o esforço deve ser maior (o que não significa força, mas jeito).

Numa conversa tribal cheia de significado alguém lembrou que o conceito de propriedade é cultural.
E um outro retrucou que bom vai ser quando não houver mais líderes, e sim representantes.

Não ter líder significa que todo mundo sabe o que precisa fazer sem precisar de alguém pra mandar.

E o que a gente faz com a necessidade de aconselhar?
Amassa e joga fora?

Eis mais um aprendizado trazido pela profissão.
Se ninguém perguntar a gente escreve (não num blog, mas num caderninho pessoal). Daí a gente lê, relê, re-relê...
...Amassa e joga fora.

10 de junho de 2008

Eu tenho um lugar

Faixa bônus

"O casamento é a tentativa mal sucedida de extrair algo duradouro de um acidente."

Albert Einstein

Querido

Um sonho fere, mata, sangra, ilude, transborda e, transbordando, atinge outros, invade, contamina, contagia, agrega, segrega, une, forma, reforma, transforma, transgride, teima, queima, reduz à cinza, renasce e engrandece.

É caro. Claro. E barato.

8 de junho de 2008

Do fundo do baú, uma inédita

6 de junho de 2008

Quando uma coisa é mais do que é

Depois de não ter dormido, acordei resoluta.
Precisava achar algo que tinha perdido de propósito. Aquela mania de deixar dentro de um livro para achar sem querer, num dia qualquer tão distante que nem dá pra ver.
Era só uma foto e, como toda a foto, era só um pouquinho de passado estacionado num pedaço de papel.
Minhas mãos folheavam rapidamente um por um dos 300 livros da estante.
Era cedo ainda e uma farta pilha se desequilibrara e caíra, fazendo eco na casa silenciosa.
Na busca achei um livro. Que deveria ter lido há muito. Peguei-o.


“O amor é um dos grandes problemas do destino, ele se estende do céu até o inferno.”


Sobre o Amor
C.G.Jung


Larguei-o.
Precisava daquela foto como precisava daquele sol na frestinha da janela.
Mas não a encontrei.
E naquela hora mesma notei que alguém tinha friamente me sabotado.
E foi eu mesma.

5 de junho de 2008

Uma paixão fragmentada


"... Fazemos coisas com as palavras...
As palavras fazem coisas conosco..."


Jorge Larrosa Bondia

4 de junho de 2008

Evidência

Adorno e Horkheimer já falaram há muitos softwares atrás que isso aconteceria. A gente sabia, é claro. Sempre soubemos.
A palavra ganhou ares de cientificismo e a arte, que não é absolutamente necessária à auto-preservação, foi marginalizada. E antes tivesse ficado às margens, mas à mão. Não. Virou artigo de luxo. A estética não é mais direito, é vitrine. Palavra é ciência.


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...


Se Bilac fosse científico, censuraria a si mesmo antes de dizer pra todo mundo que ouvia estrelas! Só pode mesmo estar sofrendo de transtornos psicóticos... Alguém que tem o sono interrompido para abrir as janelas...
Olha... sair da cama, no quentinho, pra abrir as janelas e apanhar friagem... e pálido de espanto, ainda por cima!


Ora (diria) ouvir estrelas! Fatalmente
Perdeste o senso! E nem podes dizer, no entanto
Que possui provas de ouvi-las, consciente
E feche as janelas... a palidez é influenza, portanto...


Deus disse “Faça-se a luz!”... e é claro que era para iluminar o verbo...
O sol já existia antes da lâmpada... É óbvio.

3 de junho de 2008

Interesses

Viver entre poluição, buzinas e desentendimentos gera um mal-estar. O mal-estar social de entrar num mundo que já estava começado quando chegamos. Já havia uma dança, um ritmo. E forçaram-nos a converter nosso próprio ritmo à expectativa coletiva do que era uma boa postura durante os ritos. O rito de beber na sexta-feira, o de ser bonito, o de ser simpático, o de ser alegre, o de não ser bom além dos líderes pré-concebidos nem ruim abaixo do limite do útil. Ajudar alguém é um modo de conviver com o mal-estar. É claro que isso pode ser feito também por meio das drogas, da religião, de esportes ou da arte. Mas a sensação de ajudar alguém é um meio de positivar nossa existência e, elevando o outro, elevamos também a nós mesmos.

