8 de fevereiro de 2010

Gosto de tangerina.

Leia outra vez o título, por favor.

“Gosto de tangerina.”

Imagina que a frase fosse legenda de uma tangerininha que eu desenhei aqui pra vocês, óh:


Gosto de tangerina.


Mas aí que tá. Eu não disse “gósto de tangerina”, eu disse “gôsto de tangerina”, porque na verdade eu nem gósto de tangerina, eu só senti o gôsto e decidi contar. Mas você, esperto que é, não imaginou uma frase sem ação e logo engatou o verbo na primeira do singular do presente do indicativo e leu que eu gósto, mas eu não gósto.

Daí que pensa só: numa frase tão curtinha e pouco significativa pode caber um equívoco tão grande. Imagina então em uma frase tipo assim:

“Elvis não morreu”
“O homem pisou na lua” ou
“Eu não quero mais te ver, boa sorte.”

Vaaaai que alguém interpreta errado. Ou pior! Vai que alguém acredita nisso!!!!

5 de fevereiro de 2010

Parafraseando um amigo...

2 de fevereiro de 2010

Nos embalos de sábado a noite

video

28 de janeiro de 2010

Pura implicância

Numa cama de solteiro em um quarto escuro:

Menina: _ Por que você ainda não dormiu?
Menino: _ Porque eu não estou com um pingo de sono.
Menina: _ Mentira. Tá sim.
Menino: _ Não, não tô. Mas você sabe mais de mim do que eu, né? Longe de mim querer saber de mim.
Menina: _ ...
Menino: _ ...
Menina: _ ...
Menino: _ (((ronco)))

27 de janeiro de 2010

Nostalgia

Eu comprei depois de muitos anos. Acho até que nunca nem tinha comprado pra mim mesma antes. Talvez até nunca tenha comprado pra ninguém. Minha mãe é que comprava pra mim até cair no esquecimento. Mas era a parte que eu mais gostava na escola. A professora virava aquela caixona cheia e a gente escolhia umas bolotas de cores já misturadas. No começo era duro, difícil. As bolotas eram frias e inflexíveis. Depois, com o calor das mãozinhas, ia ficando mais fácil.
Eu, particularmente, não gostava de misturar as cores. Ficava com dó. A mesma dó que eu tinha de riscar o livro.

_ E se depois outra pessoa precisar? Já vai ter as respostas! Não pode!

E eu não riscava. Então também não misturava. Quando fazia gentes, sempre me preocupava em não apertar muito os olhinhos pretos na cara, pra depois poder desgrudar. De qualquer forma era uma dor no coração. Ter que desmontar tudo que a gente levou horas no maior capricho pra fazer e vai-se embora de volta na caixa em forma de bolota outra vez. E eu pensava que eu era boba, porque as outras pessoas misturavam as cores todas sem dó. Tinha vezes que eu pegava umas indistinguíveis: verde com marrom e roxo, por exemplo. O que se faz com isso? Não podia ser casa, não podia ser gente, não podia ser nada. Uma cor feia daquela espantaria moradores e amigos. Será que as pessoas não pensavam nisso? Ainda que misturassem, mas tinha que ser uma combinação tão tão horripilante?
Eu ficava brava e pedia pra professora trocar aquela bolota pra mim.
Mas legal meeeesmo era quando era nova, que vinha no potinho. Tinha cheirinho de chiclé e eu tinha vontade de morder. Uma vez mordi e ficou tudo grudada no meu dente. Descobri aí que o gosto não valia o cheiro e desisti. Anos mais tarde provei um sabonete azul e confirmei a tese. Mas pelo menos sabão deixa limpinho.

_ E aí? É bom?
_ Não. Eu não gostei... (Ptú!) Que ruim...
_ Ah... então eu não vou colocar na boca, não... Já comi areia esses dias e também não gostei...
_ É... areia não parece bom. Mas massinha pareciiiiia...

Comprei um saquinho ontem.
Abri e senti o cheirinho de chiclé. Mas essa é da boa. Já vem molinha.
Fiquei apertando na mão uma bolotinha vermelha. E não peguei outra cor até guardar a primeira, pra não misturar. Agora sou eu que decido quem vai brincar porque a massinha é minha! E não vou deixar ninguém misturar e fazer cores feias.
...Nem morder.

21 de janeiro de 2010

Too much

_ Smoke?

_ No.

_ Drink?

_ No.

_ Drugs?

_ No.

_ Think?

_ Yes, trying to quit.

11 de janeiro de 2010

Start!

