29 de abril de 2014

Corriqueiro


Fiquei meio assim, pensando como foi. Se já chegou ali moribunda, se foi moribundando aos poucos ou se moribundou de repente.
Entrei no salão da livraria e fui observando em linha: um homem com um livro grande, uma mulher com um livro pequeno, pessoas olhando as estantes, uma mulher morta...
...Uma mulher morta?
A figura deslizada em uma das poltronas se estendia sombria e lânguida, muito torta e aparentemente sem vida, descorada em roupa escura, deixando escorrer seu livro eleito entre as mãos.
Ao redor, pessoas transitavam como se nada ocorresse, como se a poltrona de óbvias serventias não se houvesse convertido no jazigo pro cansaço da bem-intencionada leitora.
No dia seguinte, quando acordei, pensei em voltar à livraria para acordá-la também e levar alguns pães de queijo. Mas tive medo de que ela não despertasse.

3 comentários:

Skyline Spirit disse...

pretty nice blog, following :)

Felipe Teles disse...

Dizem que ela morreu a semanas... mas ai descobrimos a pior parte...
Morreu lendo Paulo Coelho..
tadinha...
Nem reencarnar vai depois disso.

Magno Nunes disse...

No fim teríamos pão de queijo.