18 de dezembro de 2009

12 de dezembro de 2009

Coming back soon from...

Esta Camila estará além das fronteiras deste país e deve ser encerrada no espaço de alguns dias.

11 de dezembro de 2009

Sutil



8 de dezembro de 2009

Ambigüidades são demais!

"Cachorro faz mal a milhares de pessoas"
(A notícia era sobre cachorro-quente estragado!)


"Vendem-se lençóis para casal de algodão”
(Desconfio que a pessoa quis dizer: vendem-se lençóis para casal fofinho... hummmm)


"Estamos acabando com os pobres"
(Meu Deus! Mas como? Fazendo-os fugir jogando água, igual o Kassab fez em São Paulo, ou estão usando um método mais humano, tipo afogando?)


"Subindo a serra, avistei vários animais"
(Quem subia a serra: a pessoa ou os animais?)


"Eu noivaria com você, Verinha, se tivesse um pouco de dinheiro"
(Poxa... Jogou na cara... Ser gente boa não serve pro namorado da Verinha, hein? Se eu fosse ela largava ele!)

7 de dezembro de 2009

I did it myyyyyy... way

Era tentador o lá fora. O lá fora me espiava azul por detrás da cortina de renda e eu fui até a fresta olhá-lo também. Tentava. Não era um claro, não era um arrebatamento de morno ou certezas, mas pouca coisa podia ser pior do que ali, dali onde eu tava. Não dava pra ver.

Sentei de volta, naquele vermelho vinho derramado em volta, num jeito de testar minha paciência outra vez. Mas era um frio sobrenatural. O casaco não aplacava. O cansaço não vencia. O sono não chegava.

Subi vagarando as escadas, olhei no espelho aquela palidez de 5h30 e desci. Silenciada.
Desajeitada procurei as chaves. E as testei, pedindo ao eco que respeitasse a paz dos que dormiam. Implorei.

Primeiro uma, depois duas, depois três. “Liberdade!” – pensei.

Voltei pra dentro da casa, peguei a mochila ainda largada na mesma mesa e saí ansiosa.
Tranquei por fora e passei a cúmplice daquela fuga desconexa por debaixo da porta de carros.
Virei e fui e imediatamente quis voltar. Enquanto olhava pra frente, pensava num jeito de entrar de novo debaixo daquele abraço que eu sabia onde dormia. Examinei mentalmente todas as possibilidades, mas nenhuma parecia possível.

Tocar a campainha, acordar a casa inteira e explicar que me tranquei pra fora? Não.
Pular? Não.
Gritar o nome dele da calçada? Não.
Ligar do orelhão e pedir pra alguém abrir pra mim, porque eu fugi de madrugada e queria voltar? Não.

Não titubeei por fora e continuei andando.

Antes de chegar no ponto um homem passou de bicicleta.

_ Moço, eu me tranquei pra fora de propósito, mas tô arrependida. Me ajuda a pular o portão da garagem?

Não faria o menor sentido. Ignorei aquela idéia como ignorei as anteriores e continuei andando pra frente.

“Engole essa liberdade agora, idiota.”

Engoli.

No ônibus ainda pensava num jeito de voltar. Mas o trabalho extra de não saber nem que ônibus faria que caminho me fez desistir e prestar atenção no Sol provocando a vida.

Não sou fã do cedo do dia, nada pessoal. Mas já que eu tava ali, a janela tava ali, o céu tava ali, metade laranjão metade azulzinho, porque não bater um papinho? Em silêncio.

Foi o que eu fiz. Fizemos.

Ficamos nos olhando o Sol e eu.

E, sem mais nem menos, quando me dei conta já tinha ido mesmo.

Cedi à tentação de ir por não ter cedido antes à de ficar...

_ Sua malucaaaaaaaaaaaaa!!!

...Sem nenhum arrependimento.

É que prefiro não estar onde não estou e me sentir sozinha por estar, de fato, sozinha.
E fui.

_ Retardada!

_ Ah, pára. Eu vou pra onde eu quero. Sou bem grandinha.

_ Não precisava fazer assim...

_ Esse seu papo tá me lembrando um amigo meu, que diz que sou arredia.

_ Indomável. É uma palavra boa pra você: indomável.

_ Ah, é! Essa também. Era uma das preferidas da minha mãe. Ela sempre usava essa.

3 de dezembro de 2009

Lover's miths

Toda dor desespera. E o desespero vem do fato de sabermos dentro que, se não dermos um jeito de acabar com ela, ela acabará conosco. Sutil e belamente, como fosse lenda.

_ Nossa, ela mora ali, vovó?
_ Sim. Dizem que ela perdeu o juízo quando perdeu o amor. Um moço bonito que andava ao redor dela. Mas amar não bastou. Depois disso, viver também não.
_ Nossa...
_ É...

A noiva de Garibaldi certamente não foi a única.

1 de dezembro de 2009

Eu vi - Parte II

Na mesma proporção que fui negativamente surpreendida quando olhei pr’aquela cara de paspalho que jamais envelheceria, fui surpreendida positivamente pela atitude daquela senhora.

_ Mas o motorista é a autoridade dentro do ônibus. Não vai fazer nada, motorista?
_ ...
_ Pois bem.

No ponto seguinte, próximo à Paulista, a senhora sai na porta e grita para dois policiais:

_ Por favor, senhores! Venham até aqui! Preciso de ajuda.

Entraram dois.

_ Este senhor me ofendeu, me agrediu verbalmente, está sentado em local reservado e disse que está para nascer o homem que vai tirá-lo daí.

O policial se dirige, em voz baixa e mansa para a criatura:

_ O senhor pode liberar o assento, por favor?
_ Claro. Pedindo com educação, sim. Mas ela não tinha pedido com educação, sabe?

Uma risada soou em uníssono. Mas eu não consegui rir. Estava com vergonha dele por ele.
A senhora se sentou e os policiais não deixaram o ônibus até que ela desembarcasse. Quando ela foi, o sujeito continuou reclamando. Foi aquela parte:

_ Depois leva uns tapa na orelha e não sabe por quê. Tem que levar pra aprender. Velha trouxa, xarope.

Esta última ela não teve o dissabor de ouvir. E eu desci. Portanto, não ouvi mais também. Mas e se não fosse perto da Paulista? E se não houvesse policiais por perto?


"Tem que levar pra aprender."

30 de novembro de 2009

Eu vi

_ Me desculpa senhora, mas eu não vou levantar daqui, não. A senhora trabalha? Não, né? Só faz é andar de ônibus pra cima e pra baixo às minhas custas, sem pagar nada. Não quero nem saber se estou em lugar reservado. A senhora que vá procurar o que fazer. Isso é coisa de gente desocupada. Eu trabalho, pago o ônibus e tá pra vir o homem que vai me tirar daqui. A senhora tá indo passear. Fica aqui enchendo o meu saco. Depois leva uns tapa na orelha e não sabe porquê. Tem que levar pra aprender. Velha trouxa, xarope.

26 de novembro de 2009

Inexplicáveis

Sobem as cortinas. O público se ajeita nas cadeiras.
O relógio de parede marca duas horas da manhã em ponto. A Camila entra na sala e olha a bagunça.

_ Ué... Que cê tá fazendo?

A outra responde, debaixo da mesinha do computador:

_ Tô fazendo uma limpeza aqui.
_ Quer ajuda?
_ Não. Por enquanto não...
_ Hum...
_ Onde cê vai?
_ Na cozinha pegar água, se você deixar.
_ Ah, tá. Pode ir, sim.

E a Camila volta.

_ Qual o problema?
_ Meu computador. Ele não tá ligando.
_ Ah...
_ Memória tá certa... tchô ver aqui...
_ Não... é que você não tá sabendo apertar o botão direito. – “click”

Vummmmmmm

_ Olha, o cooler tá funcionando... Ligou!
_ Rs
_ Como cê fez isso?
_ Eu falei que você não tava sabendo apertar o botão direito...

Close na cara de pastel dela.

_ Boa noite, Natália.

Descem as cortinas.

23 de novembro de 2009

Cumé?

_ Por favor, onde fica a loja da Claro?
_ Não sei.
_ Eu preciso de assistência técnica.
_ Ah... Bem, o senhor tem que se informar. Aqui tem um localizador, olha. É só procurar o nome da loja por andar.
_ Filha de Iemanjá... você tem uma santa muito bonita, viu?!
_ hum?

Isso me lembrou o diálogo com a mãe médium de um amigo meu:

_ Você tem uma energia mental tão forte que até me dá uma dor de cabeça, sabe? Não tô acostumada com isso...
_ Ah... poxa... Desculpa... É pra eu ir embora, não?

...Gente estranha...

22 de novembro de 2009

...ilusões des.


5 de novembro de 2009

....Tava aqui pensando

A postagem tava no blog em espanhol e era assim:

Los líderes del G20 acogieron favorablemente el Pacto Mundial para el Empleo de la Organización Internacional del Trabajo (OIT) y la construcción de “un marco orientado hacia el empleo para el crecimiento económico futuro”. La Declaración de los Líderes del G20 fue presentada a la prensa en Pittsburgh el 25 de septiembre por el Presidente Obama.

Daí veio o comentário:

Enviado el 05-11-2009 a las 2:40

That s why we have different possibilities to use Viagra small doses medium doses or big doses 25 50 100 mg. ambien 28677 levitra vma propecia hklorw.

Sem contar as propagandas de Valium.