Imaginei que o sonho americano tivesse acabado, que as pessoas tivessem caído na real e talz. Mas não. Filas gigantes. Fila até pra ficar na calçada. E um tanto surreal:

_ ¡Buenas tardes, señorita!
_ Mas aqui é o consulado dos EUA. Você deveria dizer isso em inglês, não?
_ Ah... É que em inglês eu não sei. - respondeu o segurança.

Um guichê pra cada coisa, só não muda a expressividade.

_ Documentos?
_ Aqui.
_ Preciso de uma foto sua sem franja. Tem?
_ Não.
_ Ok.

Ok?
Fantástico.
Algumas pessoas até se comportam como robôs, pra elevar o nível da performance:

_ Hola por favor maum djireita. Isquerda. Dedos assim chuntos. É só esperar obrigada tchao.
_ Ah... bem... obrigada.

Próximo guichê:

_ Vai fazer o quê lá?
_ Vou acompanhar uma reunião de... blá blá... convidada da ei-éf-él-ci-ai-ou e minhas despesas... ai-ou-él.
_ Ok. Pegue seu pásspórt na sexta.
_ Obrigada.

Não sei se foi sorte, se foi pela palavra "jornalista", "sindicalistas", "reunião", se foi pelas siglas, se foi um colapso de ondas de possibilidades quânticas, uma coincidência aleatória ou a noite anterior do cônsul. Mas... B1/B2 de 5 anos.

_ Sééério? O meu foi negado. Me fizeram um monte de perguntas, o cônsul começou a falar inglês comigo, fui tão humilhada... Saí de lá chorando. Odeio os americanos.
_ Que ruim.

E fui.

18 de dezembro de 2009

Já deu parabéns pra mim hoje? Eu já!


12 de dezembro de 2009

Coming back soon from...

Esta Camila estará além das fronteiras deste país e deve ser encerrada no espaço de alguns dias.

11 de dezembro de 2009

Sutil



8 de dezembro de 2009

Ambigüidades são demais!

"Cachorro faz mal a milhares de pessoas"
(A notícia era sobre cachorro-quente estragado!)


"Vendem-se lençóis para casal de algodão”
(Desconfio que a pessoa quis dizer: vendem-se lençóis para casal fofinho... hummmm)


"Estamos acabando com os pobres"
(Meu Deus! Mas como? Fazendo-os fugir jogando água, igual o Kassab fez em São Paulo, ou estão usando um método mais humano, tipo afogando?)


"Subindo a serra, avistei vários animais"
(Quem subia a serra: a pessoa ou os animais?)


"Eu noivaria com você, Verinha, se tivesse um pouco de dinheiro"
(Poxa... Jogou na cara... Ser gente boa não serve pro namorado da Verinha, hein? Se eu fosse ela largava ele!)

7 de dezembro de 2009

I did it myyyyyy... way

Era tentador o lá fora. O lá fora me espiava azul por detrás da cortina de renda e eu fui até a fresta olhá-lo também. Tentava. Não era um claro, não era um arrebatamento de morno ou certezas, mas pouca coisa podia ser pior do que ali, dali onde eu tava. Não dava pra ver.

Sentei de volta, naquele vermelho vinho derramado em volta, num jeito de testar minha paciência outra vez. Mas era um frio sobrenatural. O casaco não aplacava. O cansaço não vencia. O sono não chegava.

Subi vagarando as escadas, olhei no espelho aquela palidez de 5h30 e desci. Silenciada.
Desajeitada procurei as chaves. E as testei, pedindo ao eco que respeitasse a paz dos que dormiam. Implorei.

Primeiro uma, depois duas, depois três. “Liberdade!” – pensei.

Voltei pra dentro da casa, peguei a mochila ainda largada na mesma mesa e saí ansiosa.
Tranquei por fora e passei a cúmplice daquela fuga desconexa por debaixo da porta de carros.
Virei e fui e imediatamente quis voltar. Enquanto olhava pra frente, pensava num jeito de entrar de novo debaixo daquele abraço que eu sabia onde dormia. Examinei mentalmente todas as possibilidades, mas nenhuma parecia possível.

Tocar a campainha, acordar a casa inteira e explicar que me tranquei pra fora? Não.
Pular? Não.
Gritar o nome dele da calçada? Não.
Ligar do orelhão e pedir pra alguém abrir pra mim, porque eu fugi de madrugada e queria voltar? Não.

Não titubeei por fora e continuei andando.

Antes de chegar no ponto um homem passou de bicicleta.

_ Moço, eu me tranquei pra fora de propósito, mas tô arrependida. Me ajuda a pular o portão da garagem?

Não faria o menor sentido. Ignorei aquela idéia como ignorei as anteriores e continuei andando pra frente.