Então... será que sou bonzinho porque sou bonzinho? Querer o bem do outro não é também um interesse? E uma atitude interessada (ou interesseira) é necessariamente menos genuína? Perde o valor?

Um brinde a Freud.

2 de junho de 2008

Um nome

A gente dá nome às coisas. Sai dando nome a tudo quanto é coisa que se possa nomear.
E o nome é mais importante pra quem deu o nome do que pra coisa nomeada. Pra coisa não serve. Pro “quem” é imprescindível.

O psico-maníaco-depressivo virou bipolar. E bipolar é mais fácil, porque todo mundo entende. E, caso você saia do sério, caso seja mal-educado porque brigou com a namorada, caso você seja a namorada que está com TPM, basta dizer que é uma “pessoa meia bipolar” e já era! Tá perdoada.
Mas experimenta dizer pro seu colega de trabalho que, se ele é bipolar, portanto psico-maníaco-depressivo, precisa de uma terapia e de remédios que regulem seu estado de humor. Ele vai é dar um soco no seu pólo norte e te desmaiar. Ele não é louco! Só está passando por um momento difícil...

1 de junho de 2008

Sob nossos olhares incrédulos...

Para os dois leitores assíduos deste blog, a imagem deste gatinho já diz o que aconteceu. Mas em respeito aos outros dois leitores eventuais, vou explicar. E explicaria de qualquer forma, porque desta vez é preciso.
Pra mim sempre foi muito simples pedir demissão. E o olhar desse gatinho expressa minha fria observação dos fatos que levam a isso. É algo da vida. E a vida acontece.
Mas desta vez é diferente. Não posso simplesmente dizer que pedi demissão. Porque não foi só isso que aconteceu. Eu não fui somente contratada e agora estou saindo. Eu fui conquistada e agora estou me despedindo.

Estou largando uma paixão por outra. Estou trocando. Sinto-me uma infiel.
Mas... é a vida.
Pedi demissão.

30 de maio de 2008

Detesto:

- Quando alguém passa buzinando pra comemorar o jogo... uma da manhã
- Quando coloco num canal e tá passando os Simpsons... e entra a vinheta final
- Quando eu pego água... e derrubo antes do primeiro gole
- Quando tô esperando... e a pessoa não liga
- Quando tô falando... e me interrompem
- Quando aumento o som... e alguém me grita pra abaixar
- Quando tô lendo um livro super interessante... e me dá sono do nada
- Quando dá a hora de almoçar e minha barriga avisa... e tenho que interromper uma conferência on line super interessante

27 de maio de 2008

Maitena

Talvez seja porque meu número cabalístico também é seis. Talvez seja cisma. Simpatia gratuita. Mas acho mesmo que a Maitena é uma grande pensadora deste século.


Não te parece também?

26 de maio de 2008

POP – Procedimento Operacional Padrão

Como em todo o lugar, onde trabalho a cozinha também é o cantinho do Plá.
E, como em todo o lugar, onde trabalho também tem as esquisitices costumeiras que visam garantir a continuidade do serviço, haja o que houver, doa a quem doer, morra quem morrer.

Descobri aqui um negócio cuja abreviação é POP e que funciona como um passo-a-passo. Assim, caso o encarregado por determinada atividade falte ou tenha que ser substituído, um outro qualquer poderá desempenhar a mesma atividade sem muitos transtornos.

Pois muito bem. Chego no nosso cantinho do café, ou do Plá, e vejo papéis escritos em cima da mesa...

"POP do café"
"POP do chá"


Fiquei parada alguns segundos, tentando entender porque alguém precisaria de instruções precisas para fazer um café ou um chá.
E lembrei das explicações de superiores sobre outros POP's:

_ É porque é preciso um padrão. Todo mundo tem que fazer igualzinho, falar igual. Estamos padronizando tudo.