Sei lá... Acho que mesmo pra ser um disparador de spams frenético, neurótico, anti-ético, ninfomaníaco e depressivo é preciso cérebro, né? O fulano não sabe nem escrever direito!

...Mas num sei... Num sei...

3 de novembro de 2009

Um papinho rápido no metrô

_ Olha! Você tá lendo alguma coisa do Nashudin?
_ Hã?
_ Você. Tá lendo Nashudin?
_ Ah... não. Eu não.
_ É que eu li aqui - e aponta para o meu livro.
_ Não. Eu estou lendo um livro sobre física quântica de um cientista indiano chamado Amit Goswami.
_ Ah! Legal! Eu gosto de física quântica. É que eu gosto de misticismo, por isso gosto de física quântica. Você gosta de misticismo?
_ Não. Acho que comigo é o contrário. Talvez eu goste de alguma coisa do misticismo porque gosto antes de física quântica.
_ Você gosta de física?
_ Eu gosto de saber.
_ Ah... Gosta de psicologia?
_ Ahãn.
_ Então posso te recomendar um livro?
_ Pode.
_ A Ascensão de Prometeus, de Robert Wilson. É muito legal, saca, porque ele, tipo... e ele... dos estágios do cérebro humano e... daí... dos animais... da vida... do mundo... do universo e tudo mais, saca?... de Freud... anal, oral, LSD, quando ele sai da cadeia... e Jung... fase dos traumas... as drogas... o barato místico, tipo... porque eu acredito em fadas, mas os discos voadores podem ser o nosso cérebro buscando no nosso DNA informações que... saca?


[fecho o livro]


_ Desculpa. Não estou deixando você ler, né?
_ Não, tudo bem. Pode falar.
_ Então, porque daí eu tô aqui aproveitando esse momento com você, mas você vai embora e a gente pode nunca mais se ver...
_ Você vai descer em qual estação?
_ Na Barra Funda. E você?
_ No Anhangabaú.
_ Tá indo pro trabalho?
_ Sim.
_ O que você faz?
_ Sou jornalista.
_ Legal. Tem muito jornalista legal, mas tem uns que não são não.
_ É...
_ Que signo você é?
_ Sagitário.
_ Legal. O melhor signo de fogo.
_ E você?
_ Áries.
_ Hum.
_ Ah... mas, tipo, eu sou um ariano fajuto, porque meu ascendente é peixes, saca? E eu tenho uma filha, né? Ela tem 3 anos. O meu elemento de afinidade é o ar, por isso Ariel, mas ela é virgem com ascendente em touro, ou seja, ela é da terra, que é o elemento oposto, tipo. Mas eu não acredito no fim do mundo, saca? É só a Era de Aquário e alguma coisa tá acontecendo, saca? Tipo...


Tu-tuuuum.


_ Prazer, hein, Camila.
_ Prazer foi meu. Té mais.

2 de novembro de 2009

Como você sabe que sabe e que diferença isso faz?

Bem, você deve saber que sua mãe te ama/amou e isso provavelmente é tido como certeza. Mas, se você tem irmãos, deve imaginar ou sentir que ela gosta mais de um de vocês. Um estudo do biólogo norte americano Frank Sulloway apontou que 87% das mães admitem que amam mais o filho caçula. Imagino que se você não é o filho caçula deve estar 13% egoicamente preocupado agora. Mas isso é o mesmo que sua certeza sobre o fato de que o Everest é o ponto mais alto do mundo. Obviamente você não foi lá medir. Então, como você sabe? De onde vem a certeza? E se você descobrisse, por exemplo, que todas as suas certezas são frágeis o bastante a ponto de você perceber que não sabe de absolutamente nada, porque nada é certeza, mas suposição, especulação e tentativa? Vamos supor que sua mãe te ame mais, ou te ame menos. O que muda se você tiver certeza sobre isso? Alguma certeza é capaz de tirá-lo da normóse? Ou são as certezas que o colocam nesse estado? Ou a falta delas? Ou a impossibilidade delas? Ou o não-saber o quê são elas e o quê é normóse?

“A normóse, ao lado da psicose e da neurose, é a doença que torna medíocres os seres humanos, conduzindo uma vida sem meta, sem fulgor, sem paz, sem significado, sem vigor, sem criatividade, sem felicidade, sem aquilo que em verdade poderíamos chamar euforia. Um normótico é o tipo engendrado pela coletividade, por ela condicionado, e dela dependente. É o tipo tido por normal na sociedade em que vivemos. Normótico é o mesmificado, que, sempre buscando ajustar-se ao coletivo, perde sua identidade e faz todas as concessões aderindo à dança dos modismos que se sucedem.”

28 de outubro de 2009

Salva pelo gongo

Um dia depois do anúncio da estréia do longa-metragem "Eu e as baratas", estrelado por uma colega de trabalho, eis que tenho um diálogo muitíssimo esclarecedor na cozinha do escritório. A saber, segue:

_ Meu, tem muita barata aqui, hein?
_ É.
_ E são todas pequenininhas. Quer dizer, se tem filhote, tem mamy e papy também, né?
_ Ah... não. É a raça da barata que é assim mesmo. É modelo pequeno, elas não crescem.
_ É mesmo? Não sabia que existia essa marca, tipo, mini-barata. Que fofo, né? Deve ser pra criança.
_ Rsrs...
_ Mas sabe, eu venho aqui e tenho mó medo que dentro da minha garrafinha caia uma barata junto com a água. Porque tem esse caninho aqui e eu acho que...
_ Ah, elas entram! Entram sim!
_ É? Então o que você tá me dizendo é que a água está contaminada?
_ Isso. Isso mesmo.
_ Ah... (jogando a água na pia) Brigada, hein?!
_ De nada.

Ufa! Beeem melhor ficar com sede.

25 de outubro de 2009

Do machismo feminino

É claro que a gente sabe abrir e fechar a porta do carro, mas custa ele fazer isso?
Custa ele desviar a gente do matinho, do buraco ou do poste enquanto a gente anda sem olhar pra frente?
É tão difícil assim carregar a nossa mochila, entender nossos surtos de comunicação reprimida, decidir de uma vez o filme ou o restaurante quando a gente diz, despreocupadamente, “tanto faz... escolhe você”?
E, depois de sutiãs, marchas, revoltas, greves, passeatas, febres, alucinações, máquinas, sexo, jogos, política, direitos, deveres, mutilações, anticoncepcionais, TPMs e mortes, eis:


“Mas o indivíduo raramente é capaz e propenso a admitir que vê o mundo através do prisma de gerações passadas, que a sua inovação tem uma base estritamente determinada, uma base de que ninguém consegue desprender-se inteiramente.”

A. Schaff, 1974

15 de outubro de 2009

Action day - meu blog na mão do contra

Uma sacolinha de plástico leva 300 anos para se decompor.
500 bilhões de sacolas por ano quer dizer 1,5 bilhão por dia ou 1 milhão por minuto. Os dados são da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo, que afirma ainda que no Brasil são produzidos anualmente 210 mil toneladas de filme plástico, com o qual são fabricadas as sacolas. As estimativas revelam que os brasileiros jogam fora, todos os meses, um bilhão delas, o que dá uma média de 66 unidades para cada consumidor.

Agora, se é pra refletir, vâmo refletir:

Como levar suas compras pra casa se os mercados só oferecem sacolinhas de plástico?
Com sacolas de pano, claro.
E você tem na sua casa sacolas de pano disponíveis para fazer uma compra de mês?
Sua vizinha tem?
Seus familiares têm?
E seu lixo? Descarte as sacolinhas. Onde é que você vai dispensar seu lixo? Em sacola de pano, também? Ou solto? O caminhão vai parar na sua porta e você vai sair correndo de pijama, na madrugada, e fazer várias viagens da cozinha até o portão até que todo o seu lixo tenha sido levado sem embalagem?

Please, né?

É o tipo da coisa que ou é coletiva ou não é.
Iniciativas individuais são louváveis. Iniciativas coletivas, públicas e cidadãs, são realistas.

Eu não tenho a solução.
E você?

12 de outubro de 2009

Despautérios - Da série: falta de tato é pouco, errar é humano e perdoar é pros fracos

_ É assim: na minha vida primeiro vem Camila Caringe, depois Deus, depois a família e depois, por último, eu.
_ !!!


__________________________________________________

_ ...E Jesus disse: “Não jogai pérolas aos porcos.”
_ É mesmo? Ele disse isso aí?
_ Disse sim. Por quê?
_ Ah... ele disse um monte de besteira, mesmo, né?
_ ...
_ Você é cristã?
_ Uhum.
_ Ah... Foi mal.

8 de outubro de 2009

Da série: singelas descobertas cotidianas

Você já conheceu uma pessoa bem humana? Sim, porque existem pessoas só um pouco humanas, mais ou menos humanas, muito humanas, nada humanas... Assim como existe pessoa animal, pessoa divina ou pessoa angelical, como supôs um amigo meu semana passada.
Eu conheço uma pessoa bem humana. Descobri esses dias que a criatura com quem eu moro é mega-humana.


_ Olha! Tá nascendo! Tá nascendo! Tá nascendo!

_ O quê tá nascendo? A sua batata feia?

_ Não é batata feia! É dália. A flor é linda e parece que tá brotando, olha!


Olhei no fundo do balde enquanto ela saía correndo da varanda e voltava aos pulos:


_ Vou filmar o nascimento!