“Engole essa liberdade agora, idiota.”

Engoli.

No ônibus ainda pensava num jeito de voltar. Mas o trabalho extra de não saber nem que ônibus faria que caminho me fez desistir e prestar atenção no Sol provocando a vida.

Não sou fã do cedo do dia, nada pessoal. Mas já que eu tava ali, a janela tava ali, o céu tava ali, metade laranjão metade azulzinho, porque não bater um papinho? Em silêncio.

Foi o que eu fiz. Fizemos.

Ficamos nos olhando o Sol e eu.

E, sem mais nem menos, quando me dei conta já tinha ido mesmo.

Cedi à tentação de ir por não ter cedido antes à de ficar...

_ Sua malucaaaaaaaaaaaaa!!!

...Sem nenhum arrependimento.

É que prefiro não estar onde não estou e me sentir sozinha por estar, de fato, sozinha.
E fui.

_ Retardada!

_ Ah, pára. Eu vou pra onde eu quero. Sou bem grandinha.

_ Não precisava fazer assim...

_ Esse seu papo tá me lembrando um amigo meu, que diz que sou arredia.

_ Indomável. É uma palavra boa pra você: indomável.

_ Ah, é! Essa também. Era uma das preferidas da minha mãe. Ela sempre usava essa.

3 de dezembro de 2009

Lover's miths

Toda dor desespera. E o desespero vem do fato de sabermos dentro que, se não dermos um jeito de acabar com ela, ela acabará conosco. Sutil e belamente, como fosse lenda.

_ Nossa, ela mora ali, vovó?
_ Sim. Dizem que ela perdeu o juízo quando perdeu o amor. Um moço bonito que andava ao redor dela. Mas amar não bastou. Depois disso, viver também não.
_ Nossa...
_ É...

A noiva de Garibaldi certamente não foi a única.

1 de dezembro de 2009

Eu vi - Parte II

Na mesma proporção que fui negativamente surpreendida quando olhei pr’aquela cara de paspalho que jamais envelheceria, fui surpreendida positivamente pela atitude daquela senhora.

_ Mas o motorista é a autoridade dentro do ônibus. Não vai fazer nada, motorista?
_ ...
_ Pois bem.

No ponto seguinte, próximo à Paulista, a senhora sai na porta e grita para dois policiais:

_ Por favor, senhores! Venham até aqui! Preciso de ajuda.

Entraram dois.

_ Este senhor me ofendeu, me agrediu verbalmente, está sentado em local reservado e disse que está para nascer o homem que vai tirá-lo daí.

O policial se dirige, em voz baixa e mansa para a criatura:

_ O senhor pode liberar o assento, por favor?
_ Claro. Pedindo com educação, sim. Mas ela não tinha pedido com educação, sabe?

Uma risada soou em uníssono. Mas eu não consegui rir. Estava com vergonha dele por ele.
A senhora se sentou e os policiais não deixaram o ônibus até que ela desembarcasse. Quando ela foi, o sujeito continuou reclamando. Foi aquela parte:

_ Depois leva uns tapa na orelha e não sabe por quê. Tem que levar pra aprender. Velha trouxa, xarope.

Esta última ela não teve o dissabor de ouvir. E eu desci. Portanto, não ouvi mais também. Mas e se não fosse perto da Paulista? E se não houvesse policiais por perto?


"Tem que levar pra aprender."

30 de novembro de 2009

Eu vi

_ Me desculpa senhora, mas eu não vou levantar daqui, não. A senhora trabalha? Não, né? Só faz é andar de ônibus pra cima e pra baixo às minhas custas, sem pagar nada. Não quero nem saber se estou em lugar reservado. A senhora que vá procurar o que fazer. Isso é coisa de gente desocupada. Eu trabalho, pago o ônibus e tá pra vir o homem que vai me tirar daqui. A senhora tá indo passear. Fica aqui enchendo o meu saco. Depois leva uns tapa na orelha e não sabe porquê. Tem que levar pra aprender. Velha trouxa, xarope.

26 de novembro de 2009

Inexplicáveis

Sobem as cortinas. O público se ajeita nas cadeiras.
O relógio de parede marca duas horas da manhã em ponto. A Camila entra na sala e olha a bagunça.

_ Ué... Que cê tá fazendo?

A outra responde, debaixo da mesinha do computador:

_ Tô fazendo uma limpeza aqui.
_ Quer ajuda?
_ Não. Por enquanto não...
_ Hum...
_ Onde cê vai?
_ Na cozinha pegar água, se você deixar.
_ Ah, tá. Pode ir, sim.

E a Camila volta.