Ah...
Então tá, né!
Assim sim!

24 de maio de 2008

Singelo adubo é a poesia à alma

Aos que têm a dizer, espaço. Hoje meu palco não é meu. Emprestei-o a um famoso poeta da pós-modernidade. (informe-se) Apreciem os que podem. Porque entender é graça concedida somente a mim.


Do jardim à vida

A arte... Há arte... À arte!
O novo nasce e renasce,
como fênix pelas mãos da primavera,
ao retorno de Perséfone.
Quem contemplou, lá se pôs a ver.
Por muito tempo observando detalhadamente.
Fixamente.
Muito tempo...
Detalhadamente...
Caule belo e formoso.
Folhas desenhadas delicadamente. Sedosas, promovem, aos toques, explosões sensoriais. Ah... (...)
Mel escorre de sua taça, lambuza o beija-flor que se nutre com beijos...
O vento lhe afaga. Conhece o prazer de lhe sentir.
Que aroma! – evoca a paixão do mar denunciada pelo ciúme da aurora.
A rival se indigna por seu brilho.
Por cintilar com graça sob a luz da lua – a amiga confidente.

Já foi regada com suas águas da solidão...
Uma pena...
Espinhos outros lhe incomodaram.
É apenas um copo-de-leite, disseram.
Não, não é não! Não (...) E não...
Respondeu...
A placa, aos seus pés,
traz uma legenda a dizer
do lugar conservado
àquele copo-de-leite
que jamais se desarraigará...

P.P.

23 de maio de 2008

Amigos

A família é o universo das coisas não ditas.
O implícito que paira sobre a tolerância.
Mas isso acontece também entre amigos.
Existem amigos circunstanciais, amigos por afinidades, amigos por lealdade, amigos por interesse, amigos por tudo isso junto e mais alguma coisa inexplicável.

Tenho uma amiga que gosta do cheiro do próprio umbigo.

_ Mas... como você cheira seu próprio umbigo???
(omitirei a resposta em respeito a ela)

Tenho amigo que não lava o pé no banho.

_ Como assim?
_ Ah... sei lá... nem lembro que tenho pé. Esqueço dele. Nunca lavo.
_ Argh!

Tenho uma amiga que vive tropeçando em tudo, esbarrando em todos e perdendo coisas por aí. Desenho animado não seria melhor.

_ Mas e aquele livro no qual escrevi uma dedicatória pra você?
_ Não sei. Desconfio que roubaram. Fulano! Não tá com você? Só pode estar com você! Ai... não sei...!

Tenho amigo com síndrome de não ter amigos.

_ Eu só tenho você...
_ Pára. Que mentira!

Tenho amigo que diz que me ama desde sempre até pra sempre.

_ Te amo, flor!
_ Também te amo, flor! (huashuahauhshahsuahshau)

E amiga boba.

_ Você acha que eu fiz errado?
_ Fez. Foi idiota.
_ Você acha mesmo?
_ Acho.
_ Mas não ia dar de qualquer jeito.
_ Você não sabe. Não tentou. Mas agora não adianta chorar pelo leite derramado.
_ Mas você acha mesmo que fiz errado?
_ Claro que acho!


Amigos... Adoráveis!

21 de maio de 2008

Os resultados e o público



Os Dados apontaram, na última super pesquisa divulgada esta semana, que existe um empate técnico e efetivo entre os que acham que "a grande chance" se trata de dinheiro fácil e outros que se deduram românticos.
É certo que o Sidney Magal está entre as prioridades, bem como a aventura oferecida pela sensacional descoberta de fósseis no quintal.
Aqui também, assim como em qualquer outro lugar do mundo, Ronaldinho está em baixa. E, definitivamente, trabalhar não está no top priority da galera. E olha que o top só tinha 6 itens!

Mas os Dados questionam nossa Sorte: O que é sorte mesmo???