_ Você vai filmar esse teco de coisa verde aí que cê nem sabe se é ou não sua batata feia?

_ Não fala assim! Vou registrar esse momento!

_ Tá, né. Mas... Por que você plantou num balde? Não era melhor um vaso?

_ Isso é um vaso! Eu mesma fui comprar junto com a terra adubada.

_ Ah... foi mal.


E fiquei na janela olhando ela filmando o micro-talinho de grama de 3 milímetros. Nessa hora notei que eu, apesar de pessoa, talvez não seja tão humana. Hiléia, que faria comigo? Decerto minha amiga estaria salva no paraíso das flores de dália enquanto eu queimaria no mármore do inferno dos ecoxiitas. Logo eu, militante de coração e contrato.


(((suspiro)))

6 de outubro de 2009

Dos erros, desejáveis como inevitáveis

Uma vez eu voltei ao antigo colégio e encontrei a professora de inglês:

_ Que bom vê-la novamente, senhorita Caringe. O que está fazendo da vida?
_ Estudando jornalismo.
_ É mesmo? E o que a sua mãe acha disso?
_ Olha... ela não se manifestou contra, contanto que eu pague a faculdade.
_ Sim, mas ela gosta da idéia de você fazer isso?
_ O quê? Uma faculdade?
_ De jornalismo.
_ Não tenho muita certeza, mas acho que ela não vê problema.
_ Ah... Mas que pena...
_ Hum?
_ Andam morrendo tantos jornalistas por aí...
_ Hum...
_ Se eu tivesse uma filha eu não ia deixar ela ser jornalista, sabe?
_ É mesmo?
_ É. Uma profissão horrível.
_ Hum...
_ E você quer trabalhar com isso mesmo?
_ Sim.
_ Puxa, que coisa... Mas ainda dá tempo de repensar, né, Camila? Não é só porque você fez faculdade que tem que trabalhar com isso, não é mesmo? De repente você descobre algo que te faça feliz, que te dê futuro...
_ Obrigada, professora. Bom te ver, hein? Té mais!

Não. Não há mais tempo de descobrir outra coisa que me dê futuro, que me faça feliz...

******


Día del Periodista
Por Carlos Ortiz Cornejo, Secretario General Adjunto de la FGP


Rebanadas de Realidad - FGP, Lima, 02/10/09.- El 1º de octubre de cada año en el Perú se celebra el DIA DEL PERIODISTA, pero no crean que todo es felicidad en este día para los periodistas y, aunque muchos aseguran que es una profesión que pasa desapercibida, continua siendo una de las profesiones más peligrosas actualmente en el mundo por la forma en que en muchos países, incluido el nuestro, los hombres y mujeres de prensa son perseguidos, encarcelados, torturados y muertos por el solo hecho de decir la verdad y denunciar actos de corrupción que se ocultan bajo el manto protector de muchos gobiernos de turno. Ser periodista no es fácil en esta globalización de la información, es meterse en algo difícil, aunque se dice que el periodismo es el Cuarto Poder del Estado y que los gobiernos aseguran el derecho a la información e investigación vemos que es todo lo contrario. Basta dar una mirada para darnos cuenta como tratan a los periodistas, sobre todo a los honestos que tratan de cumplir a cabalidad con su conciencia e informar con la verdad a la opinión pública.

En el Perú ese día, se ha celebrado con una serie de problemas que afectan al gremio periodístico, recibiendo la como siempre la incomprensión de los poderosos que tratan por todos los medios de silenciar a los periodistas de los medios de comunicación que se atreven a decir la verdad. Podemos señalar como ejemplo la amenaza o el cierre de radios contrarios al gobierno como lo que ocurrió con Radio Bagua que recibió este día del periodista en plena disputa por la reapertura de la emisora, clausurada meses atrás por el Ministerio de Trasportes y Comunicaciones que alega razones técnico-legales para clausurar esta emisora. Sin embargo, los hombres y mujeres de prensa sostienen que la licencia de la emisora fue en realidad revocada porque la radio informó con amplitud la larga protesta de los indígenas amazónicos y sobre los disturbios del 5 de junio pasado que dejó como saldo 34 muertos por lo que el gobierno acusó a Radio Bagua de exacerbar los ánimos y muchos congresistas del Partido Aprista pidieron abiertamente su clausura lo que fue rechazado por las organizaciones gremiales y por diversos sectores políticos, así como por entidades internacionales. Los periodistas como en este caso, siempre son acusados por los poderosos y los políticos por difamación cuando ellos denuncian los malos manejos de los que dirigen y controlan el poder político y económico de nuestro país. Se suma a esto, los abusos que cometen los dueños de los canales de televisión, diarios, que reciben jugosas cantidades de dinero por parte del Estado para difundir propaganda estatal pagas con el dinero de todos los peruanos a través de los impuestos. Estos malos empresarios tampoco pagan salarios dignos, ni cumplen con las leyes sociales de los periodistas, mientras por otro lado el Poder Legislativo -hoy subastado por ineficiente ocasionado por el debilitamiento de los Partidos Políticos- solo busca la forma de dar Leyes a favor de los grupos de poder económico, otorgando poderes extraordinarios al Poder Ejecutivo para que legisle y así libremente pueda privatizar y vender los pocos recursos naturales que nos quedan. Sin embargo, vemos que a este Poder del Estado le queda tiempo suficiente para buscar alguna ley que sancione drásticamente a los hombres y mujeres de prensa honestos mientras los corruptos gozan de privilegios en cárceles doradas o con arrestos domiciliarios o simplemente gozan de las bondades del poder que los convierte en intocables ocupando cargos de confianza con jugosos sueldos mientras que la mayoría no llega a los 300 dólares americanos al mes.

No podemos dejar de mencionar que en lo que va del año 126 comunicadores sociales sufrieron algún tipo de agresión por cumplir con el sagrado deber de informar con la verdad. De ese total de actos hostiles a los hombres y mujeres de prensa, 28 fueron amenazas u hostigamientos, 36 fueron agresiones físicas o verbales, 24 acciones de presión jurídica, 17 obstrucciones al ejercicio periodístico, la cuenta incluye siete detenciones arbitrarias e igual número de actos de presión administrativa de dos secuestros y cinco ataques con daño a la propiedad. Los atentados fueron cometidos por civiles privados, 41 por funcionarios civiles, 19 por militares y policías e igual número por elementos no identificados. Las víctimas fueron 56 periodistas de radio, 40 de televisión y 30 de prensa escrita.

29 de setembro de 2009

Dis solução

Isto seria o mesmo que alguém dizer que está com fome e mandarem-lhe calar a boca.
A boca.

Quando falar está proibido, todo o resto também está. Qualquer movimento (e estou aqui falando de gesto pessoal) começa com um esforço do pensamento. Quando a elaboração do pensamento não pode mais ser comunicada, o próprio pensamento é comprometido, assim como a qualidade do movimento, uma vez que as capacidades cognitivas são exercidas na dialógica da dialética do mundo.
Parece difícil, mas não é. Difícil mesmo é o contrário, na teoria ou na prática:

Rebanadas de Realidad - Rel-UITA, Tegucigalpa, 28/09/09.- A pocas horas de su publicación, el Decreto Ejecutivo que cercena las libertades individuales y colectivas de los hondureños tiene ya sus primeras víctimas: las instalaciones de Radio Globo y Canal 36 (Cholusat Sur) fueron tomadas y sus equipos secuestrados por fuertes contingentes de militares y policiales, quienes impidieron la entrada de los fiscales que llegaron al lugar y mantienen retenidos al personas de los dos medios de comunicación.
Se llevaron todos los equipos, y todo esto va a aumentar la represión contra la libertad de prensa que es un principio constitucional.
Sin estas voces el temor de miles y miles de hondureños es que en las próximas horas se pueda una escalada represiva contra quienes se oponen al golpe de Estado.

25 de setembro de 2009

Una mirada

Lasanha, por exemplo. Lasanha é mó legal, de vez em quando. Mesmo que seja um de-vez-em-quando-quase-sempre, é bem bacana, porque lasanha é lasanha. Mas todo dia enjoa.
Do mesmo jeito, outras coisas escorregam na monotonia split quando são muito repetidas. Então nem vou contar aos meus leitores que pedi demissão outra vez, porque eu fiz isso duas vezes nos últimos três meses. E nem vou contar mesmo, até porque já é notícia velha. Já estou em outro lugar.
Este post, na verdade, é só pra dizer que agora blogar é uma atividade legítima, oficial e remunerada. Pero ahora en español. Y por la lucha, compañeros!

Pincha aquí para saber más: Economía Informal

9 de setembro de 2009

O que estamos fazendo eu sei. Só não sei como parar.

video

Hoje é um dia especial!

E não são apenas os numerologistas que estão atentos! Os magos, bruxas, elfos, fadas, cartomantes e esotéricos em geral também estão de olhos bem abertos!
Dia nove do mês nove de dois mil e nove. A chuva bizarramente contínua em São Paulo pode significar o dilúvio, pode significar o fim dos tempos, pode significar que alguém lá em cima não terá piedade de nós, pode ser que terá sim, piedade, ou pode ser que só esteja chovendo mesmo. Normal.
Mas a principal mensagem deste dia é preciso ser bastante perspicaz para captar: o tempo passa. Este dia chegou. Este dia acabará.
Você que está preocupado, não esquenta! De acordo com o calendário maia o mundo só vai acabar láááá em dois mil e doze. Ainda dá tempo pra curtir mais um pouquinho.

