10 de março de 2009

Sobre alguém que não é um re-luz-ente

Ela fazia questão. Absoluta questão de permanecer lá, entre todas as outras, esperando pelo ônibus, embora.

Muito embora ela não fosse, nem iria, não importava o ônibus.

Ela não queria um encaminhador, queria um destino primeiro. O modo de se chegar lá poderia ser pensado depois.

Mas ela? Ela não. Pensava. Não pensava.

Pensar em quê se caminho não tinha? Nem destino tinha! Nem um como! Nem por onde! Nem mais nada! Nem vontade! Nem certeza! Nem dúvida tinha! Tamanha era a vontade de sequer ter vontade e não tinha!

_ Nada?
_ Sim.

Sujeira entre as unhas tinha.

Algo cinza que maculava sua pele negra, tinha.

Seu compasso desritmado por alguma dor também havia.

Um adormecimento - meio proposital, meio sem querer - dos sentidos também acontecia.

E sim, claro.

Também aquela falta de brilho indecifrável que a acometia.

4 comentários:

Luciano disse...

E era falta do sol. Falta do que refletisse luz nela. E toda falta será e será e somente será e será compensada.
A luz virá, no ponto do ônibus, e de imediato saberá o seu destino. E saberá, e saberá e somente saberá.
E a forma de chegar ao caminho? Bem.. A luz do SAol enviará um menino, e ele enviará e levará ao caminho.
E o caminho? Os braços, beijos e o corpo da luz, que irá reluzir e conduzir. E saberá.. .

Magno disse...

O_o

Falta de brilho...é osso, como diriam os giriosos!

Mas se ela não sabia pra onde ia, podia ficar, onde, alí.
E o tempo ia passando, passando...

E uma hora, o caminho ia se abrir, não como Móises com seu cajado...

Luciano disse...

... E ficar "onde, ali" seria parar a vida e esperar que o primeiro vento o leve. Correr ao encontro do abraço da luz do sol ou esperar o vento passar e levar?

Fe disse...

Vai passar... limpara as unhas... terá duvida, destino e modo....

vai demorar..

e tempo depois as unhas vao se sujar dinovo e la vai ela.. se perder nela mesma