20 de maio de 2008

Olhar de olhos fechados

A sábia Pocahontas já cantava “lá na curva o que é que vem...” nos anos 90.
Ela remava por um rio arredio como seus cabelos e se empolgava até chegar numa bifurcação. A árvore sempre dizia pra ela “siga o coração e vai entender...”.


Os momentos de decisão me parecem sempre assim. Se auto-resolvem. É só ficar olhando. E de olhar - a quântica explica - já interfere. O coração é quem olha.
As decisões já vêm tomadas. A gente sempre sabe o que tem que fazer. Por mais irracional, por mais louco, por mais desvantajoso que possa parecer à primeira vista, a decisão se auto-toma. E toma nosso coração e o enche de uma certeza estranhamente inevitável.
...A idéia é continuar remando além da curva. E só então... descobrir o que é que vem...

19 de maio de 2008

Um lugar

A cozinha de um ambiente de circulação coletiva é uma graça.
Lá as pessoas, além de engolir coisas, cospem coisas.
Histórias sobre a morte do cachorro, como o nenê cresceu, dificuldades na faculdade, caos no transporte público, o caso Isabella, o tombo na rua, a trajetória do rap, etc., etc., etc....
Solidariedade é mesmo o espírito encarnado na hora do almoço, na hora do café, na hora da água.
As pessoas aproveitam para compartilhar experiências, desabafar. E, entre uma coisa e outra, quando lembram, até que fazem uma refeição...

17 de maio de 2008

Ordem e Protesto

Então, houve um tempo em que eu quase achei que minha bandeira era descobrir qual era a bandeira dos outros.
Mas não. Acabei descobrindo a minha própria. Ao mesmo tempo em que sim, descobria a bandeira alheia. Ajudava os outros a descobrirem. E descobria junto.
Afinal, descoberta nunca é sozinho.
Tem amigo meu cuja bandeira é a Diversidade, Educação, Liberdade, Cultura, Disciplina, e por aí vai...



E você? Já descobriu qual é a sua bandeira?

16 de maio de 2008

...Planos...

Quando eu era pequena, planejava tudo. E quando alguém perguntava “o que você quer ser quando crescer?” eu já sabia:

_ Princesa!
_ Você quer ser princesa?
_ É! Ou professora de natação.
_ Mas pra ser princesa você vai ter que casar com um príncipe!
_ Eu caso.
_ Mas não tem príncipe no Brasil.
_ Eu procuro em outro lugar.
_ E se não achar?
_ Vou ser professora de natação.

Muito simples!
Planejamento é sempre muito simples.
A gente prevê cada passo, cada suspiro, a posição mais bonita pro cabelo e pras mãos, as palavras mais certas, o charme e tudo de si.
Daí acontece...

Tô planejando agora um jornal.
Sem coroa nem piscina.

15 de maio de 2008

Com vocês... o maestro

Os primeiros robôs da série começaram a ser desenvolvidos em 1986. Eu estava nascendo.
Cresci. E o futuro chegou.


Asimo, da Honda, cumprimenta seus colegas. Ele foi o maestro da Orquestra Sinfônica de Detroit, na última terça-feira.

Quando eu era pequena achava que o ano 2000 nunca ia chegar e, quando chegasse, eu ia ser gente grande.
Quando chegou o ano 2000 eu tinha só 13 anos. Não era gente grande e me pareceu que demorou menos do que eu imaginava.
Quando cresci, pensei que no ano 2100 as pessoas iam usar robôs para ajudar crianças a atravessar a rua. Isso aconteceu em 2008, mas nem envelheci ainda...

Sinto que serei sempre forasteira nesse campo de mutação frenética.