Agora, se você definitivamente não está preocupado, preocupe-se. Você tem menos de dois anos para pensar numa saída estratégica de alta classe quando as placas tectônicas começarem a se desintegrar sob nossos pés.

2 de setembro de 2009

Quando as palavras dizem mais do que deveriam

Tá bom que ser politicamente correto nem é legal. Mas me incomoda um pouco a freqüência com que a Globo fala insistentemente dos “vândalos” que se manifestaram contra a morte de uma moça de 17 anos, baleada no pescoço. Tá bom que eles destruíram ônibus, mas...

vândalo s. m. adj.

vândalo
s. m.
1. Membro de um antigo povo germânico, em parte eslavo, que devastou o Sul da Europa e o Norte da África.
2. Aquele que destrói os monumentos das artes ou das ciências.
adj.
adj.
3. Fig. Bárbaro; selvagem.

A rigor, se são vândalos ou não é discutível. E quem tem que fazer as classificações sou eu, telespectador, não eles. Além do mais, o que é ética ou moralmente repreensível numa situação pode não ser em outra. A morte não ocupou tanto tempo nos telejornais quanto a ação dos manifestantes. A narrativa me lembrou “polícia e ladrão” no recreio da quinta série, em seguida da aula de história, devidamente anunciada: “Já se passaram 70 anos desde a Segunda Guerra Mundial. Mas não é porque um conflito nessas proporções nunca mais se repetiu que isso quer dizer que aprendemos a lição. Na maior favela de São Paulo, vândalos...”

30 de agosto de 2009

[APLAUSE]

Looking for

"Quando tava tudo bem era quando eu tinha mais medo, porque eu sabia que a qualquer momento você ia arrumar um motivo e a gente ia brigar e eu ia te perder de novo."

...I don't, indeed


21 de agosto de 2009

Da série – Retrato dos tempos modernos, versículo XIIIIII

Um canal a cabo especializado em jornalismo de auto-alto-padrão divulgou que Mercadante “voltou a trás” e “desistiu de renunciar à liderança do PT”. A conclusão foi baseada em desabafos nos tweets do senador.

19 de agosto de 2009

Silêncio (???) em homenagem a todos aqueles

"É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão."

(Artigo 227 da Constituição Federal de 1988)

Imagem da Campanha Nacional Criança Não é de Rua

18 de agosto de 2009

Cutura, qué vê? Méx con qen tá qétu!

Quamdo ousso un superespessialista sujerir qe a cutura orau nãu ten o mesmu valor qe a cutura letrada, juru qe me dá vomtade de vumitar.

Nãu é o mesmu e muinto menus é o comtrario. É diferemte e qe bon qe cada un escóle sel camínho.

A intensão é cempre e só comtar istórias mais ou menos verdaderas. O valor? Onde caby?

Lê en vós auta e me comta o prejuíso!




Assim como "as crianças precisam ter muita paciência com as pessoas grandes", o povo precisa ter muita paciência com os auto-classificados massa-pensante. É preciso lembrar a estes que a normalidade é só uma questão numérica. E é por isso, justamente por isso, principalmente por isso, que o padrão deve ser revisto.

16 de agosto de 2009

Llena de agosto



Eu procurei
Por muitas vidas
Muitas mortes
Por muitos sóis
Muitas luas
E encontrei
Num par
De pupilas
Em pares
Melhor dizendo
De pupilas
Todas elas
Coloridas
Que enfeitavam
O preto e branco
Sem graça
Da minha falta
Orgulhosa
De completude
Sozinha.

12 de agosto de 2009

11 de agosto de 2009

...Se sentir... fosse mais do que uma condicional e estivesse além dos condicionantes

Deixar-se sentir é um gesto de generosidade com o mundo, porque é fazer dele parte de nós e aceitar se envolver. Fazer do mundo sensível àqueles com necessidades especiais é um gesto de generosidade com o próximo. Os sentidos aproximam, são os elos entre aquele que sente e tudo o que existe e não pode ser compreendido de outra forma, senão pelas percepções. E há outra forma? Tocar, cheirar, degustar, ouvir, ver são mais do que palavras. São portas que estendem o horizonte, ao invés de fazer dele o limite da fronteira.

A necessidade de situar-se no mundo, de entender-se e poder fazer escolhas baseadas no prazer e na dor que envolvem a experiência de estar vivo é um direito. O exercício dos deveres e dos direitos é a chamada cidadania. Viabilizar a existência sadia – que é, entre outras coisas, promover a existência livre e aberta às sensações da vida – é mais do que uma necessidade social, embora esta seja a medida padrão, porque “adultos adoram números”. A preocupação em fazer do mundo mais perceptível, salientar obstáculos e tornar os prazeres estéticos e simples, porque cotidianos, em possibilidades é praticar o amor fraterno.

Pensar em acessibilidade é potencializar os sentidos e possibilidades. Tornar provável o alcance, palpável a arte, audível a informação, compreensível o mapa. Promover ao outro sua autonomia sensória é promover o outro. Participação e democracia incluem a inclusão. E o que seria você sem os sentidos, os sentimentos e as sensações que te colocam em movimento? Poeira no vento? Razão em desalento? Perdição? Ilusão é um mundo sem inclusão, assim como o é democracia sem acessibilidade. Uma questão social, mas também de sensibilidade.


http://www.setor3.com.br/jsp/default.jsp?tab=00002&newsID=a4684.htm&subTab=00000&uf=&local=&testeira=99&l=&template=58.dwt&unit=&sectid=189

9 de agosto de 2009

.uov uE

_ Dorme.
_ Eu quero. Mas quero ficar olhando pra você.
_ Dorme...


_ Você é uma burra!


_ Dorme.


_ Você não se dá o respeito!


_ Dorme.


_ Você não faz nada direito!


_ Dorme...
_ ...Eu quero. Mas quero ficar olhando pra você.

1 de agosto de 2009

Entendido?

O mal-entendido poderia bem ser objeto de estudos acadêmicos que versam sobre lingüística, discurso, comunicação de uma forma geral e a falta dela. E é.

O mal-entendido, apesar de ainda ser alvo de lendas e, não raro, ser o caso de um caso indecifrável, já foi teorizado, classificado, categorizado, explicado e, claro, praticado, como não?. Ele pode decorrer de interações conversacionais ou de entendimentos constitutivos, ou seja, de posicionamento. Esses últimos são os mais difíceis.

Uma coisa é eu pedir pra você comprar agrião e você trazer salsão. Outra coisa é eu pedir pra você comprar agrião, porque considero interessante para um chá com mel, já que estou gripada, e você avaliar que mais saudável seria um filé com molho de salsão e gengibre.

As intersubjetividades e intercompreensões constituem um fluxo de equilíbrio tênue e as taxonomias não ajudam quando o sangue ferve. Deus já sabia disso faz tempo e foi pensando em evitar mortes prematuras que ordenou, do alto de sua perfeita objetividade, “Amai ao próximo como a ti mesmo”.
...Ao que o homem desobedeceu.

26 de julho de 2009

Do "Meu" (que não sou eu, mas que é parte de mim)

Se você fosse, eu seria...

Se você fosse chinesa eu aprenderia mandarim e a fazer papel para lhe escrever
Se você fosse japonesa eu seria pontualmente nipônico e dobraria a vida como um origami
Se você fosse americana eu até me sentiria superior aos demais
Se você fosse tailandesa eu quebraria cocos como um excelente lutador de muai thai
Se você fosse russa eu me esquentaria com whisky e adoraria a Sibéria
Se você fosse cubana eu usaria uma bandana e andaria de escarlate
Se você fosse francesa eu moraria sob o arco do triunfo e usaria os melhores perfumes
Se você fosse colombiana eu organizaria uma outra FARC
Se você fosse egípcia eu seria um arqueólogo especializado em obra faraônica
Se você fosse indiana eu não comeria carne
Se você fosse australiana os cangurus seriam meus companheiros de peregrinação
Se você fosse grega eu viveria na Acrópole e filosofaria durante horas
Se você fosse mexicana eu adoraria chili
Se você fosse brasileira eu seria seu para sempre...

25 de julho de 2009

24 de julho de 2009

Será?

20 de julho de 2009

Tentador

Como nada na vida parece ser só bom ou só ruim, aprendi a respeitar até aquilo que parece, e parece muito, e parece mesmo só ruim. Como, por exemplo, ter seu nome como jornalista incluso em algum mailling bizarro.

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Eu queria aproveitar a oportunidade para dizer que ainda não tenho uma caneta espiã. Gostaria também de lembrar aos meus amigos que prefiro me brozear ao sol, que meu aniversário não está chegando e que, portanto, espero sinceramente que nenhum deles se lembre dessa caneta até lá.

16 de julho de 2009

Thaw

O motivo real do temporal, assim como da temporã, parece ser o após.

“Nonsense becomes a form of higher sense.” – disse Malcolm Bradbury e não era sobre mim. Quem sabe um dia alguém não possa fazê-lo?

Uma outra Alice numa outra aventura, num outro mundo através de um outro espelho. Quebrado. Mais simples. Mais coerente. Mais tedioso.
Ainda medíocre, até.
Menos do que antes.
Mais do que depois.

13 de julho de 2009

É politicamente importante...

