24 de julho de 2008

Trechos atípicos a um auto-proclamado não-merecedor

No começo dos tempos não havia nada, senão o verbo. E era ainda o verbo falado. Falado por gente que já havia antes do verbo. E isso não é um contrasenso, porque sem o verbo, alguém é nada.

Pois bem. Havia um nada. Acompanhado que estava de vários nadas. Do tipo de nada que começa num pensamento muito simples que depois se complexifica. E tanto, e tanto, que se torna intocável ao verbo. Ficamos atônitos diante de tanta coisa, ao que alguém nos pergunta fatidicamente “Em quê está pensando?” – e respondemos “Em nada.” É este nada. Era este nada que havia antes do verbo. Era o intraduzível, não o tautológico.

Mas nascemos num tempo em que o verbo nem sempre é verbo, nem sempre é ação, nem sempre ligação. Quase tudo fez-se verbo e aprendemos, ou pensamos que aprendemos, a lê-los todos. Quiromancia, piromancia, cromatomancia, horóscopo. E, como bem sabes, POEta, não os creio muito.

[...]

E, quando tempo demais tiver passado cronologicamente, Kairos nos lembrará de que o tempo não passa para as almas que se afinizam e nos recordará do ano distante de distâncias físicas tão próximo quanto o ano seguinte a ele. Era ele. E éramos nós dentro dele.

[...]

Recobrei um por um os verbos fugitivos (aqueles, que fugiram de minhas idéias quando o facho indizível se fez de nós) que peguei pelas orelhas com o dedo em riste e uma bronca...

[...]

Eu então, munida de suas explicações sobre o que vê e vive, virei-me e caminhei até a porta. Abri-a e saí. Do lado de fora alguém pousou na sua janela cantando coisas sobre camas e palavras quentes.

(Uma ventania açoitou pela última vez os cabelos da menina.
O menino sorriu aliviado.
E todos viveram felizes para sempre! (?))

5 comentários:

Magno disse...

Tomara que este não merecedor tenha entendido o recado...não vou repetir mais uma vez...

"...Kairos nos lembrará de que o tempo não passa para as almas que se afinizam e nos recordará do ano distante de distâncias físicas tão próximo quanto o ano seguinte a ele. Era ele. E éramos nós dentro dele."

Gostei muito dessa parte...Concerteza os leitores mais poeteiros deste blog logo pela manhã farão comentários melhores...enfim...

Beijos Cá..
Má (O_o)

Magno disse...

Mas...o para sempre...é para sempre mesmo? Ou até que o Abeas Corpus nos separe?

V. B. de Moraes disse...

Freneticamente pulsante.
Você me arrepiou os pêlos dos dedos dos pés dessa vez.

Na sua complexidade que detesto e na sua ciência travestida de empáfia, apenas senti. E um sorriso largo de alegria soltei. Mandou bem, branquinha.

Conseguiu ser enérgica e cheia de vida. Essas coisas são boas pro coração.

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Durkheim dizia que para sermos universal devemos falar da nossa própria terra. Eu insiro isto no contexto desta postagem. Você - ao que parece - direcionou um sentimento e falou como uma seta apontada. E é justamente quando faz assim que consegue atingir o maior número de gentes!!!

Aquelabraço!

V. B. de Moraes disse...

uma retificação: não gostei do fim trágico!


rárá!!!

O Fabrício ohohohoh disse...

Final lógico hohohohohohohohohoho

Como diria meu cabeleleiro

"Verbo é palavra e palavra é poder", saudoso Pops.