13 de maio de 2008

Aline

Adão Iturrusgarai

12 de maio de 2008

Fez que foi

O passado pode ser presente. De presente agora, neste momento, ou presente dádiva, que alguém te dá. Pode até ser você mesmo quem se deu. Ou não. Mas, de repente, é presente.
Tem passado que nunca passa. Fica passando... Andando na plataforma sem entrar no trem.
E o trem passa. E o passado fica.
E tem passado que a gente joga no trem, dá tchauzinho, chora e balança o lencinho, jura que ele nunca mais vai voltar.
Chega em casa e olha as paredes vazias, liga pros amigos, bebe pra esquecer...
E, depois de um tempo, abre o armário e ele cai. Do nada. Na sua frente. E diz com carinha triste: "Me escondi aqui no bolso do seu casaco pra não ter que ir..."
...E chegou o inverno.

10 de maio de 2008

to call a strike

Pelas perdas.
Pelas dores.
Pelas perdas.
Pelos medos.
Pelas perdas.

Minha forma de protesto pacífico pela parte de mim que foi viver e não volta.
Pela outra parte que ficou com medo e não ousou.
E pela perda.
Greve.

9 de maio de 2008

Sexta

Quando completei seis anos tudo mudou. Alcancei o interruptor. Ligava e desligava todas as luzes da casa. Alcancei o filtro de água. Não precisava mais quase desfalecer desidratada até que alguém pegasse pra mim. Me vestia sozinha. Tomava banho sozinha.
Estava finalmente no pré! E fui alfabetizada.

Na sexta série fiz uma grande amizade. E desfiz outra. A amizade desfeita morreu. A que foi feita se agiganta a cada dia.

Nasci em 1986. Meu primeiro nome tem seis letras.
De acordo com a numerologia a vibração do 6 está ligada e favorece a vaidade, o equilíbrio, a harmonia, a beleza.

Hoje é sexta-feira.
E isso significa...

Significa...

Que tá começando o final de semana.

8 de maio de 2008

Seguinte

Acordar cedo é difícil. Cruel.
Acordar cedo quando está frio é muito cruel.
E a pior parte não é ter que tirar o pijaminha e trocar por uma roupa social. Não é ter que lavar o rosto na água gelada. Não é ter que deixar o quarto confortavelmente escuro e abrir a janela pro sol que faz doer os olhos...
A pior parte...
De tudo...
Sem dúvida...
É trocar as pantufas por sapatos.
Mesmo que sejam tênis.
Pantufa é pantufa.
E ter que tirar minhas pantufas é como ouvir a vida dizer “é chegada a hora, criança”. E não tem mais jeito. Nem mais 5 minutos. Mesmo porque, quando tiro as pantufas eu normalmente já estou atrasada mais de 10 minutos.
E a repetição.
Por quê alguém liga o ar condicionado pra sair da sala e me deixar congelando?
Maldade...


********


No elevador, depois de tirar as pantufas e descer do metrô...
Robson bate na cara de uma colega de trabalho com o jornal do dia.

_ Robson! Pára! Vou ter dar um soco!
_ Vai!

Colega do Robson vira pra outra colega e diz:

_ Eu soco o Robson o dia inteiro, sabia?
_ Sabia.

Terceiro andar.
Deixo os pombinhos desconhecidos e levo a mensagem do dia, o exemplo de companheirismo, para a cooperativa.

_ Olha colega... O jornal do dia... Olha de pertinho, olha...!
(hehe)

7 de maio de 2008

New place

Quando a gente chega num ambiente novo é tudo lindo...

_ Essa é sua mesa. Esse vai ser o seu computador... Essa é sua cadeira. Aquele é o Filisbino. Esse é o Espiriquitiberto. O outro deixa pra lá que não vale à pena. Aqui fica a água. Vê? É água. Essa é nossa cozinha. Aqui é o banheiro. Vê? Essa é a privada... etc, etc, etc.

E quando alguém diz "vem comigo" e a gente aceita, mas não sabe pra onde?
Isso significa que "os livros na estante já não tem mais tanta importância" só porque a teoria de nada vale quando a prática é demasiadamente... prática?

(suspiro)

6 de maio de 2008

Quase um pouco nada

Acontece de a gente querer muito uma coisa e conseguir.
E acontece também de a gente querer muito uma coisa e não conseguir.
Já aconteceu de você não querer nem um pouco uma coisa e conseguir?
Qual é a lógica do universo, afinal?