...que você deixe sua opinião sobre este blog, levando-se em consideração a crítica registrada e fielmente reproduzida a seguir (control C + control V):

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Da passionalidade (se-mi-estrangula-da)":

Fui chamado de anônimo vendido. O mistério tem seus dissabores.
Você é esforçada quando escreve. Disse esforçada. Isso é notável, percebível claramente.
O entrave é que você se perde nas palavras, nas citações dos livros que diz que leu (leu talvez até a epígrafe ou nem isso)e nas expressões pessimamente construídas('subjetividades ignóbeis', 'tudo virava um fractal', etc, etc). Uma pena.
Rubem Braga, Sérgio Porto ou Pedro Nava ficariam horrorizados com essa linguagem pretensamente cult. Simplicidade, honey, simplicidade.
Sugestão: procure ler os autores citados, Antônio Prata e afins.
Quem sabe, dessa forma, eu não passe mais em seu blog apenas porque você é bonitinha e leia ralmente algum texto de valor.

12 de julho de 2009

Frozen


Da série - Retrato dos Tempos Modernos, XXI

11 de julho de 2009

Da passionalidade (se-mi-estrangula-da)

Era amor... E ninguém duvidava disso. Nem ela, nem ele, nem qualquer um dos prováveis expectadores de uma história maligna. Não porque fosse em si algo ruim, mas porque, de certa forma, se tornava isso à medida de que perdia a medida. As dimensões, tinha hora, não podiam mais ser calculadas, menos ainda supostas ou sequer imaginadas. Era como um monumento que se olha do pé lá pra cima e se perde de vista como se perde o topo da montanha entre as nuvens. Era algo tão descomunal que era sim insuportável. Insuportável para ambos, mas também para qualquer um que olhasse. Era o tipo de luz que ofusca, o tipo de cor para a qual não existe nome, o tipo de coisa indescritível. Era também indestrutível, ou pelo menos parecia ser assim. Parecia ser um pé de gigante. Uma força colossal e não desejada. Desajeitada. Era maior do que tudo, insustentável. Qualquer um podia ver que eles eram notavelmente feitos um para o outro e, por isso mesmo, não podiam ficar juntos. Era amor. E era imponderável, insondável, irreprimível, impossível de se conviver... Era alguma coisa que chamava a platonice, que não cabia em mil planícies todas juntas, estendidas por debaixo de um campo de girassóis. Cobria cada pedaço que havia de terra e a forrava para caso o céu caísse. Era macio... era terno... era quente... quente... quente... tão quente que queimava e fazia arder, fazia doer. Era um algo que impunha condições e maledicências. Era uma paisagem incandescente. Era maior e maior e, quando se supunha não mais poder crescer, crescia. Dava um jeito de cozinhar os juízos e difamar as verdades. Tudo virava um fractal, a inexatidão de um Picasso, a derretidão de Dalí. E as coisas começavam a escorrer num ritmo doce, numa música mole e insensata, do tipo que se dança sorrindo na frente de um monte de gente sentada. Era um num-sei-quê de saudade e efervescência, era raiva crescendo pra voltar a ser amor no segundo seguinte. Ou até no mesmo segundo, às vezes acontecia. Às vezes acontecia daquele amor se ausentar. Às vezes acontecia de não chegar a falar alto o bastante. Mas gritava ao menor sinal de silêncio, ao menor ensaio de qualquer suspiro no intervalo de palavras rotas. Gritava mais alto do que eles poderiam gritar um com o outro e acorrentava. Pés e mãos. Senão dos dois, ao menos de um deles. Daquele um que não iria querer os outros. Daquela parte desestimulada e fugidia. Aquele amor não poderia responder pelos dois, mas por um deles podia. Por aquele dos dois que não sabia porque ceder, nem porque ir embora, nem porque ficar, nem porque não tentar. E com metade da tragédia ele ficou. Com a metade mais idealista, mais fria e menos madura. Com a metade que jamais cogitou outra pessoa na vida, com a metade que jamais falou em recompensas, com a metade que mais errava, ou diziam que era ela. Apoderou-se do que restou e levou consigo. E nunca mais ninguém ouviu falar daquele amor manco. Só das poesias, das pegadas de expectativas, das subjetividades ignóbeis, da erosão do tempo e do cheiro... Dos girassóis que resistiram ao inverno.


8 de julho de 2009

N.A.L.A.T.A. = Nalata

Fui acusada, injustamente, diga-se de passagem, por um anônimo, ainda por cima, de escrever textos sem fundamentos práticos.

Óh! Fique você sabendo, anônimo vendido, que eu vejo uma razão prática para pensar em como os serviços gratuitos que recebemos não são tão gratuitos assim. E se te dá preguiça pensar em coisas pouco práticas, como a função da própria dúvida, vai dormir.

Nós aqui, interessados que somos nas subjetividades, eu e meus dois leitores, continuaremos a especular sobre os mistérios karmáticos do universo, desses que pululam nas mentes humanas como óbvios não ululantes.

Por exemplo, o conceito de “conservadorismo”. Adoooro a definição nada objetiva do Dicionário do Pensamento Social do Século XX, de Outhwaite, Bottomore, Gellner, Nisbet e Touraine.

“[...] A aversão instintiva à mudança e a correspondente ligação às coisas tais como elas são, constituem sentimentos dos quais poucos seres humanos já estiveram totalmente isentos. [...] Nas sociedades avançadas, não menos que nas primitivas, qualquer outra disposição que não a conservadora em geral sempre pareceu aberrante. [...] Por isso, o ‘alarme’ sentido pelos conservadores diante da mudança presta-se à ‘reflexão’, mais do que leva a ela.”

6 de julho de 2009

Thanks. You’re sold.

Recebi um e-mail com uma mensagem cuja lateral estava regada da gentil prestação de serviços que não solicitei. Eis a parte da publicidade que me coube. O e-mail relacionado não vinha de um empresário, de um psicótico, nem de um suicida, acredite se quiser:

CONSULTORIA E TREINAMENTO
Desenvolvimento gerencial e de executivos. Coaching Familiar.

(Quê? Cuma?)

COMO TER ATITUDE?
Programa Paragon – atitude superior para resultados extraordinários.

(Opa! Ou eu ou o remetente da mensagem pareceu não ter atitude o suficiente, hein? Que bom que eles têm um programa especial para esse tipo de gente! Ufa!)

SÉRGIO/PSICÓLOGO
Adultos, crianças e casais. Psicanálise e terapia breve.

(Não. Valeu.)

MEDO DE AVIÃO
Terapia para medo de voar. Grande índice de sucesso.

(Jura? Que legal! Mas... Quem aqui tem medo de avião?)

CURAR SEU ESPÍRITO
Você realmente nasceu de novo da água e o Espírito?

(Não. Nasci da minha mãe e estou certa de nunca ter afirmado nada diferente disso. E o Espírito? Que que tem ele? Tá bem...)

PROMOÇÃO A ERA DO GELO 3
Comprando os produtos Tang ou Royal ganhe 1 copo do filme A Era do Gelo

(Tenho 22 anos. Isso não tava no meu cadastro quando me venderam na mala direta? Ótimo, então anota aí!)

ACABE COM O SEU ESTRESSE
Reduza as químicas cerebrais prejudiciais que causam o estresse.

(Quem aqui tá estressado, me diz???!!!!)

Mais informações

Solidão >>>
(Tô legal...)

Fotos João Pessoa >>>
(Não, obrigado.)

João Pessoa >>>
(Já disse que não.)

Medo >>>
(Medo tenho eu de vocês!)


Note que eles insistem particularmente em idéias positivas, como terapia, medo e João Pessoa.
Bizarro.

5 de julho de 2009

O [v(alor).c(alor)+alo(r)] da dúvida {x = ?}


_ Mãe, lê pra mim?

M P X O W E T V A A U

_ Não tem nada escrito aí.
_ Tem sim, óh! Eu escrevi!
_ Não. Aí só tem letras, mas não tem nada escrito.
_ Se tem letras, tem algo escrito! Lê as letras que eu fiz, mãe!

“M. P. X...”

_ Não! Não assim! Lê a palavra!
_ Mas não tem palavra aí!
_ Como não tem? Se tem letras, tem palavra!
_ Não!
_ Como não? Você que não quer ler, mãe! (Snif...)

E de novo:

_ Lê agora!

O P R G H J S U I E F

_ Filha... não tem nada escrito aí...
_ Como não? Como não?

Como não???
E era uma crise, como sempre é quando alguém faz com que você duvide de você mesmo. Mas, não raro, contra fatos não há mesmo argumentos. E a dúvida faz crescer:

_ Então não tem nada escrito aqui, mamãe?
_ Não.
_ Então me ensina a escrever alguma coisa de verdade?
_ Tá. Vamos escrever CAMILA. Assim...

E hoje eu sei escrever quase qualquer coisa. Inclusive e principalmente sobre aquelas coisas das quais duvido, como a vida, a morte, o destino, a coincidência, o amor e o benefício da própria dúvida.

3 de julho de 2009

Inviáveis

- Parar de pensar numa coisa quanto mais se pensa em parar de pensar.
- Fazer regime convivendo com uma “magra de ruim”.
- Manter o bom humor com um Shrek inevitável.
- Não rir ao ouvir dizer que o Sarney “só” está sendo acusado de... e por isso não merece ser afastado.
- Dormir com um mosquito que, como se não bastasse picar, também avisa.
- Não querer exibir o menino mais lindo do seu mundo.
- Não querer esganar a pessoa que joga seu sapo de pelúcia no outro sofá sem nenhuma gentileza.
- Não morder o pão com requeijão de alguém que fica exibindo ele sem dar atenção.
- Fazer postagens no blog quando não dá conta nem dos trabalhos emergenciais.

