29 de setembro de 2009

Dis solução

Isto seria o mesmo que alguém dizer que está com fome e mandarem-lhe calar a boca.
A boca.

Quando falar está proibido, todo o resto também está. Qualquer movimento (e estou aqui falando de gesto pessoal) começa com um esforço do pensamento. Quando a elaboração do pensamento não pode mais ser comunicada, o próprio pensamento é comprometido, assim como a qualidade do movimento, uma vez que as capacidades cognitivas são exercidas na dialógica da dialética do mundo.
Parece difícil, mas não é. Difícil mesmo é o contrário, na teoria ou na prática:

Rebanadas de Realidad - Rel-UITA, Tegucigalpa, 28/09/09.- A pocas horas de su publicación, el Decreto Ejecutivo que cercena las libertades individuales y colectivas de los hondureños tiene ya sus primeras víctimas: las instalaciones de Radio Globo y Canal 36 (Cholusat Sur) fueron tomadas y sus equipos secuestrados por fuertes contingentes de militares y policiales, quienes impidieron la entrada de los fiscales que llegaron al lugar y mantienen retenidos al personas de los dos medios de comunicación.
Se llevaron todos los equipos, y todo esto va a aumentar la represión contra la libertad de prensa que es un principio constitucional.
Sin estas voces el temor de miles y miles de hondureños es que en las próximas horas se pueda una escalada represiva contra quienes se oponen al golpe de Estado.

25 de setembro de 2009

Una mirada

Lasanha, por exemplo. Lasanha é mó legal, de vez em quando. Mesmo que seja um de-vez-em-quando-quase-sempre, é bem bacana, porque lasanha é lasanha. Mas todo dia enjoa.
Do mesmo jeito, outras coisas escorregam na monotonia split quando são muito repetidas. Então nem vou contar aos meus leitores que pedi demissão outra vez, porque eu fiz isso duas vezes nos últimos três meses. E nem vou contar mesmo, até porque já é notícia velha. Já estou em outro lugar.
Este post, na verdade, é só pra dizer que agora blogar é uma atividade legítima, oficial e remunerada. Pero ahora en español. Y por la lucha, compañeros!

Pincha aquí para saber más: Economía Informal

9 de setembro de 2009

O que estamos fazendo eu sei. Só não sei como parar.

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Hoje é um dia especial!

E não são apenas os numerologistas que estão atentos! Os magos, bruxas, elfos, fadas, cartomantes e esotéricos em geral também estão de olhos bem abertos!
Dia nove do mês nove de dois mil e nove. A chuva bizarramente contínua em São Paulo pode significar o dilúvio, pode significar o fim dos tempos, pode significar que alguém lá em cima não terá piedade de nós, pode ser que terá sim, piedade, ou pode ser que só esteja chovendo mesmo. Normal.
Mas a principal mensagem deste dia é preciso ser bastante perspicaz para captar: o tempo passa. Este dia chegou. Este dia acabará.
Você que está preocupado, não esquenta! De acordo com o calendário maia o mundo só vai acabar láááá em dois mil e doze. Ainda dá tempo pra curtir mais um pouquinho.

Agora, se você definitivamente não está preocupado, preocupe-se. Você tem menos de dois anos para pensar numa saída estratégica de alta classe quando as placas tectônicas começarem a se desintegrar sob nossos pés.

2 de setembro de 2009

Quando as palavras dizem mais do que deveriam

Tá bom que ser politicamente correto nem é legal. Mas me incomoda um pouco a freqüência com que a Globo fala insistentemente dos “vândalos” que se manifestaram contra a morte de uma moça de 17 anos, baleada no pescoço. Tá bom que eles destruíram ônibus, mas...

vândalo s. m. adj.

vândalo
s. m.
1. Membro de um antigo povo germânico, em parte eslavo, que devastou o Sul da Europa e o Norte da África.
2. Aquele que destrói os monumentos das artes ou das ciências.
adj.
adj.
3. Fig. Bárbaro; selvagem.

A rigor, se são vândalos ou não é discutível. E quem tem que fazer as classificações sou eu, telespectador, não eles. Além do mais, o que é ética ou moralmente repreensível numa situação pode não ser em outra. A morte não ocupou tanto tempo nos telejornais quanto a ação dos manifestantes. A narrativa me lembrou “polícia e ladrão” no recreio da quinta série, em seguida da aula de história, devidamente anunciada: “Já se passaram 70 anos desde a Segunda Guerra Mundial. Mas não é porque um conflito nessas proporções nunca mais se repetiu que isso quer dizer que aprendemos a lição. Na maior favela de São Paulo, vândalos...”