5 de maio de 2008

Um frio

O frio de domingo congelou o sorriso tímido do sol que tentou alcançar minha janela. Não alcançamos. Nem o sol nem eu. O frio tava alto demais. E congelamos no ar.
Nada como uma rede na varanda, onde eu permaneceria congelada por anos de bom grado. Bom grado os anos e eu congelada. E a rede me sustentando no ar...
As pantufas e o quadro novo na parede foram os cúmplices de uma tarde vivida entre músicas e artigos científicos...
“E até o tempo passa arrastado...” pingando e parando no ar... como estalactites de lembranças...
“Casos, besteiras” e um livro velho ainda não terminado.
E a respiranção fazendo fumacinha no ar...

4 de maio de 2008

Diálogo

_ Será que a monogamia é mesmo um mito?
_ Não sei. Acho que sim.
_ Sempre achei a fidelidade muito importante.
_ Na verdade, eu não vejo problema em ficar com outras pessoas. Outra coisa é ter dois relacionamentos.
_ Por quê? Qual a diferença?
_ Ah... não dá pra levar. Mas existem muitas formas de se relacionar.
_ Eu acho que não tem problema ficar com outras pessoas. Desde que você não engane ninguém. Se for franco, isso também é fidelidade.
_ Não. Isso é lealdade.
_ Talvez. Mas lealdade é mais importante que fidelidade.
_ Pois é. Eu, por exemplo, penso em me casar, mas morando em casas diferentes.
_ Háháháháháháhá...
_ Que foi?
_ Nada.
_ Como você é quadrada... Como você é careta...
_ É... Obrigada... (eu)
_ Existem muitas formas de se relacionar!
_ É... pois é...

3 de maio de 2008

A saga do buraco

Abriu-se um buraco na minha rua.
Não sei como. Quando vi já tinha um buracão na calçada, bem do lado do meu prédio.
Mas o mais legal é que sou eu a jornalista, e sou a única do prédio que nem liga pro buraco.
Meu zelador e um vizinho praticamente não saem do lado do buraco. Ficam lá chocando ele.
Estávamos comentando isso aqui em casa. Os caras ficam lá, assistindo o buraco.
E tem os trabalhadores do buraco que ficam sendo assistidos, no sentido passivo da semântica. Acho que eles pensam “Pô, esses manés ficam aí olhando! Se estão tão interessados porque não ajudam???” – e o cheiro do buraco justifica tudo silenciosamente.
Nada muda.
A gente sai do prédio de manhã e lá estão eles, olhando o buraco.
A gente volta a tarde, a noite, e eles estão lá, plantados, olhando o buraco.
Será que isso ajuda a refletir? Uma espécie de auto-terapia hipnótica?
“...olhe pro buraco... você está com sono... muito sono...”
Gente! Tenho mais o que fazer!

1 de maio de 2008

Top secret

Recebi uma carta hoje. Num envelopinho branco. Não parecia conta. Já fiquei feliz.
Abri sorridente minha cartinha, ao que leio "Promoção por tempo limitado". Bem, toda a mulher gosta de promoção. Mas enche o saco ficar recebendo propaganda. O que me chamou a atenção foi a foto de um jardim todo bonito...

"INVISTA NA SUA TRANQUILIDADE"

"DEIXAR TUDO PARA A ÚLTIMA HORA SEMPRE SIGNIFICA PAGAR MAIS"

"INFRA-ESTRUTURA COMPLETA"

"COM O MAIS ARROJADO E CONCEITUADO PROJETO DE CEMITÉRIO-JARDIM DA CIDADE"

"VENDA DE JAZIGOS. LIGUE AGORA E SOLICITE UM REPRESENTANTE"

Só tenho 21 anos. Não pretendo morrer logo. E, mesmo que morresse, acho que não me importaria de ficar com a gentalha. Prefiro pagar isso numa casa pra usar em vida. Obrigada.
Mas onde eles conseguiram meu endereço e nome completo?
Será que é um presságio dos dados???
Pff...!