28 de junho de 2009

Da série - Esperteza pouca é bobagem, 349.056

_ Eu vou lá fumar um cigarro, pode?
_ Não.
_ ... Você sabe que eu tô parando. Estou fazendo o maior esforço, já diminui muito. Você está vendo o quanto eu tô tentando. Seja compreensiva. É só um. Olha, aquele maço eu comprei há 3 dias e ainda tem 17, 16 cigarros dentro. Agora, se você me disser que não me aceita do jeito que eu sou, que não me quer assim, que não pode me compreender e não vai morar comigo por causa disso... Aí eu vou ser obrigado a rasgar o maço.
_ Uhum. Só o maço, né? Os cigarros ficam.
_ Não! Os cigarros eu queimo todos! ...Um a um.

26 de junho de 2009

Do pesadelo:

No almoço:

_ Estou quatro quilos acima do meu peso. Preciso emagrecer.
_ Não precisa não. Você tá gostosa.
_ Ah... isso quer dizer que eu tô gorda, eu sei. É péssimo sentar na mesa assim, sabe?, e ver que a sua barriga divide em três partes. Mó triste...
_ Putz, é mesmo! Tipo pneu de bicicleta. Mas os meus já são de caminhão.
_ ...

________________________________________

Festinha de aniversário no escritório. Alguém acende a vela:

_ Nossa, mano! Que chama alta! Era pra ser assim mesmo?
_ É sim. Agora ela vai tocar música.
_ Olha, olha! Ela tá caindo! Vai queimar o bolo!
_ Não. Ela tá abrindo. É uma flor. Quando a chama grande acende as chaminhas das pétalas ela abre e começa a girar.
_ Vixe... Quem foi que trouxe isso?
_ Num sei, mas lá em casa a gente comprou uma vez e ela não parava mais de tocar essa musiquinha.
_ É mesmo! Tá tocando uma musiquinha...
_ Pois é. Ela só vai parar na marretada agora. Lá em casa a gente tacava ela no chão, tacava na parece e não parava. Meu tio teve que jogar num terreno baldio lá perto.
_ Que merda, hein?
_ É...
_ Só tomara que não estrague o bolo...

______________________________________

Numa recepção. Tevê ligada. Volume mudo:

_ Por quê é que tá aparecendo essas imagens? Alguém morreu?
_ Não sei...
_ O Michael? Jackson?
_ Não... não é possível...
_ É mesmo... Não deve ser, não... Quando a gente chegar em casa a gente vê o que tá acontecendo...

24 de junho de 2009

Inspirada pela inspiração alheia passada e retransmitida à testemunha de uma vida que é, no caso, eu mesma

O tempo é, existe. E, para existir, precisa de si. Ou seja, sua própria existência, assim como a de tudo o que existe, precisa do tempo. Porque o tempo passa e muda a natureza da existência das coisas que existem. Então, a existência precisa do tempo para se mover. Existência é movimento e para haver movimento precisa haver tempo. O real tempo que existe é só o presente. O passado não existe mais e o futuro não existe ainda. Mas é uma esteira aonde as existências vão passando, sempre num presente contínuo. Daí que o tempo não existiria se a existência não existisse antes ou simultaneamente, nem a existência existiria sem o tempo. Tudo seria estático. Sem tempo, sem existência, por isso sem movimento, então sem mutação, portanto sem evolução, involução, degradação, construção, reflexão, turbilhão, pulsação, dramas.
Mas o tempo passa.
Felizmente.
E a gente existe.
Prova disso é que você taí lendo o que eu escrevi num passado, falando sobre um futuro que já é presente enquanto você me lê.


[...E, pelas minhas contas, já faz um mês e um dia de um tempo...]

22 de junho de 2009

21 de junho de 2009

Emprestadas

Das obviedades imprescindíveis e, não raro, inexprimíveis, invisíveis e intangíveis.

"O que sou eu? Uma substância que pensa. O que é uma substância que pensa? É uma coisa que duvida, que concebe, que afirma, que nega, que quer, que não quer, que imagina e que sente."
Descartes


"Somos algo e não tudo (...), incapazes de conhecer com segurança e de ignorar totalmente."
Pascal

20 de junho de 2009

[?]

….porque me pareceu um milhão de diálogos… Todos surdos.
…e me pareceu um caminhão de incontestáveis amores... Mas daí lembrei que quase nada é incontestável...
...Depois me pareceu as voltas que a vida dá. Depois me pareceu burocracia.
Em seguida soou como erro meu. Depois seu. Depois nosso. Depois de nenhum dos dois. Depois nosso outra vez. Depois do deus ou do diabo, dos vizinhos, dos maus espíritos, das más vibrações.
Podia ser um pássaro, um avião ou só uma TPM. Podia ter sido qualquer coisa que se converteu num trovão que trouxe uma chuva torrencial e inexplicável.
Era uma brisa que virou um vendaval... E fogo que (nos) queimou em brasa. Podia não ter sido nada.
E não foi.
...Mais nada.

18 de junho de 2009

Memoráveis

“Antes da crise econômica mundial já tinha 10 milhões de crianças morrendo de causas ridículas e não era crise. 25 milhões de pessoas já morreram de AIDS e não era crise?”

“Quanto mais a gente destrói o meio ambiente, mais aumenta o PIB. Se as pessoas deixam de adoecer o PIB cai, porque isso é péssimo para os hospitais e as empresas farmacêuticas. Que medida é essa?”

“Se a caneta é minha e eu der para alguém, vou deixar de tê-la. Ela é uma propriedade. Mas o conhecimento, se eu passo para alguém não vou deixar de tê-lo. Toda a trama de impedir o acesso ao conhecimento é absolutamente surreal, porque o conhecimento não é corpóreo.”

Ladislau Dowbor

Para mais, acesse: http://www.dowbor.org/

16 de junho de 2009

Da série...

VOCÊ SABIA? - que 80% da área de desmatamento na Amazônia Legal é ou já foi pasto?

Sabe o que isso significa?
Significa que temos bois demais.
E você sabe porque temos bois demais?
Porque precisamos de carne demais.
E você sabe porque precisamos de carne demais?
Bem... eu posso pensar numa resposta óbvia o suficiente para não explicar porque é que mais de dois milhões de pessoas morrem de fome por dia no mundo, uma vez que precisamos e temos carne demais.
Aliás, temos até as consequências de tanta carne, ou seja, de tanto boi, portanto, de tanto pasto, logo, de tanto desmatamento.

15 de junho de 2009

13 de junho de 2009

Confidências

_ ...E aí eu disse pra minha mãe: "Pega a toalha que os olhos da tartaruga estão ardendo."
_ Por quê?
_ Eu e meu irmão estávamos lavando ela com Veja.
_ Ah... que horror!
_ A gente era muito pequeno...
_ Quando eu era pequena e minha mãe mandava eu chamar o elevador, eu me punha a gritar “elevadoooor”.
_ Essa porta do guarda-roupa caiu porque eu chutei num dia que tava com raiva.
_ Tava com raiva do que?
_ Ah... não tava achando meu bilhete único...
_ Você reparou em mim? Eu tenho um segredo...
_ E por que você acha que o céu é azul?
_ Por causa da forma como a luz incide na atmosfera.
_ ...
_ Não era bem essa a explicação que você queria, né?
_ Ah... eu tenho uma melhor!
_ (((ronco)))

11 de junho de 2009

10 de junho de 2009

[des.]Serviço

Depois de nossos preciosos esclarecimentos sobre as palavras esdrúxulas (ou seja, vindas das bruxas druidas) de nosso concebível idioma, amado, idolatrado, salve-salve português (Op. Cit. http://camilacaringe.blogspot.com/2008/10/ass-tchuri-tchurim-funflai.html), prestaremos os mesmos serviços às almas simplórias que precisam de semelhantes dicas em inglês sobre os famosos cognatos e mais. Anota aí:


fondle – indicação de local na outra extremidade da localidade de onde se está localizado. Ex.: “Onde fica o banheiro? – There! Nos fondles!”

key – aqui, pra cá. Ex.: “Give me the key!” = “Me dá isso aqui!”

nag – verbo negar na terceira pessoa do imperativo afirmativo. Ex.: “Nag até morrer!”

shove – sobre o clima (evidente). Ex.: “Hoje shove.”

whichever – exatamente o mesmo uso de “tchuri tchurim funflai”

boundary – bandalheira (para não dizer coisa pior). Ex.: “Politic is a boundary.”

Com um vocabulário rico assim você já pode até escolher se prefere ir pra New York City ou pro Texas. Ou pro Zimbabwe também, pode ser.

That’s all folks!

7 de junho de 2009

Um retrato - porque é possível dizer de si sem dizer nada, e é possível que alguém o ouça

Um jeito de músico, grisalho e preso num rabo de cavalo mais ou menos ajeitado, entrou no ônibus com sua presença forte e imponente, mas casual. Era grande porque eram firmes e espessas suas sobrancelhas de poucos, mas bons amigos. Um dourado pendia numa cruz de uma argola, acentuando sua maneira de ser, claro e expansivo, embora recluso e encolhido. Ocupava o espaço que ocupava e nada mais, porque de mais não precisava. Só mesmo a paisagem passando depressa lá fora, tão rápido quanto as rodas podiam girar. Não precisava nada além do que aquilo o que ver, hipnótico e contemplativo com a mão direita no queixo, num jeito de pensar. Mas o olhar não era perdido, não, senão atento e garantido no que não dizia ao esconder os lábios fechados com seus dedos e palmas enrolados.