_ Qual o problema?
_ Meu computador. Ele não tá ligando.
_ Ah...
_ Memória tá certa... tchô ver aqui...
_ Não... é que você não tá sabendo apertar o botão direito. – “click”

Vummmmmmm

_ Olha, o cooler tá funcionando... Ligou!
_ Rs
_ Como cê fez isso?
_ Eu falei que você não tava sabendo apertar o botão direito...

Close na cara de pastel dela.

_ Boa noite, Natália.

Descem as cortinas.

23 de novembro de 2009

Cumé?

_ Por favor, onde fica a loja da Claro?
_ Não sei.
_ Eu preciso de assistência técnica.
_ Ah... Bem, o senhor tem que se informar. Aqui tem um localizador, olha. É só procurar o nome da loja por andar.
_ Filha de Iemanjá... você tem uma santa muito bonita, viu?!
_ hum?

Isso me lembrou o diálogo com a mãe médium de um amigo meu:

_ Você tem uma energia mental tão forte que até me dá uma dor de cabeça, sabe? Não tô acostumada com isso...
_ Ah... poxa... Desculpa... É pra eu ir embora, não?

...Gente estranha...

22 de novembro de 2009

...ilusões des.


5 de novembro de 2009

....Tava aqui pensando

A postagem tava no blog em espanhol e era assim:

Los líderes del G20 acogieron favorablemente el Pacto Mundial para el Empleo de la Organización Internacional del Trabajo (OIT) y la construcción de “un marco orientado hacia el empleo para el crecimiento económico futuro”. La Declaración de los Líderes del G20 fue presentada a la prensa en Pittsburgh el 25 de septiembre por el Presidente Obama.

Daí veio o comentário:

Enviado el 05-11-2009 a las 2:40

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Sem contar as propagandas de Valium.

Sei lá... Acho que mesmo pra ser um disparador de spams frenético, neurótico, anti-ético, ninfomaníaco e depressivo é preciso cérebro, né? O fulano não sabe nem escrever direito!

...Mas num sei... Num sei...

3 de novembro de 2009

Um papinho rápido no metrô

_ Olha! Você tá lendo alguma coisa do Nashudin?
_ Hã?
_ Você. Tá lendo Nashudin?
_ Ah... não. Eu não.
_ É que eu li aqui - e aponta para o meu livro.
_ Não. Eu estou lendo um livro sobre física quântica de um cientista indiano chamado Amit Goswami.
_ Ah! Legal! Eu gosto de física quântica. É que eu gosto de misticismo, por isso gosto de física quântica. Você gosta de misticismo?
_ Não. Acho que comigo é o contrário. Talvez eu goste de alguma coisa do misticismo porque gosto antes de física quântica.
_ Você gosta de física?
_ Eu gosto de saber.
_ Ah... Gosta de psicologia?
_ Ahãn.
_ Então posso te recomendar um livro?
_ Pode.
_ A Ascensão de Prometeus, de Robert Wilson. É muito legal, saca, porque ele, tipo... e ele... dos estágios do cérebro humano e... daí... dos animais... da vida... do mundo... do universo e tudo mais, saca?... de Freud... anal, oral, LSD, quando ele sai da cadeia... e Jung... fase dos traumas... as drogas... o barato místico, tipo... porque eu acredito em fadas, mas os discos voadores podem ser o nosso cérebro buscando no nosso DNA informações que... saca?


[fecho o livro]


_ Desculpa. Não estou deixando você ler, né?
_ Não, tudo bem. Pode falar.
_ Então, porque daí eu tô aqui aproveitando esse momento com você, mas você vai embora e a gente pode nunca mais se ver...
_ Você vai descer em qual estação?
_ Na Barra Funda. E você?
_ No Anhangabaú.
_ Tá indo pro trabalho?
_ Sim.
_ O que você faz?
_ Sou jornalista.
_ Legal. Tem muito jornalista legal, mas tem uns que não são não.
_ É...
_ Que signo você é?
_ Sagitário.
_ Legal. O melhor signo de fogo.
_ E você?
_ Áries.
_ Hum.
_ Ah... mas, tipo, eu sou um ariano fajuto, porque meu ascendente é peixes, saca? E eu tenho uma filha, né? Ela tem 3 anos. O meu elemento de afinidade é o ar, por isso Ariel, mas ela é virgem com ascendente em touro, ou seja, ela é da terra, que é o elemento oposto, tipo. Mas eu não acredito no fim do mundo, saca? É só a Era de Aquário e alguma coisa tá acontecendo, saca? Tipo...


Tu-tuuuum.


_ Prazer, hein, Camila.
_ Prazer foi meu. Té mais.