Vieram entrando pela Casa aqueles dois.
Devem ter percebido de alguma forma não totalmente consciente que eu sou um instrumento da comunicação irrequieta e perturbada de estranhos, que canaliza manifestações inusuais espontâneas e depois psicografa a voz do anônimo. O perfil ideal que toparia aquele tipo de trabalho.
Aproximaram-se para me encontrar no meio da roda e primeiro foram tímidos.
Brasil... futebol... Copa... sério que o real vale menos que o dinar de um país no norte do continente africano?...a capital é o Rio de Janeiro? Fortaleza? Floripa? Argentina?...
Até que ficaram soltinhos e no ponto para me contar a que vieram. Ou melhor, a que veio. O plano diabólico era de um:
__ São Paulo é perto do Rio? Sabe... tem essa garota e... esses presentes que eu... ela é linda e... você poderia, por favor, entregar pra mim?
O amor de juventude supera tudo: o árabe dele, o português dela, o google tradutor no meio, a distância, o fato de não se conhecerem, a cultura, o cabelo lindo que ela teria que esconder em um hidjab, a bebida alcoólica na mão dela na foto do perfil, os 20 anos. Ah... os 20 anos...
2 comentários:
Boa noite!!! Parabéns pelo excelente trabalho.
Abraços
Sinval
... Desses amores ingênuos, eu conheço bem. Ah, os vinte!
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