Ele passou de cenho franzido numa sobriedade que beirava a apatia, mas não tenho certeza se isso tudo era ele ou se era eu, presa nos olhos de águia um pouco guiados por nenhuma transparência.

6 de junho de 2009

Tipo... sei lá... Percebe?

É patético.
O ser humano é patético, o que se vai fazer?
O ser humano é a coisa mais patética, porque mais poderosa e frágil que Alguém já inventou.
Você pode tropeçar, cair, bater a cabeça na guia da calçada e morrer. Tenho uma amiga que perdeu a avó porque a senhorinha foi beber água, engasgou e morreu.
Quer dizer, mesmo os grandes-bostas mesmo, tipo Hitler, estão sujeitos a isso.
O próprio Elvis! O rei morreu, na verdade, de dor de caganeira, dizem as más línguas.
Patético!
Pateticamente frágil.
Irritante até!
Mas tudo isso foi pra dizer que... sei lá!
Tem dias que você não tem inspiração!
Simplesmente não tem!

4 de junho de 2009

"...E eu do meu lado aprendendo a ser louco..."

Esta autora teve dificuldades amidalares e por isso se ausentou. Mas não faz mal. Existe todo um mundo que continuou a ser testemunhado, mesmo com febre, mesmo com frio, mesmo com dor.
Por exemplo: acho risíveis expressões como "fulana está louca da cabeça". É possível ser "louco do pé"? Ou "louco do pâncreas"? "Louco do intestino delgado"?
Pode-se ser "louco de pedra", mas não "dos rins".
Por quê?

1 de junho de 2009

Por favor

Se você gosta de mim e se deu ao trabalho de vir até aqui hoje, veja isto, não importa quanto tempo leve.

31 de maio de 2009

Da série – Aventuras de T. Teixeira

Ele só queria uma coca light, juro. Mais nada. Nenhuma grande pretensão. Daí foi até a máquina de refri da estação Sé do metrô. Enfiou lá na seta uma nota de dois reais e apertou o botão uma vez. Por não vir refri nem nada, apertou de novo e de novo e de novo. Veio. Duas. Cocas. Mas ele só queria uma. E foi pra escada rolante:

_ Moço, eu fui pegar uma coca, mas eu coloquei uma nota de dois reais e veio duas. Quer comprar uma? Eu vendo por um real.
_ Não.
_ Moço, eu fui pegar uma coca, mas eu coloquei uma nota de...
_ Não.

Vendo um sujeito evidentemente embriagado, com sua gatinha do lado, parado na máquina de livros, T. Teixeira pensou que um sujeito disposto a comprar um livro numa máquina de livros provavelmente iria querer um refri de uma máquina de refris. Segue diálogo:

_ Moço, eu fui pegar uma coca, mas... ... ... E eu vendo por um real.
_ Não. Por um real não. Eu só compro se for por dois reais!

(PAUSE na cena para processar a informação.)

...

(PLAY)

_ Mas é que eu já paguei dois reais e fiquei com duas cocas. Ou seja, foi um real cada uma. Então eu vendo ela por um real.
_ Não! Eu só fico se você aceitar dois reais!
_ Ah... tá bom então...
_ Feito.

T. Teixeira foi embora se lembrando daquela vez que colocou uma nota de dois reais na máquina em troca de uma fanta, na estação Paraíso. Naquela ocasião a máquina voltou troco de $1,60. Resolveu então, de uma vez por todas, admitir sua paixão por aquelas máquinas mágicas de refri. “Atualmente estou considerando a possibilidade de colocar uma dessas no meu quarto”, disse ele em off à jornalista desta postagem.

30 de maio de 2009

O mais rápido do mundo

_ Ah...
_ Pois é...
_ Mas quanto tempo cês namoraram?
_ 3 horas.
_ 3 horas???
_ É... Assim... namoro, namoro mesmo, foi 3 horas. Mas a gente ficou junto duas semanas.
_ Ah...
_ É...

28 de maio de 2009

Humanos, demasiado

Ele entrou na loja de roupas e bateu na cabeça do manequim-menino como se fora gente, com uma simpatia humana e carinhosa pela criança que não era ali. Talvez identificação de si próprio no sorriso que jazia estatuado. Lembrei do Geppetto, Pigmaleão e mais histórias de solidão e de pseudo-gentes. Várias imagens entrecruzaram aquele testemunho. Inclusive a minha própria esculpindo (in)evitáveis expectativas.

26 de maio de 2009

Da série - Ajeitando as retinas



Do ponto de vista do homem, o violino é um instrumento.

Do ponto de vista do violino, o homem é o seu modelo servil.

Do ponto de vista da música, os dois não passam de ferramentas.

24 de maio de 2009

Interneterrifying

Por quê não ter um super álbum no orkut?
Tente fazer o teste: http://tech.yahoo.com/blogs/null/142366
Mais fotos? Não, tô legal. Obrigada.

22 de maio de 2009

Nothing else

21 de maio de 2009

Tava aqui pensando...

...Eu acho que a burocracia é uma forma de se exercer o poder. Mas uma tentativa que deu errado. O resultado disso é que nada é exercido. Nem poder, nem atividade social, nem relacionamento, nem natureza. É preciso um relatório para sorrir. E outro para justificar o riso. Outro para analisá-lo. E mais outro para retificá-lo, a quem possa ofender.



Arte: Mário César - Diário de bordo. http://www.masquemario.net/arquivo/2005/novembro_2005.htm

20 de maio de 2009

Diametral MENTE opostas

…E naquela tarde, sem querer, caiu da pasta da vovó uma revista Veja antiga, de outubro de 2007. A capa me pareceu interessante e pedi pra ficar com ela:

CHE
A farsa do herói

Verdades inconvenientes sobre o mito do guerrilheiro altruísta, quarenta anos depois de sua morte.



E na matéria as tais verdades seguiam. As li em voz alta:

Che tem um apelo que beira a lenda entre os jovens dos cinco continentes. Como homem de carne e osso, com suas fraquezas, sua maníaca necessidade de matar pessoas, sua crença inabalável na violência política e a busca incessante da morte gloriosa, foi um ser desprezível.

Palavras não de entrevistados, mas dos próprios... bem... não posso dizer jornalistas, péra...
Hummm... Dos próprios... seres... que escreveram essa... matéria? Não... Essa... essa... coisa.

A vovó ria de mim no sofá:

_ Ah! Mas ele era um assassino mesmo! Você que não conhece a história! Tá pensando que ele era um santo? Não! Não era não!
_ Tá, vó...

Isso me lembrou de um trecho da entrevista de Aleida Guevara para a revista Caros Amigos, em fevereiro de 2005:

“Liberdade de expressão? Mas venha cá, o que é liberdade de expressão? Estive na Europa muitas vezes e muitos jornalistas me entrevistaram. Entrevistas de até duas horas de duração, e depois publicaram: ‘A filha do Che está de passagem por Paris.’ Ponto, acabou. Ou, o pior, publicaram coisas que eu não disse. Ou outros que me disseram: ‘Não posso publicar a entrevista se não colocar a palavra regime.’ ‘Eu não disse regime, eu disse Estado Socialista.’ ‘Ah, se não mudo, não posso publicar.’ ‘Então não publique, mas você não pode mudar as minhas palavras.’ Isso é liberdade de expressão?”

Tá bom que comparar Veja e Caros Amigos é um bocado injusto da minha parte. Mas comparar o trabalho jornalístico não deveria ser, já que ambos se tratam de veículos jornalísticos.

_ Ele não prestava, Camila!
_ Tá, vó...

17 de maio de 2009

Da série: Como assim? - Menos óbvio impossível

Ele me perguntou, lentamente:

_ Você... é... brasileira?
_ Sou sim! Todo mundo me pergunta isso...
_ É... Seu português até passa por de brasileira...

16 de maio de 2009

restrained savage

Contando os dias nos pormenores dos grãos de areia.
Um ligeiro retrocesso em nome de um derradeiro interesse.
O de prosseguir.

14 de maio de 2009

Gente lesa gera gente lesa (?)

Esse é o nome do novo programa da GNT. Ainda não sei exatamente do que se trata, mas também a questão aqui nem é essa.
Isso me lembra de uma conversa que tive com um amigo há pouco tempo:

_ A sociedade nos oprime. Somos assim não porque queremos, mas porque a sociedade fez isso com a gente.

É claro que diante das fitas da Jane Fonda é fácil dizer o que você quer ser e o que você não quer, porque parece que ela existe só para você querer ser ela e não você (No caso de você ser mulher, é claro. No caso de você ser homem, desejará ter ela, ao invés de ser ela...). Mas até que ponto é possível chamar isso de imposição? Uma pessoa que nasce sob o signo do senso comum jamais pode se libertar dele?
Matrix, Huxley e Platão (para dizer o mínimo) já abordaram o tema e, mesmo assim, depois de um tropeção na história da humanidade ainda questionam(os) nossa capacidade de pensar em profundidade, sem contundo deixar de ver em extensão.
Se isso não é possível, como estamos “falando” sobre isso agora?
O quanto você quer sair do senso comum e deixar de partilhar conceitos com os quais não concorda?

