17 de janeiro de 2013

Da série – Diálogos arrebatados


__ O que é arte, Camila? 
__ O significado que transcende a matéria. 
__ Como assim? 
__ É quando a palavra consegue dizer alguma coisa que não é palavra. Quando o desenho ou a foto mostra o que não está na imagem. Quando a música revela o que não é som. Isso é arte. 
__ E qual a sua relação com o transcendente? 
__ A mesma que com o mundano. 
__ Por que? 
__ Porque é no vulgar que se escondem as coisas sagradas. 
__ E você as encontra? 
__ Às vezes sim. Muitas vezes não. 
__ O artista é um apaixonado? 
__ O artista é um perturbado. É possível fazer arte com paixão, mas é preciso sobretudo fazer arte com tédio. Quero dizer, é claro que o artista se apaixona pelas pessoas. Paixão no sentido de atração, encantamento, mas também no sentido de padecer, sofrer com elas, sofrer por elas. E se alegrar também. Todo grande prazer se parece muito com uma dor. É quase insuportável. O artista é um sofredor público. Ele não padece para ser visto, mas, já que está padecendo, ele se deixa ser visitado nesse flagrante. As pessoas passam, olham essa exposição, às vezes se reconhecem, às vezes não, e vão embora com duas dores: a delas e do artista. Mas ter consigo a dor do artista não é aumentar a dor, não. Acontece aí uma outra coisa. Essa dor compartilhada é comunhão. É sair da solidão. É descanso, é beleza. Enfim, é outra coisa.

6 comentários:

Magno Nunes disse...

E o que é cultura, Camila?

Camila Caringe disse...

HAHAHAHAHA

Cultura é... MIS-TU-RA!

hahahahaha

Magno Nunes disse...

Ponto para as meninas!

Camila Caringe disse...

Obrigada, Magno, por essa pergunta!

Rogerio Barbosa disse...

Tá Aí. Isso é arte!

Rakal D'Addio disse...

Bela definição.