“Toda a estrutura de poder se dá por um conluio” (F.Davis, 1979)

O quanto você colabora com a situação que o oprime?
O que o oprime?
Como reagir?

Rumo à sexta-feira!
Cerveja?

11 de maio de 2009

Drops

Hoje, faço das minhas as minhas palavras. Provocadas por ele:


9 de maio de 2009

Shouldn't I give up even if it leads nowhere?

Adele Prado me dizia, com os olhos caridosos numa carícia que a terra não há de comer, das nuances de uma inconcebível criação. Era um mundo morrendo e ruindo todos os dias, para voltar a se refazer. Todos os dias. Nessas tardes costumavam se arrastar atrás de nós as horas, e enterrávamos os minutos sem rituais. Havia ali um qualquer coisa de sabedoria quimérica aterradora e conceitos que eu não entendia bem. Um prenúncio de fim dos tempos, mas eu olhava para o meu relógio e, ansiosa, constatava que estava tudo igual. Adele insistia na queda, na perdição, na deturpação. E eu olhava com os olhos encantados para o que havia de ser o fim do mundo imediato. E era. Eu caindo do alto de um penhasco nas ilusões de tudo aquilo que eu queria e nem sabia, ofuscada da luz que eu não via de onde vinha, reconhecendo quem eu nem conhecia. Rascunho de expectativas cheirando feito grande tragédia travestida de pequena perda. Adele Prado era aquele borrão contornando tudo aquilo que eu não podia ver sozinha. Um retrato de cumplicidade aborrecida de ser. E eu era sua sombra tentando enxergar melhor para ser melhor. Ser mais ela para ser mais eu.


6 de maio de 2009

Episódio CVII - Preciosidades

_ Camila, vai até a padaria pra comprar leite!
_ Posso ficar com o troco?
_ Pra quê?
_ Pra comprar sorvete!
_ Pode, mas só se você for agora.
_ Tá!

Minutos depois...

_ Tó mãe. O troco.
_ Hum.
_ Mó bom esse sorvete...
_ Que bom. E cadê o leite?
_ Que leite?
_ O que eu pedi pra você comprar, Camila!
_ Putz! Esqueci lá!
_ Lá aonde?
_ Na padaria!
_ Mas você foi pra comprar leite e esqueceu?
_ Não! Não esqueci de comprar!
_ Então cadê? Você não disse que tinha esquecido lá?
_ E esqueci!
_ E daí, criatura???
_ É que eu não esqueci de comprar, mãe! Eu comprei, paguei pro moço, mas deixei o leite lá!
_ Então você vai ter que voltar lá pra buscar!
_ Ah... mãe!
_ Agora!
_ Posso terminar o sorvete primeiro?
_ Agora!
_ Mas é melhor outra pessoa ir no meu lugar. Vai que eu esqueço ele de novo...
_ Camila!
_ Tô indo... tô indo...

É. Só que eu tinha oito anos. Mas eu conheço essa com laranjas... adultas.

4 de maio de 2009

E é… a Virada

Sampa como Amsterdã por 24 horas.
O inferno na terra.

O pretexto da democratização da cultura como desculpa perfeita para a falta de políticas públicas sólidas e permanentes de fomento e acesso.

Entre assaltados e bêbados, todos sobreviveram. Até os atingidos pelo gás lacrimogêneo que, é claro, era metafísico. “Eso no ecsiste”, disse padre Quevedo em entrevista à Folha de SP. No editorial, o evento foi classificado como “virabranda”.

A gripe não chegou. Ainda. O vírus está encubado. Mas não se preocupe. Somente 4 milhões de pessoas compareceram à Virada Cultural, ainda segundo a Folha de SP.

Sampa como Amsterdã por 24 horas.
E não deveria ser à toa que moro no Brasil.

2 de maio de 2009

Irmã

Dia desses ela perguntou:


_ Cá! Você concorda que “o ódio é uma forma estranha de amar”?
_ Uhum.
_ Concorda??? Por quê?
_ Porque a medida de tudo é o amor. Tudo o que existe é realizado com mais ou menos amor. Mas tudo é amor.
_ Não... O ódio é a falta de amor!
_ Esse conceito é igual o frio. O frio não existe. O que existe é a ausência de calor. E, mesmo assim, nunca existe uma ausência completa. Por exemplo, quando estamos à zero grau, isso significa que não está calor, certo? Mas poderia estar fazendo -10 graus. Ou, -20. Ou, -50. Sempre pode ser mais frio. Isso quer dizer que sempre existe um pouco de calor que ainda pode ser subtraído. É o mesmo que acontece com o amor. Pode ser que você sinta mais ou menos amor por uma coisa ou por outra, por uma pessoa ou por outra, de acordo com as suas preferências, com a sua capacidade de identificação. Mas a sua relação com o mundo é de amor. De mais ou menos amor. Por isso, de mais ou menos cuidado, de mais ou menos importância, de mais ou menos afeto. Mas a medida é sempre o amor.
_ Mas não pode ser, Cá! E quando você odeia alguém e mata?! Você não pode matar por amor! Isso não faz sentido!
_ É mesmo? Então pensa assim: como é que você sabe quando você ama alguém?
_ Ah... porque aquela pessoa é importante pra você...
_ Humm... E você se daria ao trabalho de matar alguém que não tivesse a menor importância para você?

(((sorriso)))

_ Ai, péra! Tchô pensar!
_ Uhum.
_ ...Mas... então... as pessoas matam por amor??? Essa é a justificativa?
_ As pessoas matam porque não sabem realizar o amor que sentem de uma maneira saudável e equilibrada. Daí, quando desequilibram a si mesmas, desequilibram também a situação toda, o contexto. E atingem a pessoa que amam de forma destrutiva, ao invés de construtiva. Isso não quer dizer que não haja amor. É só que existe uma situação em desequilíbrio. E não importa por que tenha havido o desequilíbrio. É claro que quem atenta contra uma vida deve ser responsabilizado e punido. O amor não pode justificar um crime como esse. O que estou tentando dizer é só que as relações humanas não são tão simples.

(((sorriso)))

_ Ah... tá... É... não sei... Preciso pensar mais!
_ Tá bom! Mas lembra que você pediu minha opinião, certo?! É só o que eu acredito. Mas... qualquer coisa tô aqui!

(((sorriso)))

1 de maio de 2009

Primeiro de maio…

Ah… o dia do trabalho.

Isso me lembra a escravidão, as condições de trabalho, os salários risíveis, as luzes brancas de escritório, o cara que me assaltou esta semana e o show do FarUfyno.
Show do FarUfyno com a Fabiana Cozza. Taí uma coisa legal. “Trabalhadores do mundo, uni-vos!” Vai ter samba hoje!

29 de abril de 2009

Rapidinhas

Na rua Augusta, em Sampa, existe uma casa de facilidades (serviços femininos, ou seja, de fêmeas) que se chama "Las Jegas". Como tem o artigo definido no plural “las”, presume-se que o nome seja em espanhol (pronúncia = las rêgas). Mas tanto em espanhol quanto em português (jégas) o nome é sugestivo (apesar de que a tradução seria algo auspicioso como "jargão", "gíria"). Sacada de gênio, hein?!

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Você investe num celular bacanoso. E é roubado na 25 de Março. Aí você ganha um, que cai e quebra. Aí você ganha outro... que escorrega do seu bolso e fica no ônibus depois que você já desceu e o motorista arranca, enquanto você dá um aceno saudoso de adeus pra fumaça. Daí você ganha mais um, que cai do bolso do seu amigo quando ele vai pro bate-cabeça. E você ganha mais outro... que é levado num assalto. Tudo isso em dois anos. Conclusão = celulares são descartáveis.

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Você pula, sacode e finge dançar das 22h até às 4h com um salto de 10 cm. No dia seguinte não consegue andar e tem câimbras consecutivas. Experiência didática. Tomar nota: procure se lembrar de que é humana da primeira taça em diante e siga pensando com carinho nas próprias panturrilhas.

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Você é paciente, é educado, é compreensivo, é racional. Batata: no dia que você se enche e dá chilique as pessoas correm pra você, dizem o que você precisa ouvir para se acalmar, afagam seu ego, aprimoram seu estado de espírito. Mas primeiro têm que te enlouquecer. Pra depois consolar.


Pffff
Foi bom pra você ou quer mais?

27 de abril de 2009

Comunicação efetiva

26 de abril de 2009

(((suspiro)))

A música tocou mais alto, tocou ao redor todo e tocou dentro, quando as portas se abriram e fizeram surgir a noiva, naquela luz da noite onde ela brilhava. O sorriso cintilava para cegar os sentidos e as testemunhas perderam a compostura. Ela flutuou ritmicamente até o altar e superou com elegância o peso daqueles olhares todos na direção da sua leveza. Era iluminado aquele branco que lhe vestia e o noivo sorria... sorria...


A despeito da franca simplicidade a felicidade era complexa demais para caber nos limites da compreensão lógica. Não era racional. Não era lógica aquela magia. Um ritual, depois o outro. Discursos eloqüentemente breves. Tilintares de taças, suores de danças, amores indizíveis entre amigos. Brindes. E uma nova vida começou para dois de nós.

http://coolbride.blogspot.com/

Mas o dia seguinte serve pra você se dar conta: os amigos começaram a se casar. Isso deve significar alguma coisa...